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August 31, 2026
Estado Tocantins

Saiba quem era a mulher vítima de feminicídio; filhas são suspeitas | G1

  • Abril 9, 2026
  • 5 min read
Saiba quem era a mulher vítima de feminicídio; filhas são suspeitas | G1

Deise foi morta a facadas no dia 26 de dezembro de 2025, em uma área rural próxima à Vila Quixaba, no município de Peixe, no sul do Tocantins. As filhas, Déborah de Oliveira Ribeiro, de 26 anos, e Roberta de Oliveira Ribeiro, de 32 anos, foram indiciadas por feminicídio e ocultação de cadáver. O marido de Deise também foi indiciado por supostamente tentar eliminar provas e atrapalhar as investigações. Os três estão presos preventivamente desde fevereiro.

Em nota, a defesa de Déborah, Roberta e José Roberto afirmou que o relatório policial possui “lacunas fundamentais” e que a narrativa carece de lastro probatório técnico em diversos pontos. A defesa informou que tomará as medidas legais para assegurar o contraditório (veja nota completa abaixo).

Deise era dona de uma fábrica de rodos, que se tornou a principal fonte de renda da família. Mesmo com as filhas exercendo outras atividades, elas dependiam financeiramente da mãe, de acordo com a investigação policial. A empresa era responsável por sustentar a casa e garantir o padrão de vida dos familiares.

Ainda conforme familiares ouvidos pela polícia, Deise enfrentava conflitos dentro de casa. A sobrinha relatou que as filhas não eram próximas da família e que havia episódios de agressividade verbal e comportamental contra a mãe. Apesar disso, Deise seguia tentando manter a união familiar e recorria à fé para lidar com os problemas.

A mulher também tinha uma relação de dependência emocional com o marido, José Roberto Ribeiro, de 54 anos. Pessoas próximas afirmaram que o relacionamento era visto como pouco saudável pela família, mas que, mesmo assim, Deise optava por continuar e “entregar a relação a Deus”, como relatou a sobrinha.

Deise Carmem de Oliveira Ribeiro tinha 55 anos — Foto: Reprodução/Gurupi Memes

Relembre o crime

No dia 26 de dezembro de 2025, a vítima foi levada para uma área rural perto da Vila Quixaba, onde foi morta com vários golpes de faca. Depois, o corpo foi jogado no Rio Santa Tereza, na zona rural de Peixe.

Segundo a Polícia Civil, o feminicídio foi motivado por conflitos familiares e interesses financeiros. A investigação aponta que as filhas teriam planejado e executado o crime. Após a morte, elas teriam comprado um celular em nome da mãe e usado o aparelho para enviar mensagens aos parentes, simulando que Deise havia ido embora por conta própria, numa tentativa de atrasar as buscas.

Segundo a investigação, a vítima era vista pelas filhas como um “embaraço”. Com a morte, elas poderiam, supostamente, ter controle sobre a empresa.

“Então as filhas viam a mãe como um embaraço na vida delas. A partir do momento que a mãe faltasse, elas iam ter total controle porque o pai, além de ser, entre aspas, “bom” para elas, é uma pessoa assim que não tem muita instrução, ele não ia tentar fazer esse controle, ele não ia controlar as despesas, a questão financeira. E isso ia passar para elas, elas iam ter total controle”, explicou o delegado João Paulo.

O inquérito foi conduzido pela 94ª Delegacia de Polícia de Peixe, com apoio da Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC) de Gurupi, e foi encaminhado ao Ministério Público Estadual, que vai decidir se apresenta denúncia à Justiça.

Íntegra da nota da defesa

A defesa técnica de Déborah de Oliveira Ribeiro, Roberta de Oliveira Ribeiro e Jose Roberto Ribeiro, diante da recente conclusão das investigações conduzidas pela Polícia Civil do Estado do Tocantins e das solicitações de pronunciamento enviadas por este veículo de comunicação, vem a público esclarecer que recebeu com absoluta serenidade o relatório final apresentado pela autoridade policial em 1º de abril de 2026. A conclusão do inquérito é uma etapa natural do rito processual e, para os investigados, representa o início da oportunidade de confrontar judicialmente as hipóteses levantadas na fase inquisitorial.

É imperativo reconhecer o excelente e exaustivo trabalho desempenhado pela Polícia Judiciária e pela Superintendência da Polícia Científica do Estado do Tocantins. Contudo, muito embora o esforço investigativo seja notório, a defesa sublinha que inúmeras lacunas fundamentais restam a ser preenchidas. A narrativa policial, em diversos pontos, carece de lastro probatório técnico e se baseia em interpretações que serão devidamente contestadas no foro adequado.

A defesa destaca que a própria autoridade policial, em seu relatório final, admitiu não ter reunido elementos suficientes para vincular Jose Roberto à execução do homicídio ou à ocultação do cadáver. O indiciamento deste restringe-se exclusivamente a uma suposta supressão de mensagens digitais, o que afasta, de plano, qualquer participação nos crimes investigados.

A defesa tomará todas as medidas legais cabíveis assegurando que o contraditório e a ampla defesa sejam exercidos em sua plenitude. Confiamos que, sob o crivo do Poder Judiciário e com a devida paridade de armas, as lacunas hoje existentes serão sanadas, restabelecendo-se a justiça e a verdade real sobre os fatos.

A defesa permanece à disposição das autoridades e da sociedade, reiterando o compromisso com a legalidade e a presunção de inocência.

Deise Carmem de Oliveira Ribeiro foi encontrada morta em um rio em Peixe — Foto: Arte g1

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