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November 3, 2026
Clima

Poluição de incêndios florestais matou mais de 3,5 mil pessoas na Indonésia em setembro – ClimaInfo

  • Novembro 3, 2026
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Poluição de incêndios florestais matou mais de 3,5 mil pessoas na Indonésia em setembro – ClimaInfo
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Óbitos associados à fumaça dos incêndios florestais dobraram entre agosto e setembro; mais de 57 milhões de pessoas respiraram ar insalubre ou perigoso.

3 de novembro de 2026

indonésia incêndios florestais
Joanne Francis / Unsplash

Resumo

  • Mortes por exposição a PM2,5: a fumaça dos incêndios florestais na Indonésia causou mais de 3,5 mil mortes em setembro (mais que o dobro de agosto), além de 1,75 mil mortes por poluição urbana crônica. No pior momento do mês, 57,8 milhões de pessoas respiraram ar insalubre ou perigoso, e as partículas finas (PM2,5) atingiram níveis sem precedentes no país.
  • Causas e regiões mais afetadas: o El Niño agravou o calor e a seca, e o uso de fogo para limpeza de pastagens (karhutla) em Kalimantan e Sumatra a piora. Em Kalimantan, a média de PM2,5 dobrou de 57 para 120 µg/m³, e em setembro a exposição nacional superou em mais de sete vezes o limite anual da OMS. A fumaça respondeu por 94% a 99% das mortes por poluição em quatro províncias da ilha.
  • Resposta das autoridades: em Palangka Raya, Bornéu, ônibus equipados com cilindros de oxigênio e profissionais de saúde oferecem sessões de cinco a dez minutos a moradores com dificuldades respiratórias, sobretudo pessoas com doenças cardiorrespiratórias e outros grupos vulneráveis.
  • Um novo estudo revela o impacto dos incêndios florestais que assolam boa parte da Indonésia na saúde das pessoas. Segundo a análise, a fumaça tóxica liberada pelas florestas incendiadas causou mais de 3,5 mil mortes em setembro, e outras 1,75 mil pessoas morreram em decorrência da poluição urbana crônica. Nesse período, quase 58 milhões de pessoas respiraram ar cuja qualidade oscilava entre insalubre e perigoso.

    A análise do Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA) calculou o número de óbitos provocados pela exposição à poluição por partículas finas (PM2,5). Quando essas partículas são inaladas, elas penetram no pulmão e na corrente sanguínea, permanecendo no corpo por meses.

    A situação é particularmente preocupante na região de Kalimantan, na ilha de Bornéu. A fumaça tóxica dos incêndios foi responsável por 94% a 99% das mortes relacionadas à poluição do ar em quatro províncias da região e por mais de 80% em várias províncias da ilha de Sumatra.

    A intensificação do fogo em setembro está diretamente relacionada ao “Super El Niño”, que potencializou as condições mais quentes e secas que favorecem a disseminação das chamas na vegetação. O aumento nos incêndios florestais e em áreas de pastagem elevou os níveis de partículas PM2,5 a níveis sem precedentes na Indonésia. Por isso, o número de mortes relacionadas ao fogo registrado em setembro é mais que o dobro das estimativas para agosto.

    Com mais focos de incêndio, os níveis de qualidade de ar no país asiático pioraram consideravelmente no mês retrasado. No pior momento de setembro, segundo a análise, 57,8 milhões de pessoas respiraram ar considerado insalubre ou perigoso, uma alta de 40% em relação ao pico da poluição em agosto. Enquanto isso, cerca de 34,5 milhões de indonésios respiraram ar poluído diariamente em setembro, um aumento de quase 60% em comparação com agosto.

    A média nacional ponderada de PM2,5 pela população indonésia aumentou de 29 microgramas por metro cúbico (µg/m³) em agosto para 36 µg/m³ em setembro. Essa rápida deterioração da qualidade do ar foi catalisada pelo uso crescente do fogo para limpeza de pastagens (também conhecido como karhutla) em Kalimantan e Sumatra.

    A média de PM2,5 em Kalimantan, de 57 µg/m³ em agosto, dobrou para 120 µg/m³ em setembro, enquanto a média em Sumatra subiu de 37 µg/m³ para 51 µg/m³ no mesmo período. Em setembro, os níveis de exposição ultrapassaram o limite anual de PM2,5 da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 5 µg/m³, em mais de sete vezes em todo o país, dez vezes em Sumatra e 24 vezes em Kalimantan.

    O impacto da fumaça dos incêndios florestais na Indonésia tem sido tamanho que as autoridades do país estão recorrendo a ônibus equipados com cilindros de oxigênio e profissionais de saúde para atender moradores com dificuldades respiratórias em Palangka Raya, Bornéu. O serviço oferece sessões de oxigênio de cinco a dez minutos, atendendo especialmente a pessoas com doenças cardiorrespiratórias e outros grupos vulneráveis, detalha O Globo.

    AFP, Al Jazeera, Folha, O Globo e Nikkei repercutiram o estudo sobre os impactos dos incêndios florestais na saúde pública da Indonésia.

    • Em tempo: A intensificação dos incêndios florestais ao redor do mundo nos últimos meses deve puxar as emissões globais de gases de efeito estufa para cima em 2026. Como o Gizmodo destaca, somente na Indonésia, o fogo resultou na liberação de cerca de 190 milhões de toneladas de dióxido de carbono, equivalente a três quartos das emissões anuais de CO₂ do país provenientes da queima de combustíveis fósseis. Impulsionadas pelo “Super El Niño”, as chamas também foram intensas no Hemisfério Norte durante o verão, especialmente na Europa Ocidental e na Sibéria. Já na Amazônia brasileira, os incêndios causaram uma crise de saúde pública em Manaus e outras cidades no Amazonas, catalisados por condições mais secas do que o normal.

    • incêndios florestais
    • Indonésia
    • poluição do ar

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