NotíciasAqui a notícia corre
May 4, 2026
Clima

Santa Marta é marcada por avanço político e pressão por um tratado pelo fim dos combustíveis fósseis – ClimaInfo

  • Maio 3, 2026
  • 5 min read
Santa Marta é marcada por avanço político e pressão por um tratado pelo fim dos combustíveis fósseis – ClimaInfo

3 de maio de 2026

santa marta final
Divulgação – Ministério do Meio Ambiente da Colômbia

Há três décadas, países se reúnem anualmente em conferências da ONU para tentar frear as mudanças climáticas. Mas nunca os principais responsáveis pela crise do clima – o petróleo, o gás fóssil e o carvão – foram tratados de modo tão direto, honesto, pragmático e em todas as suas dimensões, como na 1ª Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis realizada em Santa Marta, Colômbia, na semana passada, destaca Giovana Girardi na Agência Pública.

O encontro terminou na 4ª feira (29/4) com um saldo político relevante, frisa ((o))eco, ainda que sem resultados vinculantes – aliás, este não era o objetivo. Ao operar fora do modelo tradicional das COPs do clima, a conferência funcionou como uma coalizão de países dispostos a avançar na implementação da transição energética sem depender do consenso global. Uma estratégia que busca contornar o bloqueio diplomático imposto pelos grandes produtores de combustíveis fósseis e deslocar o debate para o campo da ação.

Por isso, nos próximos meses, os 57 países reunidos em Santa Marta focarão em destravar o financiamento da transição energética – tema que também costuma travar as negociações climáticas. Os países também concordaram em coordenar a elaboração de planos nacionais e regionais para substituir os combustíveis fósseis e alinhar políticas comerciais entre as nações para fortalecer os setores verdes, detalha o Projeto Colabora.

“Por mais difícil que seja, sabemos que esta conversa não pode terminar aqui. Devemos manter o ímpeto, liderar com coragem, enfrentar o desafio e construir uma coligação de voluntários”, afirmou Irene Vélez Torres, ministra de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia, que copresidiu a conferência junto com os Países Baixos. “Esta será uma ampla plataforma intergovernamental e multissetorial, complementar à UNFCCC [a Convenção do Clima da ONU], projetada para identificar os caminhos legais, econômicos e sociais necessários à eliminação gradual dos combustíveis fósseis”, reforçou.

A ampliação da coalizão para além dos países em Santa Marta também foi enfatizada pela ministra do Clima dos Países Baixos, Stientje van Veldhoven, na plenária final. “Esta é a coalizão dos dispostos; esta é a coalizão dos que fazem e queremos que ela cresça”, destacou. Ela lembrou que há uma clara tendência para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis – reforçada pela guerra no Oriente Médio, que inflou os preços do petróleo e do gás e restringiu a oferta – e é preciso aproveitar a oportunidade. “É hora de traçar um roteiro concreto que nos permita incorporar o novo e deixar o antigo para trás”, adicionou.

Colômbia e Países Baixos produziram um documento com conclusões sobre a conferência. Entre os encaminhamentos listados, está a criação de zonas livres de combustíveis fósseis – uma proposta capitaneada pelos Povos Indígenas e por várias organizações da sociedade civil. “Para limitar a expansão da extração, os países poderiam implementar planos de fechamento, zonas livres de combustíveis fósseis quando pertinente, interromper a emissão de novas licenças, gerenciar ativos encalhados, distribuir de forma justa os custos de encerramento ou leiloar, ao longo do tempo, o fechamento de instalações de produção de combustíveis fósseis”, diz um trecho do documento.

O anfitrião da próxima conferência para além dos combustíveis fósseis, já está definido: Tuvalu, país insular do Pacífico e um dos mais ameaçados pela elevação dos oceanos provocada pelas mudanças climáticas. O encontro será copresidido pela Irlanda.

Até lá, o Observatório do Clima reitera que o encontro em Santa Marta, embora tenha terminado com forte alinhamento entre países, terá como prova final de êxito o desenho de mapas do caminho nacionais. “Países que compareceram ao encontro precisam demonstrar compromisso ao entregar seus roteiros. O Brasil, lembrado em Santa Marta como iniciador da discussão sobre roadmaps, tem pecado nesse sentido, com o atraso de quase três meses na entrega das diretrizes para o próprio mapa.”

A conferência de Santa Marta e seus desdobramentos foram noticiados também por g1, Valor, Amazônia Vox, O Globo, UOL e Folha.

  • Em tempo: No dia seguinte ao fim da conferência de Santa Marta, o presidente designado da COP31 pela Turquia afirmou que a transição energética será um tema central na cúpula do clima, em novembro, mas que simplesmente dizer às nações para eliminarem os combustíveis fósseis “não é realista”, destaca a Folha. Ao ser pressionado sobre se as palavras “combustíveis fósseis” poderiam constar de uma decisão final da COP31, Kurum disse: “Não se trata de colocar algumas palavras em um texto.”

  • combustíveis fósseis
  • Conferência de Santa Marta
  • transição energética

Continue lendo

Em foco

Desenvolvimento Verde

Aprenda mais sobre

About Author

Ian Mello

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *