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August 18, 2026
Clima

STF autoriza mineração em território do Povo Cinta-Larga – ClimaInfo

  • Agosto 17, 2026
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STF autoriza mineração em território do Povo Cinta-Larga – ClimaInfo
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Corte referenda decisão do relator do caso, Flávio Dino, que também estabelece prazo de até dois anos para Congresso regulamentar atividade.

16 de agosto de 2026

stf mineração território cinta larga
Rosinei Coutinho/SCO/STF

Resumo

  • STF autoriza mineração em terras Cinta Larga: a Corte referendou liminar de Flávio Dino que autoriza mineração no território do Povo Cinta Larga, decisão provisória, mas que abre caminho para outras Terras Indígenas. O STF deu até dois anos para o Congresso legislar sobre exploração mineral em TIs.
  • Decisão prevê consulta indígena e restrições ambientais: no caso dos Cinta Larga, cooperativas indígenas terão prioridade na exploração, com garantia de 50% da compensação financeira caso não exerçam esse direito. A exploração fica restrita a 1% da área do território, exigindo estudos de impacto ambiental e cessação do garimpo ilegal pelo governo federal.
  • Garimpo já afeta saúde do Povo Cinta Larga: relatório do DSEI Vilhena aponta 133 casos de malária em 2026 e forte alta de doenças crônicas desde 2000 –  diabetes saltou de 2 para 107 casos (+5.250%) e hipertensão de 4 para 131 (+3.175%), entre 1.600 indígenas de 59 aldeias.
  • Após reconhecer e ao mesmo tempo implodir a Moratória da Soja, o Supremo Tribunal Federal (STF) tomou outra decisão que afeta a agenda climática e ambiental. A Corte referendou liminar do ministro Flávio Dino autorizando a mineração em terras do Povo Cinta Larga. A decisão é provisória e se refere apenas ao Mandado de Injunção 7.516, apresentado pela Coordenação das Organizações Indígenas do Povo Cinta Larga (PATJAMAAJ). Mas “abre a porteira” para a atividade em outras TIs.

    Isso porque o STF ainda deu prazo de até dois anos para que o Congresso Nacional edite lei sobre exploração mineral em Terras Indígenas, informam Folha e Brasil de Fato. Segundo a Corte, há omissão da União e do Congresso em regulamentar o artigo 231 da Constituição, que diz que o aproveitamento dos recursos hídricos, a pesquisa e a lavra de minerais em TIs só podem ser efetivados com autorização do Congresso. Para o STF, a omissão legislativa só será superada com aprovação e publicação da norma, destaca o Jota.

    Quanto à mineração no território dos Cinta Larga, a Corte determinou que os indígenas devem ser consultados e as cooperativas indígenas terão prioridade na atividade, mesmo que garimpeiros já tenham começado a exploração. Caso os indígenas não exerçam seu direito de prioridade, será aplicada a seu favor a condição de proprietários do solo. Assim, fica assegurado direito à participação de 50% do valor total devido a estados, municípios e União a título de compensação financeira pela exploração de recursos minerais.

    A decisão do STF também prevê a necessidade de estudos de impacto ambiental, e a exploração fica restrita a 1% da área dos Cinta Larga. Ficou estabelecido também que o governo federal providencie a cessação de qualquer atividade de garimpo ilegal no território.

    Os Cinta Larga estavam divididos quanto à regulamentação da mineração em suas terras. O pedido da PATJAMAAJ vai na direção contrária ao posicionamento de outras organizações indígenas, como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). E nas vésperas do julgamento, um relatório do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Vilhena, obtido com exclusividade pela Agência Pública, revelou o impacto da exploração mineral no território, localizado entre Rondônia e Mato Grosso.

    O documento registra 133 casos de malária em 2026 e mostra que diabetes e hipertensão cresceram dezenas de vezes desde 2000. No período, os casos de diabetes entre os Cinta Larga saltaram de 2 para 107 , enquanto os registros de hipertensão passaram de 4 para 131. A escalada incide sobre uma população de mais 1600 indígenas, distribuídos em 59 aldeias nas Terras Indígenas Roosevelt, Parque do Aripuanã e Serra Morena e Aripuanã. Ou seja, 7% dos Cinta Larga pegaram malária, e 8% ficaram hipertensos. Os registros aparecem tanto em aldeias quanto em áreas identificadas como garimpos, entre elas Ouro Preto, Laje Roosevelt, Flor do Prado e Madalena.

    Uma indígena Cinta Larga, ouvida sob condição de anonimato, afirma que a repetição de casos de malária já pode ser observada entre crianças e adolescentes. “Onde tem malária, a gente sabe que tem garimpo. Você chega no território e já está cheio de casos. Então, já não se consegue trabalhar com a prevenção, apenas com o tratamento da doença”, explica.

    Revista Fórum, Valor, Vero Notícias, g1, Conjur e Rádio Itatiaia também repercutiram a decisão do STF sobre mineração em Terras Indígenas.

    Em tempo 1: Os julgamentos no STF envolvendo Povos Indígenas revelam a mesma lógica: fazer a proteção dos territórios depender de atos que o Estado demorou ou deixou de praticar, apontam Dinamam Tuxá, coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), e Ricardo Terena e Ingrid Martins, coordenadores jurídicos da entidade. “O Supremo tem a oportunidade de afirmar que a demora estatal não pode reduzir Direitos, à luz da Constituição que lhe cabe guardar e dos compromissos climáticos assumidos pelo Brasil perante o mundo”, destacam n’O Globo.

    Em tempo 2: Uma carta conjunta de 34 entidades religiosas de diferentes tradições de fé foi enviada ao STF fazendo um apelo ético, moral e espiritual para que a Corte continue protegendo a Constituição, os direitos dos Povos Indígenas, o direito dos brasileiros a um meio ambiente ecologicamente equilibrado e os instrumentos capazes de impedir que a destruição ambiental de hoje se transforme nas tragédias humanas de amanhã, informa O Globo. As entidades destacam a “Pauta Verde” da corte neste mês, que inclui o julgamento do marco temporal e da Lei da Devastação. “Há momentos em que defender a vida exige coragem. Este é um desses momentos”, conclui o documento. Se o STF for avaliado por suas decisões sobre a Moratória da Soja e a mineração em Terras Indígenas, temas também integrantes da “Pauta Verde”, a coragem exigida na preservação da vida passou longe.

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