Seca pode liberar carbono do solo e agravar mudanças climáticas – ClimaInfo
Um experimento de 12 anos conduzido em Oklahoma, nos Estados Unidos, mostra que microrganismos do solo desempenham um papel decisivo na liberação ou retenção de carbono. A conclusão do estudo, publicado na revista Nature Climate Change, é muito preocupante: a seca amplifica a perda de carbono do solo, induzida pelo aquecimento.
Cientistas monitoraram 48 parcelas de pastagem sob diferentes cenários de temperatura e umidade. Em parte das áreas, a temperatura foi elevada em 3°C, enquanto outras foram submetidas a simulações de seca ou aumento de chuvas, permitindo observar como o solo reagia a condições climáticas extremas, explica O Globo.
Os resultados apontam uma diferença significativa no comportamento do carbono. Em ambientes mais quentes e úmidos, o solo chegou a ganhar 7% de carbono. Já sob calor combinado com seca, houve perda de 12%, incluindo frações consideradas antigas e estáveis – antes vistas como pouco suscetíveis à liberação.
Segundo os pesquisadores, a explicação está na atividade microbiana. Em períodos secos, esses organismos aumentam o metabolismo e passam a consumir reservas mais profundas de carbono para sobreviver, acelerando sua liberação na forma de dióxido de carbono. Em condições úmidas o processo se inverte: os microrganismos priorizam o crescimento, ajudando a manter o carbono armazenado.
Essas respostas ajudam a entender como as mudanças climáticas podem ser intensificadas por mecanismos ainda pouco considerados nos modelos climáticos. Por isso o estudo alerta que mudanças na umidade do solo podem ser determinantes para o futuro equilíbrio do carbono no planeta – e, por consequência, para a velocidade do aquecimento global.









