Crise climática aumenta exposição de 560 milhões de crianças a calor extremo, diz estudo – ClimaInfo
As crianças são particularmente vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas e enfrentarão efeitos cada vez mais intensos relacionados à crise do clima ao longo de suas vidas. E atualmente, mais de 40% das crianças com menos de 10 anos em todo o mundo – cerca de 560 milhões de menores – já sofrem pelo menos 20 dias adicionais de estresse térmico devido às alterações climáticas, provocadas sobretudo pela queima de combustíveis fósseis. É o que mostra um estudo coordenado pela Universidade Livre de Bruxelas e publicado na revista Science Advances.
A pesquisa aponta que o sul e o sudeste da Ásia e a África Ocidental registram a maior exposição infantil a níveis perigosos de calor úmido, principalmente porque essas regiões têm uma população em rápido crescimento com a maior proporção de crianças pequenas, explica o Carbon Brief. Com o aquecimento global, as crianças continuarão mais expostas ao estresse térmico do que qualquer outra faixa etária.
Segundo os pesquisadores, há expectativa de que a exposição aumente ainda mais, com a confirmação das tendências climáticas globais. Nos cenários projetados de aquecimento de 1,5°C e 2°C até o fim do século – considerados de alta probabilidade, caso sejam mantidas as políticas atuais de mitigação -, o número de crianças afetadas por um mês adicional de calor perigoso deverá aumentar para 620 milhões e 650 milhões, respectivamente, detalha o Correio Braziliense.
Autora principal do estudo, Rosa Pietroiusti frisa que as conclusões da pesquisa devem contribuir para os debates sobre justiça climática. Afinal, ela lembra que as crianças nos países mais pobres foram as que menos contribuíram para as emissões históricas de gases de efeito estufa. “Crianças em países em desenvolvimento enfrentam uma exposição desproporcional a extremos climáticos, tanto agora quanto no futuro, apesar de contribuírem minimamente para as emissões. Ao mesmo tempo, pobreza, moradias inadequadas, acesso limitado a refrigeração e sistemas de saúde sobrecarregados deixam muitas crianças com poucas maneiras de se protegerem do calor.”
Metrópoles, The Verge e Business Green também repercutiram o estudo.








