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August 2, 2026
Clima

Organização Meteorológica Mundial prevê intensificação de El Niño a partir de agosto – ClimaInfo

  • Agosto 2, 2026
  • 5 min read
Organização Meteorológica Mundial prevê intensificação de El Niño a partir de agosto – ClimaInfo

2 de agosto de 2026

seca
linaberlin/Pixabay

Resumo

  • El Niño forte e efeitos climáticos globais: a OMM projeta que o El Niño ganhe força entre agosto e outubro, com anomalias de temperatura do mar acima de 2,9°C em áreas-chave, somando-se a um Dipolo do Oceano Índico positivo e ao aquecimento do Atlântico tropical. Juntos, esses fenômenos devem intensificar secas, inundações e riscos de incêndios, especialmente na bacia do Índico, enquanto grande parte das áreas terrestres do planeta enfrenta probabilidade “esmagadora” de temperaturas acima da média, incluindo África, sul da Europa, sul da Ásia, América Central e boa parte da América do Sul.
  • Alertas de autoridades e cientistas: O secretário-geral da ONU, António Guterres, associou o fenômeno à queima de combustíveis fósseis, afirmando que isso agrava uma crise climática que já provoca ondas de calor, incêndios e tempestades extremas. 
  • Impactos específicos no Brasil: O país se prepara para os efeitos de um possível “Super El Niño”, com destaque para o risco de uma nova seca severa na Amazônia. Além disso, a redução da geração hidrelétrica no Norte, Centro-Oeste e Sudeste deve forçar o uso de termelétricas, com estimativa de alta média de 4,5% nas contas de luz por conta do acionamento de termelétricas e às consequentes bandeiras tarifárias.
  • A Organização Meteorológica Mundial (OMM) atualizou suas previsões para o El Niño, que deve começar a ganhar força a partir deste mês de agosto. As projeções indicam que as anomalias da temperatura média da superfície do mar deverão ultrapassar 2,9oC em regiões-chave de monitoramento, com reflexos na temperatura de superfície ao redor do mundo. 

    Segundo a OMM, o El Niño deve ganhar força entre agosto e outubro e não será o único fenômeno de aquecimento marítimo nos próximos meses. Prevê-se também um Dipolo do Oceano Índico positivo, um padrão climático no oeste daquele oceano, em que a região se torna mais quente em média, enquanto o leste do oceano se torna mais frio do que a média. 

    “Juntos, esses fatores oceânicos podem amplificar os impactos climáticos regionais, incluindo secas, inundações e riscos de incêndios florestais, particularmente na bacia do Oceano Índico. Espera-se também que as temperaturas da superfície do mar no Atlântico tropical permaneçam acima da média”, destacou a agência. 

    Para o secretário-geral da ONU, António Guterres, a intensificação do El Niño coloca mais combustível (fósseis) em um “planeta já em chamas”, tomado por ondas de calor, incêndios florestais e tempestades. “Os combustíveis fósseis estão atiçando as chamas desta crise. A expansão precisa parar. A menos que ajamos para proteger as pessoas e combater a causa principal da crise, os perigos se tornarão ainda mais mortais”, pontuou Guterres

    A combinação de mudanças climáticas e El Niño já está sendo sentida, como as altas temperaturas recordes na Europa evidenciam. “Estamos vendo o julho mais quente já registrado para essa região específica. Daqui a um ano, fará muito calor no hemisfério norte. E possivelmente teremos um verão como nunca vimos em nível global”, analisou Jeffrey Shaman, cientista climático da Universidade de Columbia (EUA), à Associated Press. 

    O calor deve ser a marca deste El Niño. As projeções da OMM indicam uma probabilidade “esmagadora” de temperaturas acima da média na maior parte das áreas terrestres. Os sinais mais fortes estendem-se pela África, sul da Europa, Península Arábica, subcontinente indiano, leste da Ásia, América Central, Caribe, sul da África, grande parte da América do Sul e Nova Zelândia. 

    Já a previsão de chuvas até outubro apresenta os padrões típicos de um El Niño clássico e intenso, com condições mais úmidas em toda a região do Chifre da África, em partes da América Central, no sul da Europa, no oeste da América do Norte, e no sudeste da América do Sul. Em compensação, condições mais secas poderão ser observadas no subcontinente indiano, no sul e leste da Austrália, no sul da América Central e em partes do Caribe, no noroeste da América do Sul, e no norte da Europa. AFP e Reuters também repercutiram essas informações. 

    No Brasil, os potenciais impactos do “Super El Niño” já estão tirando o sono de especialistas e de gestores públicos e privados. O Valor destacou a expectativa de mais uma forte seca na Amazônia, o que deve impactar o escoamento logístico pelos rios da região. No último El Niño, em 2023-24, a seca histórica interrompeu por completo o tráfego de grandes embarcações pelo rio Amazonas por meses, gerando custos adicionais e atrasos na entrega de mercadorias da Zona Franca de Manaus. 

    Outro reflexo do El Niño será sentido por todos os brasileiros em suas contas de energia elétrica. As condições mais secas no Norte, Centro-Oeste e Sudeste devem atingir em cheio a geração hidrelétrica, forçando o acionamento das usinas termelétricas e encarecendo as tarifas. Dados da Ampere Consultoria e da TR Soluções, citados pelo Valor, indicam que o acionamento das bandeiras tarifárias pode resultar em uma alta média de 4,5%. A Reuters também abordou como as empresas que administram hidrelétricas no Brasil estão se preparando para os próximos meses de seca e para níveis mais baixos de reservatórios.

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