Resgates no Nepal são afetados por ameaça de mais enxurradas – ClimaInfo
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Autoridades alertam para risco de novas inundações; até domingo havia mais de 800 mortos e mais de 3 mil desaparecidos no Nepal e no Tibete.
30 de agosto de 2026

Resumo
As equipes que atuam no resgate de vítimas das inundações que devastaram o Nepal e o Tibete na semana passada trabalham não apenas contra o relógio na busca por sobreviventes, mas também enfrentam o risco de novas enxurradas. Autoridades nepalesas informaram que um lago formado por sedimentos do primeiro colapso se rompeu e pode causar um novo desastre.
Os trabalhos de resgate chegaram a ser suspensos na 6ª feira (28/8), mas foram retomados no mesmo dia. Segundo a Folha, o Exército do Nepal informou que o nível de água subiu cerca de 60 cm após o alerta, e o governo do país monitora outros dois lagos que ainda correm o risco de romper e transbordar, informam Estadão e O Globo.
O risco de novas inundações foi reforçado no domingo (30/8), destaca a AP. As autoridades nepalesas alertaram para a possibilidade de novas inundações e instaram os moradores dos distritos afetados pelas cheias a permanecerem em estado de alerta máximo, após a elevação do nível da água no rio Bhotekoshi.
De acordo com a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC, sigla em Inglês), mais de 90 mil pessoas foram diretamente afetadas pelo deslizamento de terra no Himalaia e precisam urgentemente de ajuda humanitária. O risco de uma nova inundação também preocupa a agência humanitária, que ressalta a dificuldade de acesso a algumas das localidades mais afetadas pelo episódio.
“O desastre ainda não acabou completamente. Ele ainda está se desenrolando em alguns aspectos”, afirmou Kamal Kishore, chefe do Escritório da ONU para Redução do Risco de Desastres (UNDRR), à Reuters.
Até ontem (30/8), autoridades do Nepal e da China confirmaram a morte de mais de 800 pessoas, com mais de 3 mil ainda desaparecidos. Mais de 7,5 mil pessoas tinham sido resgatadas no Nepal, segundo a Reuters. Não havia informações sobre resgates no Tibete chinês.
O Estadão informa que a Índia recuperou sete corpos de vítimas das inundações no Nepal. Segundo as autoridades locais, os corpos estavam boiando nos rios dos distritos de Maharajganj e Kushinagar, que fazem fronteira com a região de Chitwan, no sul nepalês.
Imagens de satélite publicadas pela AP e pela CNN mostram que parte de uma geleira se desprendeu do pico Langtang Lirung, perto da fronteira do Nepal com o Tibete. É possível ver que o leito rochoso sob a geleira desmoronou, lançando pedregulhos e gelo no vale do rio Lhende, o que provocou avalanches e enxurradas de água e lama.
“A imagem mostra toda a área sem nada escondido, e pudemos ver que, sim, parece que não apenas essa geleira se rompeu, mas uma porção muito maior da rocha matriz da própria encosta da montanha também cedeu. Houve esse grande deslizamento de rocha matriz que levou parte da geleira consigo”, observou o geomorfólogo Dan Shugar, da Universidade de Calgary (Canadá).
Infelizmente, considerando a crise climática, desastres como o da semana passada no Nepal tendem a ser mais frequentes no futuro, com efeitos desastrosos para as comunidades que vivem em vales de montanhas e nas margens de rios originários do degelo de geleiras. “Não há dúvida de que esse evento se tornou mais provável devido às mudanças climáticas e que estamos vendo com mais frequência outros riscos glaciais semelhantes ocorrendo”, disse Twila Moon, cientista-chefe adjunta do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo da Universidade do Colorado em Boulder, à NPR.
O risco crescente é reforçado pelo Observatório do Clima. “Nos próximos anos, à medida que ultrapassemos o limite de 1,5°C de aquecimento estabelecido no Acordo de Paris, fenômenos como esse se tornarão muito mais frequentes e violentos, impondo aos governos, frequentemente dos países mais pobres – que, como o Nepal, menos contribuíram com a crise -, custos elevados de adaptação e perdas e danos”, destacou o OC em nota.
AFP, Bloomberg, DW, Guardian, Reuters e Wall Street Journal, entre outros, também repercutiram os efeitos das enxurradas no Nepal.
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Em tempo: Negociador do grupo dos Países Menos Desenvolvidos (LDCs, sigla em Inglês) nas conferências do clima da ONU, o especialista em diplomacia climática Manjeet Dhakal, do Nepal, lembra o óbvio: quem menos contribuiu para a crise climática é quem mais sofre com ela. Historicamente, o Nepal responde por apenas 0,05% das emissões de gases de efeito estufa, mas sofre agora os efeitos do colapso de uma geleira provavelmente causado (ou acelerado) pelas mudanças do clima. “Países que não contribuíram em praticamente nada, ou cuja contribuição foi mínima (para a crise climática), estão pagando a maior parte da conta dos impactos climáticos. Essa desigualdade precisa ser enfrentada em âmbito global.” Em entrevista à Folha, Dhakal ressalta como o descumprimento de promessas de financiamento pelos países ricos diminui a capacidade de adaptação aos eventos climáticos extremos e amplia desigualdades.
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