Oposição a data centers cresce no Brasil – ClimaInfo
3 de novembro de 2026

Resumo
A resistência de populações à instalação de data centers próximos às suas residências e comunidades vem aumentando em todo o mundo. No Brasil não seria diferente. O país tenta atrair essas instalações oferecendo energia renovável e barata — o REDATA, política nacional para centros de dados, é um exemplo disso. No entanto, os incentivos ignoram os imensos impactos socioambientais dessas estruturas. Por isso, Ministério Público, comunidades e até mesmo assembleias legislativas começam a se mexer para evitar esses estragos.
O país que mais vem chamando atenção por protestos contra centros de dados é os Estados Unidos. Pesquisas mostram que a maioria da população estadunidense se opõe à construção dessas infraestruturas em seus bairros, e a resistência virou uma rara bandeira que une republicanos e democratas.
Nesta 3ª feira (3/11), junto às eleições de meio de mandato do Congresso estadunidense, eleitores de dez estados dos EUA decidirão se devem restringir a implantação de data centers em suas comunidades, informam Reuters e UOL. A resistência é especialmente visível em Ohio, um dos mercados de data centers que mais crescem no país.
No Brasil, o setor de data centers ainda é muito menor que nos EUA. Os Estados Unidos concentram 58% da capacidade instalada no mundo, segundo a consultoria Data Center Hawk, enquanto o Brasil responde por pouco mais de 1%. Mas o país entrou na rota de investimentos do setor. O segmento brasileiro de data centers cresceu seis vezes desde 2012, e 2026 caminha para um recorde de novas entregas. Por isso, os movimentos de oposição começam a aparecer e a preocupar empresas do segmento, destaca o Capital Reset.
A resistência brasileira se materializa de diferentes formas. Ações do Ministério Público pedem a paralisação ou explicações sobre grandes projetos. Moradores pressionam por mais detalhes. Nas redes sociais, postagens questionam os empreendimentos. E nos estados, projetos de lei propõem restrições ao setor.
Por trás dos movimentos nos dois países estão preocupações em comum, como o intenso consumo de energia, o uso de água, a poluição sonora e o excesso de calor. Em uma pesquisa recente do Fórum Econômico Mundial com economistas-chefes, a maioria avaliou que o avanço dos data centers de IA será um motor de tensão no mundo, por aumentar o custo de energia e água sem impacto positivo na criação de empregos.
Um levantamento da consultoria Innova Assuntos Públicos mapeou pelo menos 20 projetos de lei sobre data centers em assembleias legislativas de estados brasileiros. Nove propõem restrições e exigências, sete focam em incentivos e quatro são neutros ou mistos. O tema ganhou relevância neste ano: em 2025, só quatro das propostas foram apresentadas, e apenas uma era restritiva.
Há ainda ações na Justiça. O Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública pedem a paralisação das obras de um data center em Pecém (CE), da Omnia, previsto para atender o TikTok, até que sejam feitos uma consulta a uma comunidade indígena e um estudo de impacto ambiental. Uma ação parecida do Ministério Público Estadual afeta um projeto da Elea Data Center em Belém, ainda em desenvolvimento. E em Campinas, o Ministério Público Estadual abriu inquérito sobre um projeto da Terranova.
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Em tempo 1: Nos EUA, segundo uma análise interna do Sierra Club, uma das organizações ambientalistas mais antigas e influentes do país, o aumento na construção de termelétricas a combustíveis fósseis para alimentar centros de dados de inteligência artificial deverá desfazer 15 anos de reduções nas emissões de gases de efeito estufa provenientes da geração de eletricidade nos EUA, destaca a Bloomberg. O setor energético estadunidense emitiria 2,1 bilhões de toneladas de dióxido de carbono até 2030, considerando os projetos de inteligência artificial planejados. Isso representa 618 milhões de toneladas a mais do que os níveis de 2025, segundo cálculos do Sierra Club, ou um aumento de cerca de 42%.
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Em tempo 2: Na Finlândia, a polícia iniciou uma investigação criminal sobre suspeitas de violações da legislação ambiental no canteiro de obras de um centro de dados planejado pela Google no norte do país, informa a Reuters. O projeto faz parte de um plano anunciado no mês passado pela Alphabet, controladora da Google, de investir US$ 15 bilhões (R$ 81,6 bilhões) em infraestrutura de inteligência artificial na Finlândia, o que a empresa descreveu como seu maior investimento na Europa. A Google é acusada de derrubar ilegalmente mais de 400 mil árvores em dois sítios distintos para a instalação de data centers.
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