Crime organizado e desmatamento na Amazônia seguem rastro do garimpo ilegal – ClimaInfo
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Exploração ilegal de ouro na Amazônia por grupos criminosos espalha violência em comunidades locais e indígenas.
8 de setembro de 2026

Resumo
A intensificação da presença e da atuação do crime organizado na Amazônia é um problema que vem se agravando. Grilagem, desmatamento e garimpo passaram a ser vistos por grupos criminosos como oportunidades de novos ganhos, às custas da floresta e de seus Povos, aproveitando a falta de fiscalização do Estado e as deficiências estruturais da segurança pública no país. Assim, cada vez mais os crimes ambientais se conectam a outras atividades criminosas, como o tráfico de drogas, armas e pessoas na região.
Neste contexto, o garimpo passou a ser uma das práticas mais visadas por grupos criminosos na Amazônia. Impulsionadas pelos altos preços do metal no mercado internacional, pela fiscalização falha dos estados e da União e pela informalidade predominante, facções passaram a se envolver nessa atividade, disputando territórios entre si e atacando as populações locais, especialmente os Povos Indígenas.
A Exame destaca uma análise do think tank International Institute for Strategic Studies (IISS) que mostra como a extração ilegal de ouro na Amazônia deixou de ser apenas um problema ambiental e passou a representar também uma ameaça à segurança, à saúde pública e até mesmo à soberania territorial do Brasil. Segundo o levantamento, há uma convergência entre garimpo, tráfico de pessoas e de drogas, trabalho forçado, exploração sexual, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de mercúrio e de armas, com a emergência de grupos de “narcogarimpo”.
O estudo aponta que cerca de 34% do ouro produzido no Brasil entre 2021 e 2022 teve origem irregular. Em 2022, cerca de 77% das áreas de garimpo apresentavam sinais de ilegalidade, inclusive em territórios protegidos, como Unidades de Conservação e Terras Indígenas. A intensificação da atividade também se refletiu em um aumento do desmatamento nas áreas sob influência do garimpo.
Os grupos criminosos envolvidos no garimpo não controlam necessariamente a extração do ouro, mas dominam a logística necessária para viabilizar essa atividade e o escoamento da produção. Além de facções criminosas de presídios brasileiros, grupos internacionais do crime organizado também atuam na Amazônia brasileira e disputam rotas, cadeias de abastecimento e mercados associados à mineração ilegal.
O fortalecimento da fiscalização ambiental na atual gestão do presidente Lula, a partir de 2023, e a implementação de medidas de rastreabilidade do ouro permitiram que o montante de ouro de origem irregular caísse, entre 2022 e 2025, para cerca de 8% do total. Isso depois do pico no final do governo do ex-presidente (e atual presidiário) Jair Bolsonaro.
No entanto, o estudo ressalta um obstáculo que pode dificultar o enfrentamento do garimpo ilegal: o poder político que os grupos de “narcogarimpo” estão construindo nos estados amazônicos. Isso já é sentido no Congresso com a aprovação de projetos que desmontam o licenciamento ambiental, enfraquecem a fiscalização e permitem atividades como a mineração em Territórios Indígenas.
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Em tempo 1: O Globo cruzou dados sobre autuações do IBAMA desde 2019 e revelou um aumento de quase 450% nas menções a garimpo entre o primeiro ano da gestão Bolsonaro (2019) e o terceiro de Lula (2025). Nos últimos sete anos, 1.336 autos de infração mencionaram atividades de garimpo, a maior parte em 2024, com a aparição desse crime em 350 autos. Entre o último ano do governo Bolsonaro (2022) e o primeiro do atual mandato de Lula (2023), as autuações relacionadas ao garimpo mais do que dobraram, passando de 129 para 283. Especialistas relacionam essa alta à retomada da fiscalização após a omissão do (des)governo Bolsonaro na área ambiental, além de refletir o aumento da atividade garimpeira na antiga gestão.
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Em tempo 2: O Ministério Público Federal (MPF) cobrou da ByteDance Brasil Tecnologia Ltda., responsável pela gestão do TikTok no Brasil, a implementação de medidas para encerrar o comércio ilegal e a publicidade de mercúrio metálico voltado ao garimpo ilegal na rede social. Um levantamento do MPF identificou três perfis relacionados à oferta de mercúrio, com conteúdos em português, inglês e espanhol, com quase 110 publicações e mais de 5,8 milhões de visualizações. Além da exclusão dos perfis e da remoção do conteúdo no Tiktok, o MPF também recomendou a exclusão da possibilidade de pesquisas sobre a compra ilegal de mercúrio e o aprimoramento de mecanismos de identificação e bloqueio de anúncios do metal, informam CNN Brasil, g1, O Globo e Poder360.
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