Morte de jovem inocente dentro de presídio completa 2 anos sem conclusão de inquérito:
A morte de Briner ganhou repercussão nacional por ele ter passado um ano preso e ser inocentado apenas quando já estava em péssimas condições de saúde dentro da unidade prisional.
O Ministério Público Estadual foi questionado sobre a situação e não deu posicionamento até a publicação desta reportagem. Sobre o inquérito sem conclusão, a Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP) informou, em nota, que o caso continua em andamento devido à complexidade da situação. (Veja nota na íntegra no fim da reportagem)
Passados dois anos e após a ‘poeira baixar’, quem lida diariamente com a dor e a necessidade de ter que seguir em frente é a família de Briner.
Élida Pereira da Cruz Dutra, mãe de Briner, conversou com o g1 e relatou como têm sido esse período sem o filho. Também falou sobre o quanto é dolorosa a espera da conclusão do inquérito policial e de ter que ver o arquivamento de sindicância contra os servidores que trabalhavam no presídio e que, segundo ela, não prestaram socorro ao filho enquanto ele passava mal.
“A gente sente muita falta, muita saudade. A dor da injustiça é muito grande. Acordar todas as manhãs, às vezes à noite, antes de dormir, e se lembrar do seu filho, saber que ele sofreu. Eu pensando hoje que nós jamais imaginaríamos que o próximo velório ia ser o dele, ainda mais em um caso de injustiça”, lamentou a mãe.
Mãe de Briner se acorrentou no pilar de uma secretaria durante protesto em 2023 — Foto: Aurora Fernandes/TV Anhanguera
Mesmo tendo a consciência de não deu tempo de provar a inocência de Briner antes de sua morte, Élida acreditava que o filho poderia ter uma vida normal após sair da prisão, mesmo considerando esta uma experiência traumática.
“Depois de passar um tempo lá ninguém sai tão bem, mas ia seguir a vida dele. Trabalhar, seguir a vida dele, ter os sonhos dele. Ele tinha sonho de montar uma loja. E aí eu fico pensando que não tivemos nada disso, né? Por quê que essa maldade é tão grande no ser humano?”, refletiu, já que acredita que o filho morreu sem nenhum apoio dos servidores da unidade.

Briner de César Bitencourt postava vídeos de humor em rede social
Para enfrentar os dias sem a presença de Briner, Élida disse faz tratamento psicológico. Mas a dor de perder um filho vai acompanhá-la ‘até o último suspiro’, conforme expressou ao falar do luto sem fim.
“Seguir minha vida entre aspas, faltando um pedaço, porque a gente perde um filho, a gente perde um pedaço da gente também. Eu considero assim, um pedaço de mim morreu naquele dia […] Tendo que suportar tudo isso, respirar fundo e seguir toda estraçalhada, toda quebrada. E seguir, isso que é o mais doloroso, sabe”. afirmou.
No dia em que completa dois anos da morte do filho, Élida e a família devem visitar o túmulo de Briner nesta quinta-feira.
Imagens mostram Briner na companhia de sua mãe — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Defesa quer conclusão
A advogada da família de Briner, Lívia Machado, afirmou que a defesa não teve acesso à investigação e segue aguardando um desfecho. “Mesmo já tendo esse lapso temporal de dois anos, infelizmente ainda não se conseguiu concluir essas investigações. O inquérito policial encontra-se em sigilo e a defesa não tem acesso a quais produções de provas já foram realizadas e quais diligências ainda faltam concluir para poder, enfim, se encerrar”, explicou.
Como a família de Briner também entrou com um pedido na justiça de indenização do Estado, já que o jovem estava sob responsabilidade do Sistema Prisional quando passou mal e morreu, o processo segue em andamento.
“Por conseguinte, o juiz determinou que as outras partes apresentassem contestação e essas defesas já foram apresentadas. Nesse momento a gente aguarda o juiz marcar um audiência de instrução e julgamento para se produzir as provas em audiência, as provas testemunhais”, informou a advogada.
Socorro a Briner levou pelo menos 30 minutos entre alerta dos detentos e chegada de policiais penais, segundo imagens — Foto: Reprodução
Relembre
Na prisão ele passou a sentir dores pelo corpo e segundo a Seciju, o quadro de saúde piorou na noite de domingo, dia 9 de outubro, para segunda-feira, dia 10. Ele foi levado para uma UPA da capital, mas não resistiu.
A sentença que determinou a inocência do jovem saiu no dia 7 de outubro, mas ele estava na unidade penal porque ainda não tinha um alvará de soltura. O documento só saiu no dia 10 de outubro, mas Briner já estava morto.
O Tribunal de Justiça foi questionado sobre o atraso na liberação do alvará de soltura e por nota informou que o processo obedeceu ao trâmite normal, ‘sem qualquer evento capaz de macular ou atrasar o andamento do feito’. Depois da repercussão do caso, o Tribunal de Justiça Tocantins assumiu que houve falha no processo.

Veja imagens do dia que Briner foi atendido dentro de presídio de Palmas
O que diz a SSP
A Secretaria da Segurança Pública do Tocantins informa que o inquérito relacionado ao caso em questão continua em andamento. Devido à complexidade da situação, a investigação requer uma análise detalhada de diversos elementos para a elucidação das circunstâncias do fato. Vale ressaltar que as autoridades estão empenhadas em esclarecer todos os aspectos envolvidos, garantindo que o inquérito seja concluído o mais breve possível. Mais informações serão repassadas em momento oportuno.









