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September 23, 2026
Clima

Países mais pobres serão os últimos a se beneficiar com emissões globais zero – ClimaInfo

  • Setembro 23, 2026
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Países mais pobres serão os últimos a se beneficiar com emissões globais zero – ClimaInfo

Não é novidade que a crise climática é sentida de forma diferente em países ricos e pobres. Os maiores impactos costumam ocorrer em regiões cujas comunidades pouco ou nada contribuíram para o problema. Em compensação, quem mais emitiu gases de efeito estufa sofre proporcionalmente menos com as mudanças climáticas do que as regiões mais pobres e vulneráveis.

Uma nova pesquisa revela que essa desigualdade climática também poderá ser sentida em um cenário de descarbonização da economia global. Segundo a análise, publicada na revista Environmental Research Letters, as áreas tropicais do mundo, que concentram a maior parte dos países pobres, estarão entre as últimas a sentir os benefícios caso as emissões globais de carbono sejam reduzidas a zero.

O estudo, conduzido por pesquisadores da Austrália, analisou três conjuntos de experimentos de modelagem computacional das prováveis mudanças de temperatura caso as emissões globais atingissem zero líquido (net-zero) e sobrepôs os resultados ao Produto Interno Bruto (PIB) dos países. A análise mostra que os benefícios da descarbonização poderiam ser sentidos nas áreas tropicais muitas décadas depois de outras regiões mais ao norte ou ao sul do globo, mais ricas.

“Se seguirmos um caminho próximo ao net-zero, a desigualdade que vemos no aquecimento atual persistirá indefinidamente. Os países mais ricos, que mais contribuíram para o problema, não são os mais afetados, mesmo após o net-zero. As regiões que não causaram o problema são as que mais sofrem com ele”, afirmou Andrew King, pesquisador da Universidade de Melbourne e um dos autores do estudo, ao Guardian.

De acordo com King, o destino das regiões mais pobres do planeta, que tendem a se concentrar mais perto da linha do Equador, dependerá da quantidade de gases de efeito estufa emitida antes do mundo atingir net-zero. “Mesmo se atingirmos emissões líquidas zero, ainda teremos emitido uma quantidade enorme de carbono na atmosfera, e seus efeitos persistirão por séculos. Não podemos desfazer facilmente todo esse dano”, pontuou.

A pesquisa indica que a chave para minimizar os impactos das mudanças climáticas nos países pobres após a descarbonização está no quão rapidamente o mundo conseguirá zerar suas emissões líquidas neste século. “Atingir net-zero mais cedo significa que teremos menor probabilidade de sofrer os efeitos do aquecimento global de longo prazo após essa meta. Precisamos atingir emissões líquidas zero mais cedo para limitar essa desigualdade”, disse o pesquisador.

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Ian Mello

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