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April 18, 2026
Estado Tocantins

Sargento preso em operação é investigado por uso de documentos falsos para compra de armas de fogo, diz decisão

  • Abril 4, 2024
  • 6 min read
Sargento preso em operação é investigado por uso de documentos falsos para compra de armas de fogo, diz decisão

O militar e outras 13 pessoas foram alvos da operação Clandestinos, realizada nesta quarta-feira (3) pela Polícia Civil. Ele está preso no batalhão da PM em Araguaína.

Conforme o portal da transparência, o PM é concursado desde 2006 e recebe R$ 10.667,73. Nas redes sociais, ele diz que é diretor de 18 clubes de tiros. A Polícia Militar informou que ele, “nos seus horários de folga, desenvolve atividades junto a empresas vinculadas à família, não sendo de conhecimento institucional seu vínculo como sócio-proprietário de nenhuma empresa”.

O advogado de defesa do sargento, Paulo Roberto, disse que aguarda a conclusão dos trabalhos da polícia para emitir um posicionamento. O g1 e a TV Anhanguera também tentam contato com a esposa dele.

Segundo as investigações, o casal utilizava esses documentos supostamente falsificados para pedir, junto à Polícia Federal, autorização para a aquisição de arma de fogo para terceiros, na condição de despachantes de clube de tiro.

Outra situação destacada pelos investigadores foi o registro de um boletim de ocorrência, feito pelo sargento, noticiando o furto de uma carabina calibre 22. Para a polícia, o registro levantou suspeita por ter sido feito cerca de um ano depois do suposto furto.

Sargento da PM, Joemil Miranda da Cunha, diz ser diretor de 18 clubes de tiros — Foto: Reprodução/Redes Sociais

A TV Anhanguera também apurou que o militar passou a responder a duas sindicâncias na corregedoria da Polícia Militar por negociações ilegais.

Segundo a PM, em uma sindicância é investigada uma suposta interferência em procedimento de flagrante de autoridade policial em Araguaína e está em fase final para aplicação da pena. Já a outra apura a conduta do militar por suposta comercialização de arma de fogo. Esse processo está em fase de recursos e cumprimento de pena.

A polícia ainda informou outros processos foram instaurados em desfavor do sargento, por condutas diversas, mas que não envolve arma de fogo. (Veja nota na íntegra abaixo)

A decisão que autorizou operação Clandestinos é assinada pelo juiz Antônio Dantas, de Araguaína.

Nela, o juiz diz que “é inegável a gravidade da conduta atribuída aos representados. Bem como a insegurança e temor gerados na sociedade com a manutenção do status de liberdade. Revela-se seguro dizer, portanto, que permitir que os representados continuem em liberdade significa necessariamente consentir que o mesmo concorra na prática de novos ilícitos penais”, justifica.

Operação Clandestinos

As investigações começaram em outubro de 2023, após um dos investigados registrar boletim de ocorrência pela internet sobre o furto de duas armas e munições. A Polícia Civil (PC) descobriu que não houve roubo e que a pessoa registrou o caso de forma falsa. Na realidade, as armas teriam sido vendidas no comércio ilegal.

Arsenal foi apreendido pela Polícia Civil — Foto: PC/Divulgação

Depois desse episódio, as equipes policiais conseguiram identificar mais registros de armas furtadas, que na verdade entraram no esquema de venda ilegal. O mesmo investigado também teria registrado outro boletim em 2022 por causa de uma arma roubada.

Ao investigar o celular do suspeito, a polícia descobriu que a arma supostamente roubada, na verdade, teria sido negociada por R$ 4 mil. Também foram identificados outros investigados que teriam feito negociações irregulares.

A polícia não informou qual era o papel do sargento no suposto esquema. Já a PM disse que foram adotadas medidas preliminares para apuração interna do caso. (Veja nota completa abaixo)

Dentre os 14 investigados também estão entre os investigados um empresário e um agente administrativo do sistema penal. A Secretaria de Cidadania e Justiça, responsável pelo sistema prisional, não se manifestou sobre o assunto.

Durante a operação houve ainda o cumprimento de mandados de busca e apreensão em vários endereços, incluindo clubes de tiros da cidade.

O que diz a PM sobre as sindicâncias?

A Polícia Militar do Tocantins informa que o sargento Joemil Miranda da Cunha já estava sendo acompanhado pela instituição, por meio da Corregedoria, em razão de responder procedimentos administrativos disciplinares em seu desfavor. Dos procedimentos instaurados constam, sobre arma de fogo:

  • Portaria 090 – nº 132/2022 – suposta interferência em procedimento de flagrante de autoridade policial em Araguaína, cujo resultado final está em fase de aplicação da pena;
  • Portaria 088/2022 – nº 131/2022 – apurar conduta do militar por suposta comercialização de arma de fogo, cujo resultado está para fase de recursos e cumprimento de pena.

Outros procedimentos também foram instaurados em desfavor do policial militar, por condutas diversas, mas não envolvendo arma de fogo. Assim, a Polícia Militar do Tocantins reforça que sempre esteve em atuação diligente, por meio da Corregedoria, para garantir a transparência e a integridade na instituição, buscando por meio do devido processo legal, a manutenção da hierarquia e disciplina militar, pilares da Polícia Militar do Tocantins.

Por fim, a instituição permanece prestando total apoio e informações necessárias para a Polícia Civil, bem como reafirma à sociedade seu compromisso com a legalidade e imparcialidade, bem como reitera não coadunar com posturas incompatíveis com a nobre função pública.

O que diz a PM sobre a Operação?

A Polícia Militar do Estado do Tocantins informa que foi acionada para acompanhar, durante a manhã desta quarta-feira, 3, por meio da Corregedoria do 2º BPM, as diligências da Operação Clandestino, realizada pela Polícia Civil. Um policial militar, de 36 anos, foi alvo de busca e apreensão. O objeto da ação envolve a comercialização de armas e munições por clubes de tiro e sócios.

A Polícia Militar já adotou as medidas preliminares para apuração interna e está acompanhando o caso. Por fim, reafirma à sociedade seu compromisso com a legalidade e imparcialidade, no exercício de sua nobre função pública.

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