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January 24, 2026
Estado Tocantins

Marido relembra morte da esposa e filho em parto e pede justiça:

  • Novembro 6, 2024
  • 6 min read
Marido relembra morte da esposa e filho em parto e pede justiça:

O marido acredita que houve negligência e espera que a situação não se repita com outras famílias.

“A gente quer só justiça, justiça pra não acontecer com outra família. A gente não deseja isso a ninguém. Somos humanos”, contou em entrevista à TV Anhanguera.

João Pedro Bassorici em entrevista à TV Anhanguera — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

As mortes estão sendo investigadas pela Polícia Civil. Depois deste caso, o hospital foi vistoriado pelo Ministério Público e Conselho Regional de Medicina no Tocantins.

A Secretaria Estadual de Saúde afirma que abriu um chamamento para contratação de especialistas em ginecologia e obstetrícia e as maternidades estaduais foram equipadas com a entrega de reanimadores pulmonares, incubadoras, berços aquecidos, e outros equipamentos (veja nota completa abaixo).

No dia seguinte, a técnica de enfermagem voltou à unidade com dores com sangramento. Foi feito o parto, mas o bebê teria nascido sem vida, segundo a Secretaria Estadual de Saúde.

Segundo João, no dia do ocorrido os médicos chegaram a fazer reanimação no bebê e Karle seria encaminhada para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas faleceu antes.

“Eu já vi que não estava normal com o bebê. Eu fiquei conversando com ela [esposa] e escutando os médicos atrás fazendo a reanimação nele [bebê]. Aí eles me chamaram para dar a notícia de que o bebê não resistiu. Um tempo eles saíram e falaram que a gente precisava encaminhar ela [esposa] para a UTI. A gente conseguiu rápido. A UTI chegou para buscar ela, entrou e ficaram lá. Daí logo em seguida a UTI saiu e não saiu com ela. Eu já fiquei preocupado, vi não estava nada certo. Até que os médicos saíram e nos chamaram para dar a notícia ruim, que havia ido a óbito”, contou.

Publicação de João Pedro Pereira Miranda Bassorici sobre a gestação de Karle — Foto: Reprodução/redes sociais

O defensor público, Arthur Pádua, explicou que havia uma ordem judicial para que o Estado resolvesse os problemas no Dona Regina até o dia 30 de setembro. Para ele, a situação é uma violação os direitos humanos.

“E o estado não cumpre decisão judicial aqui. E isso está em fase de execução de sentença, já houve decisão, sentença e tudo mais. Na ação civil pública que corre na Vara de Saúde, também, lá atrás foi feito um acordo. O Estado sabe que o hospital não tem estrutura, que precisa construir uma maternidade. E aí está fazendo um projeto a longo prazo, mas e a curto prazo? Realmente é uma violação aos direitos humanos gravíssima. E agora vamos estar sem escala. O que o governo pode fazer? Ele tem ferramentas. Ele contrata de urgência, requisita algum serviço”, explicou.

Karle Cristina Vieira estava grávida de 39 semanas. Ela e o bebê morreram no Hospital e Maternidade Dona Regina. — Foto: Arquivo Pessoal

Vistorias no Dona Regina

O Conselho Regional de Medicina foi ao Dona Regina e vistoriou o local. Em publicação nas redes sociais, conselheiros explicaram que a questão salarial não é mais o grande problema, e sim a falta de estrutura adequada e volume de trabalho para poucos profissionais nas escalas.

“Este é um problema sério. Isso coloca em risco a segurança da população tocantinense. E a gente tem que olhar com muita atenção considerando até se há possibilidade de ser manter o hospital funcionando ou não. A questão salarial hoje já não é mais a preponderante. Todos são enfáticos em dizer que a condição de trabalho estrutural, a insalubridade do local do hospital Dona Regina hoje, a alta complexidade dos casos e o volume tornam aqui o trabalho extremamente penoso quando a escala está reduzida”, disse o Dr. Eduardo Pinto Gomes, conselheiro do CRM-Tocantins.

O Ministério Público também fez vistoria e solicitou cópias de prontuários médicos e outros documentos. A diretoria do hospital tem 15 dias para enviar as informações solicitadas.

O MP pediu informações sobre o número de profissionais de saúde na maternidade, que possuem especialidades de obstetrícia e pediatria, a escala de plantonistas e o número mensal de atendimentos, detalhando os partos realizados.

Íntegra da nota da Secretaria de Estado da Saúde

A Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) informa que tem tomado medidas estratégicas para fortalecer a rede de cuidado materno-infantil no Tocantins, com foco principal nas unidades hospitalares estaduais que realizam partos, em especial o Hospital e Maternidade Dona Regina Siqueira Campos (HMDR), que responde pelo cuidado de alta complexidade.

Entre as ações, a SES-TO destaca a abertura de chamamento para contratação de especialistas em ginecologia e obstetrícia e pediatria para todas as maternidades estaduais; estabelecimento de indenização para profissionais de saúde que atuam em plantões extraordinários nas unidades hospitalares, com o objetivo garantir a imediata recomposição de escalas de serviço de profissionais de saúde; a instituição de Indenização por Procedimentos Obstétricos, com valores específicos para o Hospital e Maternidade Dona Regina e a ampliação do número de contratos de Registro de Qualificação de Especialidade (DQE).

Além disso, todas as maternidades estaduais foram equipadas com a entrega de reanimadores pulmonares, incubadoras, berços aquecidos, equipamentos de fototerapia, Babys Puffs e monitores multiparamétricos.

A Pasta pontua que concluiu a ⁠revitalização do pronto-socorro e do Serviço de Atenção às Vítimas de Violência Sexual (SAVIS) do Hospital e Maternidade Dona Regina Siqueira Campos, para proporcionar mais bem-estar e humanização no acolhimento das famílias.

Sobre a assistência ao esposo da paciente Karle Cristina Vieira, a SES-TO lamenta profundamente o ocorrido e esclarece que desde o primeiro momento houve apoio da equipe de psicologia e orientação do Serviço Social, que seguem à disposição da família.

Quanto às apurações, a SES-TO enfatiza que aguarda o laudo do Instituto Médico Legal (IML), do Comitê de Verificação, bem como as Comissões de Revisão de Óbito e de Prontuários que já trabalham internamente. O caso foi encaminhado para o Conselho Regional de Medicina (CRM) para verificação das condutas dos profissionais que atenderam a paciente. Qualquer juízo prévio antes do esclarecimento formal do caso pelos órgãos competentes, tanto em relação à equipe quanto em relação ao atendimento prestado, constitui mera especulação.

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