PC apura esquema de corrupção em prefeituras e câmaras de vereadores | G1
Entre os investigados estão quatro prefeitos em exercício e um ex-prefeito. Também são investigados vereadores que presidem câmaras municipais, advogados que atuam ou atuaram como procuradores municipais, contadores, empresários, secretários e servidores municipais e pessoas suspeitas de participação em lavagem de dinheiro.
Ao todo, mais de 100 policiais civis cumprem 70 mandados de busca e apreensão relacionados a 41 alvos em Araguaína, Palmas, Ananás, Arapoema, Darcinópolis, Pau D’Arco, Pedro Afonso, Nova Olinda, Palmeirante, Colinas do Tocantins e Figueirópolis.
As buscas são realizadas em sedes de cinco prefeituras e cinco câmaras municipais, escritórios de advocacia, empresas e residências dos investigados. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) não informou quais municípios e gestores são investigados. Por isso, o g1 não conseguiu contato com as defesas dos alvos.
Polícia Civil cumpre mandados em Prefeitura Municipal de Darcinópolis — Foto: Divulgação
Como funcionava o esquema
As investigações começaram em 2024, após a identificação de suspeitas de irregularidades em contratações públicas nos municípios de Nova Olinda e Darcinópolis. No decorrer das apurações, a Polícia Civil concluiu que o grupo teria expandido sua atuação para outras cidades tocantinenses.
A organização criminosa seria formada por dois núcleos principais: um ligado a sócios de um escritório de contabilidade e outro a um casal proprietário de empresas que atuavam com sistemas, digitalização e gestão de documentos.
De acordo com a investigação, contratos de serviços contábeis realizados sem licitação eram usados para aproximar o grupo das administrações municipais.
Após estabelecer vínculos com os órgãos públicos, os suspeitos passariam a direcionar novas contratações para empresas ligadas ao esquema, em áreas como engenharia, digitalização de documentos e locação de veículos.
A investigação apontou possíveis pagamentos de vantagens indevidas a agentes políticos, secretários, vereadores, servidores públicos e procuradores municipais em troca do favorecimento das empresas investigadas.
Conforme a análise financeira realizada pela polícia, empresas de contabilidade receberam mais de R$ 10,3 milhões entre 2021 e 2025, com recursos provenientes, principalmente, de prefeituras, câmaras municipais e fundos públicos. Desse total, mais de R$ 4 milhões teriam sido repassados como propina.
Também há suspeita de possíveis pagamentos de vantagens indevidas a agentes políticos, secretários, vereadores, servidores públicos e procuradores municipais em troca do favorecimento das empresas investigadas.
Além dos mandados de busca, o Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) autorizou a quebra do sigilo bancário dos investigados e determinou a suspensão de todos os contratos públicos vigentes mantidos com órgãos estaduais por 14 pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo investigado. A decisão também proíbe a celebração de novos contratos com a administração pública.
O TJTO impôs medidas cautelares a cinco investigados. Entre as restrições estão a proibição de contato entre eles e com agentes públicos investigados, o impedimento de frequentar as prefeituras e câmaras municipais envolvidas e a vedação à prestação de serviços em contratações públicas no estado.









