OMM: 2025 foi um dos mais secos para os rios do planeta dos últimos 35 anos – ClimaInfo
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Armazenamento de água na superfície terrestre diminuiu nos últimos 10 anos, segundo análise da Organização Meteorológica Mundial.
21 de setembro de 2026

Resumo
Um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) indica um cenário preocupante para a segurança hídrica global. Segundo a análise, os rios do mundo registraram em 2025 um dos anos mais secos dos últimos 35 anos, com o ciclo da água cada vez mais errático e imprevisível, oscilando entre níveis muito baixos e muito altos. Os últimos sete anos registraram o menor número de rios com vazão considerada normal desde 1991.
Cerca de 36% das bacias hidrográficas do mundo apresentaram fluxos abaixo do normal em 2025, e 21% delas registraram fluxos acima ou muito acima do normal. Já o armazenamento de água terrestre — a quantidade total armazenada em águas subterrâneas, lagos e rios, umidade do solo, vegetação, gelo e neve — segue em trajetória de declínio iniciada em meados dos anos 2010.
A situação das águas subterrâneas é um ponto de atenção, segundo a OMM. Quase dois terços dos poços monitorados no mundo apresentaram níveis de água abaixo da média de longo prazo em 2025. O quadro é particularmente preocupante no Nordeste e no Centro-Oeste do Brasil, na Europa Central e Oriental, na região central dos EUA, em partes do México, no norte e no centro do Chile, no norte da África do Sul, no noroeste da Índia e em partes do sul da Austrália. Na outra ponta, os níveis de água subterrânea ficaram acima ou muito acima do normal em partes da França, do norte da Europa, do sudeste dos EUA, de grande parte da África do Sul, do sudeste da Ásia e do leste da Austrália.
As geleiras também experimentaram um 2025 de perdas generalizadas. Entre 2023 e 2025, as geleiras registraram perda acumulada de 1,4 mil gigatoneladas de água — equivalente à quantidade necessária para encher cerca de 560 milhões de piscinas olímpicas, ou um terço da captação anual de água doce.
A Ásia e a África, juntas, foram responsáveis por pelo menos metade de todos os eventos extremos relacionados à água e por mais de 80% das mortes associadas relatadas nos últimos cinco anos. Países africanos como a Nigéria e a República Democrática do Congo passaram por mais um ano de grandes inundações. Já no sul e no sudeste asiáticos, ciclones tropicais e monções intensas resultaram em mais de 3,6 mil mortes em países como Sri Lanka, Paquistão, Vietnã, Indonésia, Tailândia, Malásia e Filipinas.
“O armazenamento global de água terrestre tem apresentado uma tendência de queda desde 2014-16, um sinal persistente que já dura uma década. Pelo quarto ano consecutivo, todas as principais regiões glaciais da Terra perderam massa de gelo. As águas subterrâneas contam uma história semelhante: quase 2/3 dos poços monitorados em todo o mundo apresentaram condições fora da norma histórica em 2025, e o balanço se deslocou ainda mais para o déficit em comparação com 2024”, destacou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.
CNN, DW, Exame, Folha, Guardian, Le Monde e Reuters repercutiram a análise da OMM.
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