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September 9, 2026
Clima

Combater poluição e crise climática pode elevar PIB global em quase 3% até 2035 – ClimaInfo

  • Setembro 9, 2026
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Combater poluição e crise climática pode elevar PIB global em quase 3% até 2035 – ClimaInfo
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Investimentos no combate à crise do clima custariam menos da metade do gasto atual com subsídios aos combustíveis fósseis, mostra PNUMA.

8 de setembro de 2026

solar e eólica
frimufilms/Freepik

Resumo

  • Retorno econômico expressivo da ação climática: um novo relatório do PNUMA estima que cada dólar investido em ação climática e combate à poluição do ar pode gerar cerca de US$ 15 em benefícios econômicos, com potencial de elevar o PIB global em 2,8% até 2035, chegando a 4,5% em 2050 e 11,4% em 2100, com taxa interna de retorno de 60%.
  • Medidas para combater a poluição atmosférica e a crise climática: o relatório reúne 25 ações em seis setores (energia, indústria, transportes, agricultura, aquecimento/cozinha residencial e resíduos) que poderiam evitar 144 milhões de mortes prematuras até 2050, cortar pela metade as emissões de CO2, reduzir as emissões de metano em 60% e as de outros poluentes em 70%, além de evitar até 1,4°C de aquecimento até 2100.
  • Custo baixo frente aos benefícios: o investimento necessário representaria apenas 0,7% do PIB na próxima década – menos da metade do que hoje é gasto com subsídios a combustíveis fósseis -, mas cada ano de atraso custaria mais de US$ 1,5 trilhão em benefícios perdidos.
  • Nos últimos anos, com o fortalecimento político da extrema-direita e seu negacionismo climático, voltou à baila o questionamento sobre os impactos econômicos do enfrentamento da mudança do clima. De forma cínica, políticos e agentes do tal “mercado” criticam a ação climática por seus supostos “custos” econômicos, o que ganha certo apelo em um contexto de aumento do custo de vida. Que, pasmem, vem sendo puxado principalmente pela alta dos preços dos combustíveis fósseis e de produtos hoje fortemente dependentes da cadeia produtiva de óleo e gás, como os fertilizantes.

    Por isso, um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) recoloca esse debate em termos mais realistas — com estimativas mais claras dos custos e benefícios econômicos da ação climática. A conclusão é positiva: cada dólar investido em soluções contra o aquecimento global e a poluição do ar pode gerar cerca de US$ 15 em benefícios econômicos e melhorias na qualidade de vida.

    Segundo a análise, o combate às mudanças climáticas e à poluição atmosférica tem potencial para aumentar o PIB global em 2,8% até 2035. Se a implantação das soluções contra a crise do clima iniciar já, os ganhos podem ser ainda maiores: 4,5% em 2050 e 11,4% em 2100, com uma taxa interna de retorno de 60%. O que significa que os benefícios de mercado, por si só, superariam os custos de implementação em apenas 10 anos.

    O documento sintetiza 25 medidas que abordam os desafios climáticos e de qualidade do ar de forma integrada. As ações abrangem seis setores: sistemas de energia e combustíveis fósseis; indústria; transportes; agricultura e sistemas alimentares; aquecimento e cozinha residenciais; e gestão de resíduos. O pacote combina medidas de descarbonização a longo prazo com ações que miram poluentes mais graves, como metano, carbono negro e hidrofluorocarbonos (HFCs).

    As propostas incluem energia renovável e eficiência energética; aumento de soluções limpas para cozinhar e aquecer; padrões mais rigorosos de emissões e de eficiência de veículos; veículos elétricos e combustíveis marítimos com baixo teor de enxofre, entre outros.

    Ainda segundo o relatório, a implementação completa das 25 medidas poderia prevenir, até 2050, cumulativamente 144 milhões de mortes prematuras relacionadas à poluição do ar, incluindo 96 milhões apenas devido à poluição atmosférica. Ao mesmo tempo, também reduziriam as emissões globais de dióxido de carbono pela metade até 2050, além de cortar as emissões de metano em 60% e de poluentes como carbono negro, dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio, em 70%. Em termos de aquecimento, as ações permitiriam evitar um aumento de aproximadamente 0,34oC da temperatura média global até 2050 e de 1,4oC até 2100.

    Os investimentos em ação climática custariam 0,7% do PIB na próxima década (e cerca de 0,5% até o final do século). Para efeito de comparação, isso representa menos da metade dos 2,18% do PIB global desperdiçados hoje com subsídios aos combustíveis fósseis em 2022 e menos de um décimo dos 9,3% gastos com saúde em 2023.

    Mas a celeridade da ação é crucial para que esses benefícios sejam de fato aproveitados, destaca o documento. Cada ano de atraso representaria uma perda de mais de US$ 1,5 trilhão (R$ 7,6 trilhões) – 0,5% do PIB global – em benefícios combinados de mercado e de não mercado (que têm valor para as pessoas e para a sociedade).

    “Por muito tempo, tratamos a ação climática como um custo a ser gerenciado e a poluição do ar como o resultado infeliz do desenvolvimento. Este relatório mostra o contrário: o ar limpo é um fator essencial para o desenvolvimento, a saúde, a segurança alimentar e energética e a estabilidade do clima — um ativo no qual devemos investir”, afirmou Inger Andersen, diretora executiva do PNUMA.

    Business Green, Euronews, Financial Times, Folha e Forbes repercutiram os principais pontos do relatório.

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