Incêndios florestais, secas e tempestades assolam Europa mesmo com recuo da onda de calor – ClimaInfo
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Ondas de calor sucessivas causaram escassez de água, danos às plantações, incêndios florestais e milhares de mortes a mais do que o normal.
19 de julho de 2026

Resumo
A onda de calor que atingiu a Europa Ocidental no início da semana passada tem sido menos intensa do que a anterior, ocorrida no fim de junho. Mas as sucessivas ondas de calor neste 1º mês de verão no Hemisfério Norte, que muitos cientistas atribuem às mudanças climáticas, elevaram as temperaturas a níveis sem precedentes em grandes áreas do continente, causando escassez de água, danos às plantações, incêndios florestais e milhares de mortes a mais do que o normal, destaca a Reuters. E até mesmo chuvas extremas.
Embora temporais sejam típicos durante e após um período de calor extremo, as tempestades em países como França, Alemanha e Polônia foram particularmente severas, trazendo inundações, ventos fortes e chuvas intensas com grandes bolas de granizo, segundo o Guardian. No sudeste da França, pessoas relataram nas redes sociais terem visto pedras de granizo com diâmetros entre 5 cm e 7 cm na 4ª feira (15/7), nas cidades de Aubenas, Vals-les-Bains e Lalevade-d’Ardèche, e as ruas ficaram cobertas por uma camada visível delas. O granizo danificou para-brisas de veículos e vários edifícios, além de vinhedos.
Além disso, chuvas torrenciais e ventos fortes causaram inundações localizadas na França – onde duas pessoas morreram em decorrência dos temporais, segundo o Euronews – e na Polônia. Na cidade de Wrocław, no sudoeste polonês, estradas e trilhos de bonde foram fechados devido às enchentes, e os ventos derrubaram árvores sobre os cabos dos bondes. Os moradores foram aconselhados a permanecer em casa e se preparar para possíveis cortes de energia.
Já a Espanha e o Reino Unido ardem em chamas. Um incêndio florestal de Cinco Villas, em Zaragoza, no nordeste espanhol, já consumiu 12 mil hectares e obrigou à evacuação de seis aldeias. Guadalajara e Madrid combatem outros dois incêndios florestais, e mais de 2 mil pessoas receberam ordens para permanecerem em suas casas, informa o Euronews. O fogo avança no território da Espanha em meio a calor extremo, ventos fortes e baixa umidade.
Algumas áreas do Reino Unido também sofrem com a seca. Na área central da Inglaterra não houve qualquer precipitação mensurável registrada durante 15 dias – o período de seca mais longo desde junho de 1996, destaca a BBC. É onde está Manchester, onde bombeiros e voluntários tentavam apagar um incêndio há mais de uma semana, segundo a BBC. Helicópteros lançavam água sobre a terra ressecada, e colunas de fumaça se espalharam pela região.
Na Escócia, um incêndio florestal em Cairngorms continuava a arder na 6ª feira (17/7), afetando uma área de cerca de 10 km2 no parque nacional escocês, informa o Independent. As chamas começaram no meio da semana passada, e imagens da BBC mostram sua propagação pelas montanhas. Mais de 50 bombeiros e nove viaturas foram mobilizados para conter as chamas e impedir sua propagação.
Enquanto isso, a contabilidade dos mortos no continente europeu continua subindo, informa o phys.org. Pelo menos 12 mil mortes em excesso foram registradas em nove países do continentes durante a onda de calor de junho, segundo estatísticas nacionais. Um número que pode aumentar à medida que mais dados forem divulgados.
Em tempo: O Serviço de Monitoramento da Atmosfera Copernicus (CAMS) está rastreando as densas colunas de fumaça originadas de um número crescente de grandes incêndios florestais no Canadá desde o final de junho. A fumaça causou grave degradação da qualidade do ar desde a região dos Grandes Lagos até a costa leste e o Atlântico Norte. Milhões de pessoas foram expostas a níveis perigosos de qualidade do ar, às vezes duas vezes maiores que o índice considerado perigoso, destaca o Copernicus. Grandes colunas de fumaça foram observadas atingindo o Ártico, ao norte, e também sendo transportadas até o Oceano Atlântico.
A fumaça dos incêndios no Canadá ameaçava a Copa do Mundo de Futebol. Em Nova York e no estado vizinho de Nova Jersey, palco da final do torneio em um estádio aberto, a região metropolitana apresentava uma qualidade do ar que poderia ser prejudicial à saúde de grupos sensíveis, segundo a France24. Ainda assim, a condição era melhor do que na 5ª feira (16/7), quando uma névoa tóxica tornou o horizonte de Manhattan quase invisível.
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