NotíciasAqui a notícia corre
November 3, 2026
Clima

COP17 da biodiversidade chega ao fim com mais promessas e pouco dinheiro – ClimaInfo

  • Novembro 3, 2026
  • 5 min read
COP17 da biodiversidade chega ao fim com mais promessas e pouco dinheiro – ClimaInfo

3 de novembro de 2026

cop17 biodiversidade 26 final
Rogério Cassimiro/MMA

Resumo

  • COP17 termina com avanço diplomático, mas divergências persistentes: conferência em Yerevan (Armênia) acabou no sábado (31/10), um dia após o prazo, com acordos de quase 200 países sobre a primeira revisão global do progresso da biodiversidade e a mobilização de recursos. O balanço mostrou que as ações atuais são insuficientes para cumprir o Marco de Kunming-Montreal. Seguem em aberto as disputas sobre financiamento, subsídios prejudiciais e evidências científicas.
  • “Caminho de Yerevan” pede acelerar ações e redirecionar subsídios nocivos: o acordo estabelece diretrizes para ampliar as ações e cumprir os compromissos financeiros, pedindo que ao menos US$ 500 bilhões em subsídios a atividades prejudiciais à natureza sejam redirecionados. Reafirma ainda o objetivo de elevar o financiamento da biodiversidade a US$ 30 bilhões por ano até o fim da década. Cerca de 70 ministros ajudaram a destravar as divergências na última semana.
  • Ministro do Panamá diz que as COPs “foram concebidas para falhar”: Juan Carlos Navarro criticou o modelo de consenso, que permite a “um idiota” barrar um acordo, e defendeu decisões por maioria. Também propôs uma única COP por ano, reunindo clima, biodiversidade e plásticos. Para ele, grande parte do que se faz nas conferências é “pura balela”, e “enquanto nós ficamos brincando, Roma queima”.
  • Mantendo a tradição das conferências das partes da ONU, a COP17 da biodiversidade terminou no sábado (31/10) em Yerevan, Armênia, um dia depois do prazo final do encontro. Quase 200 países chegaram a acordos arduamente negociados na cúpula. De modo geral, o resultado da COP17 representa um avanço diplomático significativo nos esforços para deter e reverter a perda da natureza até 2030. No entanto, as divergências sobre financiamento da conservação, subsídios prejudiciais e evidências científicas persistiram.

    Os delegados comemoraram com aplausos quando o presidente da conferência, Hambardzum Matevosyan, ministro do Meio Ambiente da Armênia, bateu o martelo em decisões cruciais relativas à primeira revisão global do progresso da biodiversidade e da mobilização de recursos, informam Climate Watch e AFP. “E pronto. Perfeito”, declarou, trazendo alívio aos negociadores exaustos após duas semanas de negociações difíceis. Cerca de 70 ministros participaram das negociações da última semana para ajudar a resolver as divergências pendentes.

    Um balanço dos esforços globais para cumprir a meta de deter e reverter a destruição da natureza até 2030, como estabelecido no Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, de 2022, mostrou que as ações tomadas até agora são insuficientes para alcançar os compromissos já assumidos. Entre os objetivos estão proteger 30% das terras e dos oceanos do planeta (a Meta 30×30), combater a poluição e as espécies invasoras e ampliar os recursos destinados à conservação, detalha a Folha.

    Um dos acordos firmados na Armênia é o chamado “Caminho de Yerevan”, que estabelece diretrizes para que os países acelerem e ampliem suas ações, inclusive o cumprimento de seus compromissos financeiros. A decisão também pede que ao menos US$ 500 bilhões (R$ 2,7 trilhões) em subsídios a atividades prejudiciais à natureza sejam redirecionados. Também foi firmado o compromisso de intensificar as ações para atingir as metas atuais e a reafirmação do objetivo de aumentar o financiamento para a biodiversidade para US$ 30 bilhões (R$ 163 bilhões) por ano até o final da década.

    Ministros do meio ambiente, ativistas e autoridades apelaram durante a COP17 por mudanças significativas na forma como as cúpulas funcionam, para garantir que os governos implementem ações efetivas sobre os fatores que impulsionam a perda de biodiversidade, destaca o Guardian. O ministro do Meio Ambiente do Panamá, Juan Carlos Navarro, um ambientalista veterano, afirmou que o processo da COP foi “concebido para fracassar”, argumentando que as decisões deveriam ser tomadas por maioria, já que o processo baseado em consenso permite que “um idiota” impeça um acordo.

    “Grande parte do que acontece aqui na COP é pura balela, discursos bonitos e conversa fiada. Não podemos ter – não podemos esperar – um consenso entre todas as nações do mundo sobre todos os assuntos. Isso é ridículo. As COPs foram concebidas para falhar, e não estão decepcionando”, bradou.

    Navarro também argumentou que a ONU deveria sediar uma única COP ambiental por ano para abordar as questões climáticas, de biodiversidade, de plásticos e outras de uma só vez. “Isso me deixa furioso, porque enquanto nós ficamos brincando, Roma queima”, disse.

    • Em tempo: O Equador foi escolhido para presidir a COP18 da biodiversidade em 2028. O país obteve 55 votos em votação no final da COP17, em Yerevan, seguido do Panamá, com 53, informa a AFP.

    • biodiversidade
    • COP17 da biodiversidade
    • financiamento climático

    Continue lendo

    Em foco

    Além do 1,5ºC

    Aprenda mais sobre

    About Author

    Ian Mello

    Leave a Reply

    O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *