NotíciasAqui a notícia corre
September 23, 2026
Clima

IEA: tecnologias economicamente vantajosas viabilizam meta de eletrificação da COP31 – ClimaInfo

  • Setembro 23, 2026
  • 6 min read
IEA: tecnologias economicamente vantajosas viabilizam meta de eletrificação da COP31 – ClimaInfo

22 de setembro de 2026

eletrificação
iea.org

Resumo

  • IEA vê meta de 35% de eletrificação ao alcance: a Turquia, copresidente da COP31 com a Austrália, apoiou a meta de eletrificar 35% da demanda global de energia até 2035, e um relatório da IEA, encomendado pela presidência da COP31 e divulgado em 22/9, conclui que a eletricidade poderia suprir de forma viável 33% do consumo final mundial até 2035, ante os 23% atuais.
  • Choque no petróleo torna eletrificação ainda mais atrativa: com os preços da energia elevados pela guerra entre EUA e Irã, a eletrificação torna-se ainda mais viável, segundo a IEA. Uma aceleração poderia reduzir em mais de US$ 400 bilhões as faturas de importação de energia até 2035 e cortar o consumo mundial de 18 milhões de barris de petróleo por dia, impulsionado pelos veículos elétricos.
  • Emissões de setores-chave poderiam cair 40%: transporte, construção civil e indústria respondem por mais da metade das emissões de CO₂ associadas à energia. Com eletrificação acelerada, essas emissões cairiam 40% até 2035, ritmo alinhado às metas climáticas e suficiente para colocar as emissões totais de CO₂ energéticas em trajetória de queda, independentemente da matriz elétrica.
  • Nas reuniões da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) em Bonn (SB64), a Turquia — que copresidirá a COP31 com a Austrália — anunciou seu apoio à meta de eletrificar 35% da demanda global por energia até 2035. Para verificar as possibilidades de atingir esse fim, a presidência da conferência do clima deste ano encomendou um estudo à Agência Internacional de Energia (IEA), que foi divulgado na 3ª feira (22/9). O relatório serviu de base para as discussões no Diálogo de Alto Nível sobre Transição Energética da IEA-COP31, realizado ontem em Nova York, no contexto da Assembleia Geral da ONU.

    Com base nas tecnologias disponíveis atualmente e nos preços da energia observados antes do início do atual choque de oferta de petróleo e gás fóssil, causado pela guerra entre os Estados Unidos e o Irã, o relatório conclui que a eletricidade poderia suprir, de forma economicamente viável, 33% do consumo final de energia mundial até 2035, ante os 23% atuais. Isso colocaria a meta de 35% ao alcance, diz o estudo.

    Considerando os preços da energia nos níveis atuais, em meio à quase permanente restrição do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, a eletrificação do consumo energético mundial torna-se ainda mais viável, reforça a IEA. Assim, acelerar a expansão da eletricidade abriria novas oportunidades para os países fortalecerem sua segurança energética, impulsionarem a competitividade e reduzirem suas emissões, frisa a agência.

    Em um cenário em que as nações importadoras de combustíveis fósseis acelerem consideravelmente a eletrificação de suas economias, suas faturas de importação de energia poderão diminuir em mais de US$ 400 bilhões (R$ 2 trilhões) até 2035, em comparação com os níveis de 2025. Nessa linha, uma eletrificação mais rápida poderá significar que o mundo consumirá 18 milhões de barris de petróleo por dia a menos, principalmente devido à rápida adoção de veículos elétricos.

    O volume de barris de petróleo evitado equivale a 17% do consumo atual, na faixa de 105 milhões de barris diários, mas em queda devido à guerra no Golfo Pérsico. Deixar de queimar esse petróleo evitará a emissão de quase 3 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO2e), mais do que as atuais emissões brasileiras.

    A eletrificação ainda é uma oportunidade para combater as emissões dos setores de transportes, construção civil e indústria, que, juntos, representam mais da metade de todas as emissões de CO₂ relacionadas à energia. Com a eletrificação acelerada, as emissões de CO₂ desses três setores cairiam 40% até 2035, em uma taxa de declínio alinhada às metas climáticas internacionais, destaca o relatório. Uma queda suficiente para colocar as emissões totais de CO₂ relacionadas à energia em trajetória descendente.

    • Em tempo 1: Enquanto IEA e a presidência turca da COP31 apresentavam o relatório sobre eletrificação em Nova York, sob a Assembleia Geral da ONU e a Semana do Clima, o copresidente da conferência do clima, o australiano Chris Bowen, ministro das Mudanças Climáticas e Energia de seu país, preferiu ficar mais perto de casa. Bowen partiu em visita oficial à Arábia Saudita — um dos maiores produtores mundiais de combustíveis fósseis e conhecido por bloquear avanços da transição energética em COPs — informa um comunicado divulgado por seu ministério. A viagem também inclui uma parada na Índia, onde o copresidente da COP31 visitará a refinaria de Jamnagar, em Gujarat, a maior planta de refino de óleo cru do mundo. Que saudades da presidência da COP30.

    • Em tempo 2: A produção global de biocombustíveis deverá aumentar em quase 70% até 2030 em relação aos níveis de 2025, à medida que os países avançam na mistura com combustíveis fósseis em resposta à crise energética desencadeada pela guerra entre os EUA e o Irã. É o que mostra um estudo do think tank Chatham House e do grupo de certificação Forest Stewardship Council (FSC), divulgado na 3ª feira (22/9). O estudo estima que, se todas as medidas propostas pelos países forem totalmente implementadas, a área necessária para a produção de matérias-primas destinadas a biocombustíveis poderá mais do que duplicar até 2030, em comparação com os níveis de 2023. Isso exigiria 36 milhões de hectares adicionais, uma área do tamanho da Alemanha, informa a Reuters. Algo a ser considerado, devido ao temor de competição com a produção de alimentos e ao estímulo ao desmatamento de florestas nativas.

    • Agência Internacional de Energia (IEA)
    • COP31
    • eletrificação
    • transição energética

    Continue lendo

    Em foco

    Além do 1,5ºC

    Aprenda mais sobre

    About Author

    Ian Mello

    Leave a Reply

    O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *