Ultrarricos poluem mais que metade da população mundial e lucram com desastres climáticos – ClimaInfo
3 de novembro de 2026

Resumo
Uma nova análise da Oxfam Internacional reforça como a crise climática segue intensificando a injustiça social. Segundo o relatório, publicado menos de duas semanas antes da abertura da COP31, na Turquia, a parcela 0,1% mais rica da humanidade, de cerca de 8 milhões de pessoas, produz mais emissões de gases de efeito estufa (GEE) do que os 3,5 bilhões mais pobres somados. Além de contribuir decisivamente para o problema, essa elite ultrarrica também lucra com a destruição e a desgraça dos mais pobres e vulneráveis.
Segundo a Oxfam, uma pessoa pertencente aos 0,1% mais ricos contribuiu quase 400 vezes mais para a ocorrência cada vez mais frequente e intensa de eventos climáticos extremos do que alguém que faz parte dos 50% mais pobres. Coletivamente, essa elite produz três vezes mais poluição por carbono do que toda a população da África subsaariana — cerca de 1,3 bilhão de pessoas.
Considerando os 1% mais ricos, suas emissões de GEE respondem por 20% do aquecimento global registrado desde 1990, sendo que cada pessoa emitiu, em média, 100 vezes mais do que alguém pertencente à metade mais pobre da humanidade. Essas emissões também causarão quase US$ 53 trilhões (R$ 288,5 trilhões) em danos econômicos até 2050 e 1,9 milhão de mortes adicionais relacionadas ao calor, sendo que 78% dessas ocorrerão em países de renda baixa e média-baixa.
Um dos vetores das emissões dos ultrarricos é sua pegada de carbono relacionada ao transporte aéreo privativo. Segundo a análise da Oxfam, em conjunto, os jatos privados emitem mais carbono em dois segundos do que uma pessoa pertencente aos 50% mais pobres emite ao longo de um ano inteiro.
A riqueza e o luxo dessa parcela diminuta da humanidade acontecem às custas do sofrimento da esmagadora maioria das pessoas. O estudo estima que, até 2050, até 1 bilhão de pessoas (cerca de 10% da população global) possam ser deslocadas por conta da crise climática, a maioria nos países do Sul Global. Essas comunidades estão sendo cada vez mais assoladas por eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas, tempestades e inundações, afetando diretamente a subsistência.
O relatório da Oxfam também destacou como os desastres climáticos estão se tornando um negócio lucrativo. O mercado global de recuperação e reconstrução pós-desastres deverá crescer de US$ 70 bilhões para US$ 92 bilhões (R$ 381 bilhões para R$ 501 bilhões) por ano até 2029.
Já o novo índice “Destruir e Reconstruir” identifica 217 empresas que lucram simultaneamente com setores que impulsionam o colapso climático e com atividades de preparação, resposta, recuperação e reconstrução. Os gestores de ativos BlackRock e Vanguard se destacam nesse campo, com investimentos em 92% dessas empresas, somando mais de US$ 1 trilhão (R$ 5,4 trilhões) em aplicações.
“A crise climática é frequentemente descrita como um desafio humano compartilhado. Mas não é verdade. Aqueles que menos contribuíram para causá-la estão perdendo suas casas, suas colheitas, e, cada vez mais, suas vidas. Enquanto isso, os ultrarricos podem comprar sua segurança, refugiando-se em bunkers subterrâneos de alta tecnologia, contratando equipes privadas de combate a incêndio e adquirindo seguros privados, além de lucrarem ativamente com as consequências da poluição que geram”, afirmou Amitabh Behar, diretor-executivo internacional da Oxfam. “Isso não é uma tragédia de destino compartilhado, mas sim um crime de extrema desigualdade.”
O relatório da Oxfam foi destacado por Agência Brasil, Down To Earth, Guardian e TIME, entre outros veículos.
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