“Super El Niño” segue ganhando força e deve elevar temperaturas na maior parte do planeta – ClimaInfo
O “Super El Niño” continua ganhando intensidade no Pacífico tropical central, com a expectativa de que as temperaturas da superfície do mar na região aumentem para níveis recordes durante outubro, novembro e dezembro. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), a perspectiva é de que o fenômeno siga ganhando força até o final do ano e persista até fevereiro de 2027, sendo um dos mais fortes já registrados desde pelo menos 1950.
“O El Niño continuará a se intensificar antes de atingir seu pico previsto para dezembro. É provável que traga temperaturas acima da média para grande parte do globo e altere os padrões de precipitação, aumentando o risco de secas e inundações em diferentes regiões”, assinala a OMM em sua atualização mensal.
As temperaturas da superfície do mar no Pacífico equatorial centro-oriental, região central do El Niño (medidas pelo índice Niño 3.4), aumentaram significativamente nos últimos meses, passando de uma média de +1,6oC acima do normal em junho para +2,5oC em agosto. Para o último trimestre do ano, a anomalia sazonal deverá atingir +3,7oC, com pico em dezembro. Esse é o valor mais alto desde o início das observações e supera o recorde anterior de +2,6oC registrado entre novembro de 2015 e janeiro de 2016.
A OMM prevê uma “probabilidade extremamente alta” de temperaturas acima da média (1993-2009) em grande parte do planeta, com ondas de calor mais frequentes e intensas. Mudanças significativas nos padrões de chuva também são esperadas, com precipitações mais intensas no Chifre da África, em partes da Ásia Central e da costa leste asiática, no norte da Península Arábica, em partes da América do Norte e no sudeste da América do Sul. Já a seca será mais intensa no subcontinente indiano, no sul da América Central e em partes do Caribe e no noroeste da América Central. No caso do Brasil, o risco de mais calor é previsto para praticamente todo o país, com exceção da região Sul, onde a previsão é de chuvas mais intensas.
“O El Niño não adiciona calor novo ao planeta. Ele libera o calor que o oceano já vem armazenando abaixo da superfície — e é por isso que um evento forte muitas vezes resulta em um dos anos mais quentes já registrados, como foi o caso de 2024. O oceano de onde ele está extraindo calor é o mais quente que já medimos. Simplesmente há mais calor disponível para ser liberado”, explicou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM.
As novas projeções da OMM para o “Super El Niño” foram repercutidas por Agência Brasil, CNN Brasil, Correio Braziliense, Estadão, g1, O Globo, SBT e UOL, além de AFP e Reuters.








