IEA: demanda por petróleo deverá cair 2,5 milhões de barris por dia em 2026 – ClimaInfo
21 de setembro de 2026

Resumo
A continuidade dos ataques dos Estados Unidos contra o Irã estanca o consumo global de petróleo. Mais uma vez, a Agência Internacional de Energia (IEA, sigla em inglês) aumentou sua projeção de queda da demanda pelo combustível fóssil neste ano, em uma proporção de mais de 50%.
Segundo o relatório Oil Market Report de setembro, a redução da demanda por petróleo em 2026 em relação ao ano passado deverá atingir 2,5 milhões de barris por dia (bpd). Em agosto, a agência projetava uma queda de 1,6 milhão de bpd – uma diferença de 900 mil barris diários.
A IEA já não prevê a reabertura do Estreito de Ormuz para este ano, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo. Com isso, a agência alerta que tanto este ano como 2027 serão “um período perdido” para o crescimento da procura global de petróleo, destaca o Financial Times.
As perdas na demanda se concentrarão em destilados médios de petróleo, como óleo diesel e querosene de aviação (QAV), e matérias-primas petroquímicas, especialmente na Ásia, explica a IEA. No ano que vem, a demanda por petróleo deverá se recuperar em 2,6 milhões de bpd, compensando parcialmente as perdas de 2026.
A agência também elevou sua projeção para a queda da oferta de óleo cru. Se em agosto a previsão era de que a oferta global cairia 4,3 milhões de barris diários em 2026, neste mês a IEA projeta uma queda de 5,7 milhões de bpd, para 100,7 milhões de bpd neste ano (ante 110,3 milhões de bpd projetados em agosto).
Com menos consumo de petróleo, era de se esperar um alívio nas emissões de gases de efeito estufa — o que, de fato, deve acontecer. Segundo uma análise do Carbon Brief, as emissões globais de combustíveis fósseis deverão cair cerca de 0,5% em 2026. Ainda que a expectativa seja de aumento da demanda por carvão neste ano, essas emissões adicionais deverão ser mais do que compensadas pela queda das emissões de petróleo e gás.
A crise no mercado de petróleo e gás também está impulsionando o mercado de energia renovável em todo o mundo. Até agora, mais de 30 governos implementaram políticas para abandonar os combustíveis fósseis ou melhorar a eficiência energética. No entanto, especialistas ouvidos pela AP ressaltam que o mundo ainda depende fortemente de combustíveis fósseis e que levará mais tempo para que essas políticas mostrem resultados no combate às mudanças climáticas.
“Os governos estão atualmente em um jogo de gato e rato, tentando conciliar o reconhecimento da importância da energia limpa com o apoio contínuo à expansão dos combustíveis fósseis”, disse Pauline Heinrichs, professora de estudos de guerra do King’s College London. “Estamos vendo um mundo antigo e um novo interagindo em contradição um com o outro.”
CNBC, Reuters e Bloomberg também repercutiram as novas projeções da IEA.
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Em tempo: Pela primeira vez desde o início da guerra entre EUA e Irã, no fim de fevereiro, o JP Morgan deixou de usar um cenário-base para o mercado de petróleo. Em um relatório publicado no fim da semana passada, os estrategistas de commodities do banco fazem uma admissão reveladora sobre o grau de incerteza que cerca o conflito, segundo o Valor: “simplesmente não sabemos como modelar o desfecho”. Com base nas condições atuais de oferta e demanda, o JP Morgan estima um preço de US$ 90 por barril para setembro, mas o Brent estava sendo negociado a US$ 106 na semana passada, tendo chegado perto de US$ 110 por barril.
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