Famílias cobram conclusão de investigações sobre homicídios no Tocantins
O jovem era apaixonado por futebol e jogou em times do estado e do Brasil. A irmã, Esmeralda Cardoso, comentou que Henrique era um rapaz trabalhador e alegrava o ambiente por onde passava. “Ele gostava muito de sorrir, era muito alegre”, disse.
Ninguém foi preso pelo crime e a família alega que não sabe como estão as investigações. A suspeita é de que ele foi atingido por engano.
“Tudo que eu sei é porque realmente eu fui atrás em outras fontes, porque a delegada responsável pelo caso não passa informação. A gente entra em contato, tenta uma resposta e simplesmente ela não passa nenhum tipo de informação”, reclamou Esmeralda.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP-TO) afirma que o inquérito do caso foi concluído e os investigados tiveram a prisão preventiva decretada, mas estão foragidos. Afirmou também que são feitas buscas para localizar os suspeitos (veja nota completa abaixo)
Baixo efetivo atrapalha investigações
O número de homicídios de 2025, 155 casos, é um pouco maior do que o registrado no mesmo período de 2024, que teve 150 registros.
Dados da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil apontam que, no Tocantins, a resolutividade dos inquéritos de homicídios em 2024 foi de 54,3%, um pouco menor do que em 2023, que foi de 56,8%.
Segundo o Sindicato dos Delegados de Polícia do Tocantins (Sindepol), o baixo efetivo da Polícia Civil compromete o andamento das investigações.
“Nós temos um efetivo bastante reduzido, que tem sido impactado em razão do último concurso da Polícia Civil ter sido realizado no ano de 2014 e ano após ano, uma grande quantidade de aposentadorias, tem feito com que, em razão desse baixo efetivo, a gente não tenha conseguido lograr êxito e concluir todos esses inquéritos”, explicou o delegado e presidente do Sindepol, Gregory Almeida.
Os dados da SSP-TO, porém, apontam para uma situação diferente. A taxa de inquéritos de homicídio solucionados no Tocantins, segundo a polícia, seria de 88% em 2024. Neste ano, a SSP-TO diz ter instaurado 135 inquéritos de homicídios (um inquérito pode investigar mais de uma morte), sendo que 25 foram finalizados com autoria conhecida.
O número é considerado positivo pela gestão, mas a pasta reconhece a necessidade de mais policiais.
“Apesar da grande defasagem em que a gente se encontra de policiais, há 11 anos sem concurso público, mesmo assim o trabalho aguerrido dos policiais tem trazido esse resultado. As equipes se encontram trabalhando bem, com o mínimo possível em cada uma dessas delegacias”, diz o delegado e diretor de polícia do interior, Elírio Putton.
Sobre a cobrança das famílias por informações, a Secretaria afirma que isso diz respeito ao sigilo nas investigações.
“O fato de o investigador passar para o familiar ou para qualquer pessoa os atos que estão correndo dentro deste inquérito fragiliza a efetividade e contribui para que não ocorra o resultado desejado”, completou o delegado.
O Ministério Público recebe os inquéritos finalizados, mas também acompanha as investigações. A atuação do órgão contribui para o andamento dos inquéritos e para a taxa de solução de homicídios.
“As pessoas procuram o Ministério Público para uma orientação, e o Ministério Público pode atuar dentro do inquérito, requisitando determinando que sejam ouvidas testemunhas”, afirmou o promotor João Edson de Souza, coordenador do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do MPTO.
Henrique Cardoso de Souza, de 20 anos, foi assassinado em Tocantínia — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Integra da nota da Secretaria de Segurança Pública
A Secretaria da Segurança Pública do Tocantins informa que a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar a morte de Henrique Cardoso de Souza, ocorrida em abril deste ano. Durante a investigação, diversas testemunhas foram ouvidas e diligências foram realizadas.
Com base nas provas colhidas, a autoridade policial representou pela prisão preventiva dos investigados, cujos mandados foram expedidos. No entanto, até o momento, os suspeitos não foram localizados e permanecem foragidos.
Diante disso, o inquérito foi concluído com o indiciamento dos investigados, que responderão ao processo na Justiça. A Polícia Civil do Tocantins reforça seu compromisso com a elucidação dos crimes e informa que as diligências continuam sendo realizadas para localizar os suspeitos.







