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July 28, 2026
Estado Tocantins

Quem é tenente que trabalhou como doméstica antes de entrar para PM | G1

  • Julho 28, 2026
  • 3 min read
Quem é tenente que trabalhou como doméstica antes de entrar para PM | G1

A servidora é natural de Almas, está casada há 12 anos e tem uma filha de um ano. Sua história tem inspirado pessoas que buscam estabilidade financeira e melhor qualidade de vida no trabalho.

“Muitas pessoas ligaram e mandaram mensagem parabenizando pela questão de inspirar outras pessoas, bem como minha história ser a história delas também. Vi bastante repercussão e é muito gratificante poder inspirar. É muito gratificante poder, de alguma forma, impulsionar outras pessoas”, contou.

Luzinete Bispo Araújo trabalhou como doméstica por mais de uma décadas antes de ingressar na corporação — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal de Lusinete Bispo

Lusinete começou a trabalhar como babá aos 12 anos. Com 17, se mudou sozinha para Brasília, onde prestou serviços como doméstica por seis anos.

Durante o dia, Lusinete enfrentava a rotina exaustiva da limpeza e, à noite, se dedicava aos estudos para concluir o ensino fundamental e médio. Quando voltou para o Tocantins, passou a frequentar cursinhos nos finais de semana.

Em 2001, foi aprovada no concurso e, em abril de 2026, conquistou o posto de 1ª tenente. Segundo a militar, a persistência pode ser uma forte aliada na realização de mudanças.

“Diria que nunca desista de buscar seus objetivos e aproveite todas as oportunidades que a vida nos dá, sem passar por cima dos outros”.

Estrutura social

Lusinete deixou o trabalho doméstico depois que passou no concurso. Parte do período em que trabalhou como doméstica, ela chegou a morar na casa de empregadores. Essa, inclusive, é a realidade de muitas mulheres que atuam nesta profissão.

Segundo o Governo Federal, 5,6 milhões de pessoas atuam no trabalho doméstico remunerado, sendo que 92% da categoria são compostos por mulheres. Entre as trabalhadoras, 68% são negras. O rendimento médio entre as mulheres negras é de R$ 1.274, enquanto entre as mulheres não negras é de R$ 1.463.

Segundo a socióloga Solange Nascimento, essa é uma realidade histórica e social do Brasil, que ainda guarda raízes do período escravagista.

“As mulheres negras eram aquelas que trabalhavam nas casas, que faziam todo esse processo de socialização das crianças e do cuidado da casa, e isso se reproduz até hoje. Atualmente, nós temos políticas públicas de acesso e permanência nas universidades para mulheres negras, indígenas e quilombolas, e essas políticas possibilitam que haja uma mobilidade social”, explicou.

A socióloga ainda destacou que mecanismos como as cotas no serviço público e as políticas de permanência nas universidades têm possibilitado a mobilidade social de mulheres negras e indígenas no Brasil. “Nós também temos as vagas destinadas às cotas no serviço público. Então, existem canais que têm sido criados para possibilitar que haja uma mobilidade social”, concluiu a especialista.

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