Incêndios florestais e ondas de calor ameaçam qualidade do ar, alerta OMM – ClimaInfo
8 de setembro de 2026

Resumo
A intensificação de incêndios florestais e de ondas de calor no mundo está criando novas ameaças à qualidade do ar, com impactos negativos na saúde humana e no clima global. Um relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) alerta que regiões que tiveram queda da poluição atmosférica por carros movidos a combustíveis fósseis e instalações industriais estão enfrentando problemas com a maior presença de poluentes como material particulado (PM2,5) decorrentes de incêndios florestais. Ao mesmo tempo, as altas temperaturas estão elevando os níveis de ozônio na troposfera.
O Boletim Anual de Qualidade do Ar e Clima da OMM se baseia em dados da rede Global Atmosphere Watch e foi divulgado na 2ª feira (7/9), Dia Internacional do Ar Limpo para Céus Azuis. Além de abordar os impactos negativos dos aerossóis, incluindo partículas em suspensão, e do ozônio na superfície sobre a saúde humana, o documento também destaca a necessidade de aprimorar as observações atmosféricas de poluentes como partículas finas e ozônio troposférico, bem como de aerossóis como carbono negro e microplásticos, que não são monitorados adequadamente, apesar de serem disseminados e prejudiciais aos ecossistemas.
Um dos referenciais de poluição atmosférica é a presença de material particulado (PM2,5), emitido por atividades industriais, agrícolas, de transporte e de aquecimento residencial, além de incêndios florestais e tempestades de poeira. Essas partículas representam um risco à saúde, pois podem penetrar profundamente nos pulmões e na corrente sanguínea.
Segundo a análise, as concentrações de PM2,5 estiveram acima da média de longo prazo em 2025 no norte do Canadá, em parte da Rússia e na região centro-ocidental da África, além do noroeste da Espanha. Em todas essas regiões, o aumento da concentração de material particulado decorreu de incêndios florestais mais frequentes. Por outro lado, os níveis de PM2,5 permaneceram abaixo da média de longo prazo na China, o que reflete uma redução nas emissões provenientes de atividades humanas.
O relatório destacou que a intensificação dos incêndios florestais está elevando as concentrações de PM2,5 na Europa e na América do Norte, apesar da redução observada nas últimas décadas na emissão dessas partículas provenientes de carros a combustão e de atividades industriais. Um dos estudos citados pela OMM indica que eventos extremos de fumaça de incêndios triplicaram globalmente desde a década de 1990, contribuindo para um número estimado de quase 100 mil mortes adicionais por ano entre 2010 e 2018.
Já a poluição por ozônio ao nível do solo, intensificada pelas ondas de calor, afeta a saúde humana, a agricultura e os ecossistemas, e a exposição prolongada está associada a um aumento da mortalidade, principalmente por doenças respiratórias. Em regiões com altos níveis de concentração de ozônio, uma em cada cinco mortes por doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é atribuída à exposição prolongada ao poluente.
“O ozônio é um oxidante muito potente. Quando chega aos pulmões, oxida o tecido pulmonar, causando inflamação e problemas circulatórios, e eventualmente problemas cardíacos”, explicou Lorenzo Labrador, da rede de cientistas Global Atmosphere Watch, ao Guardian.
Outra preocupação são as partículas de aerossóis, que podem percorrer grandes distâncias. Elas podem alterar a forma como a atmosfera reflete a luz solar, modificar as propriedades químicas dos solos e das águas e contaminar o meio ambiente. Um exemplo é o carbono negro, ou fuligem, que, quando depositado sobre a neve ou o gelo, reduz a quantidade de luz solar refletida por essas superfícies e, por sua vez, contribui para o aquecimento do planeta.
Outro exemplo são os microplásticos. Uma estimativa de simulação para o relatório indicou que existem 51 milhões de toneladas desse material em terra e outros 22 milhões de toneladas nos oceanos – que, por sua vez, também são fonte de microplásticos para a atmosfera. O relatório assinala que há grandes variações nas estimativas devido ao monitoramento contínuo insuficiente.
“Com o aumento contínuo da produção de plástico e, principalmente, do descarte inadequado de resíduos plásticos, o monitoramento das vias atmosféricas de deposição de microplásticos em ambientes remotos será crucial para a compreensão de seus impactos gerais no sistema terrestre”, destacou o documento.
Os principais pontos do relatório da OMM também foram abordados por AFP, Euronews, Phys e Reuters.
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