NotíciasAqui a notícia corre
November 3, 2026
Clima

Ultrarricos poluem mais que metade da população mundial e lucram com desastres climáticos – ClimaInfo

  • Novembro 3, 2026
  • 5 min read
Ultrarricos poluem mais que metade da população mundial e lucram com desastres climáticos – ClimaInfo

3 de novembro de 2026

super ricos cota anual de carbono oxfam
Yuri G./Unsplash

Resumo

  • Emissões concentradas nos mais ricos: segundo a Oxfam Internacional, os 0,1% mais ricos (cerca de 8 milhões de pessoas) emitem mais gases de efeito estufa do que os 3,5 bilhões mais pobres somados. Cada pessoa desse grupo contribui quase 400 vezes mais para os eventos climáticos extremos do que alguém entre os 50% mais pobres. Já os 1% mais ricos respondem por 20% do aquecimento registrado desde 1990, e seus jatos privados emitem em dois segundos mais carbono do que um integrante da metade mais pobre emite em um ano.
  • Conta paga pelos mais pobres: as emissões dos 1% mais ricos causarão cerca de US$ 53 trilhões em danos econômicos até 2050 e 1,9 milhão de mortes adicionais por calor, 78% delas em países de renda baixa e média-baixa. O estudo estima que até 1 bilhão de pessoas, a maioria no Sul Global, possam ser deslocadas pela crise climática até 2050, afetadas por ondas de calor, secas, tempestades e inundações.
  • Lucro com os desastres: o mercado global de recuperação e reconstrução pós-desastres deve crescer de US$ 70 bilhões para US$ 92 bilhões por ano até 2029. O índice “Destruir e Reconstruir” identifica 217 empresas que lucram tanto com setores que agravam o colapso climático quanto com a reconstrução, e as gestoras de fundos de investimento BlackRock e Vanguard investem em 92% delas, somando mais de US$ 1 trilhão. 
  • Uma nova análise da Oxfam Internacional reforça como a crise climática segue intensificando a injustiça social. Segundo o relatório, publicado menos de duas semanas antes da abertura da COP31, na Turquia, a parcela 0,1% mais rica da humanidade, de cerca de 8 milhões de pessoas, produz mais emissões de gases de efeito estufa (GEE) do que os 3,5 bilhões mais pobres somados. Além de contribuir decisivamente para o problema, essa elite ultrarrica também lucra com a destruição e a desgraça dos mais pobres e vulneráveis.

    Segundo a Oxfam, uma pessoa pertencente aos 0,1% mais ricos contribuiu quase 400 vezes mais para a ocorrência cada vez mais frequente e intensa de eventos climáticos extremos do que alguém que faz parte dos 50% mais pobres. Coletivamente, essa elite produz três vezes mais poluição por carbono do que toda a população da África subsaariana — cerca de 1,3 bilhão de pessoas. 

    Considerando os 1% mais ricos, suas emissões de GEE respondem por 20% do aquecimento global registrado desde 1990, sendo que cada pessoa emitiu, em média, 100 vezes mais do que alguém pertencente à metade mais pobre da humanidade. Essas emissões também causarão quase US$ 53 trilhões (R$ 288,5 trilhões) em danos econômicos até 2050 e 1,9 milhão de mortes adicionais relacionadas ao calor, sendo que 78% dessas ocorrerão em países de renda baixa e média-baixa.

    Um dos vetores das emissões dos ultrarricos é sua pegada de carbono relacionada ao transporte aéreo privativo. Segundo a análise da Oxfam, em conjunto, os jatos privados emitem mais carbono em dois segundos do que uma pessoa pertencente aos 50% mais pobres emite ao longo de um ano inteiro.

    A riqueza e o luxo dessa parcela diminuta da humanidade acontecem às custas do sofrimento da esmagadora maioria das pessoas. O estudo estima que, até 2050, até 1 bilhão de pessoas (cerca de 10% da população global) possam ser deslocadas por conta da crise climática, a maioria nos países do Sul Global. Essas comunidades estão sendo cada vez mais assoladas por eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas, tempestades e inundações, afetando diretamente a subsistência.

    O relatório da Oxfam também destacou como os desastres climáticos estão se tornando um negócio lucrativo. O mercado global de recuperação e reconstrução pós-desastres deverá crescer de US$ 70 bilhões para US$ 92 bilhões (R$ 381 bilhões para R$ 501 bilhões) por ano até 2029.

    Já o novo índice “Destruir e Reconstruir” identifica 217 empresas que lucram simultaneamente com setores que impulsionam o colapso climático e com atividades de preparação, resposta, recuperação e reconstrução. Os gestores de ativos BlackRock e Vanguard se destacam nesse campo, com investimentos em 92% dessas empresas, somando mais de US$ 1 trilhão (R$ 5,4 trilhões) em aplicações.

    “A crise climática é frequentemente descrita como um desafio humano compartilhado. Mas não é verdade. Aqueles que menos contribuíram para causá-la estão perdendo suas casas, suas colheitas, e, cada vez mais, suas vidas. Enquanto isso, os ultrarricos podem comprar sua segurança, refugiando-se em bunkers subterrâneos de alta tecnologia, contratando equipes privadas de combate a incêndio e adquirindo seguros privados, além de lucrarem ativamente com as consequências da poluição que geram”, afirmou Amitabh Behar, diretor-executivo internacional da Oxfam. “Isso não é uma tragédia de destino compartilhado, mas sim um crime de extrema desigualdade.”

    O relatório da Oxfam foi destacado por Agência Brasil, Down To Earth, Guardian e TIME, entre outros veículos.

    • desigualdade climática
    • emissões de carbono

    Continue lendo

    Em foco

    Além do 1,5ºC

    Aprenda mais sobre

    About Author

    Ian Mello

    Leave a Reply

    O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *