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September 29, 2026
Clima

Influência da indústria petrolífera permitiu ataque de Trump às universidades dos EUA – ClimaInfo

  • Setembro 29, 2026
  • 3 min read
Influência da indústria petrolífera permitiu ataque de Trump às universidades dos EUA – ClimaInfo

O desmonte das políticas climáticas nos Estados Unidos sob o governo negacionista de Donald Trump também passa pelo enfraquecimento dos principais centros de pesquisa científica e das universidades do país, um processo facilitado por décadas de conexões entre essas instituições, as grandes petrolíferas e os grupos do lobby conservador. Essa é a conclusão de um novo estudo publicado por pesquisadores estadunidenses na revista Energy Research & Social Science.

Segundo os autores, a erosão da autonomia institucional nos EUA ao longo das últimas décadas tornou as universidades mais vulneráveis aos interesses corporativos, especialmente nas pesquisas sobre clima e energia. Com a volta de Trump à Casa Branca em janeiro de 2025, o governo não apenas deixou de financiar pesquisas nessas áreas, mas também atacou as instituições que mantinham projetos nelas, como parte de sua ofensiva contra temas “woke”.

Como resultado, o estudo indica uma queda substancial no chamado Índice de Liberdade Acadêmica, que mede a liberdade com que pesquisadores e universidades podem ensinar, pesquisar e expressar ideias sem interferência. Nos EUA, esse índice caiu de 3,3 em 2019 para 1,7 em 2025, em uma escala de 0 a 4. Sem apoio institucional e alvos de perseguição por parte do governo Trump, muitos pesquisadores climáticos acabaram saindo dos EUA para dar continuidade ao seu trabalho.

“Desde 2025, cientistas têm removido expressões como ‘mudança climática’ de seus pedidos de financiamento, porque essas palavras podem levar à rejeição da solicitação”, disse Noel Healy, da Universidade Estadual de Salem, principal autor do estudo, ao Guardian. “Algumas universidades encerraram programas antes mesmo do governo pedir, na esperança de evitar se tornarem alvos.”

O estudo ressalta a ofensiva de Trump como parte de uma trajetória mais longa, que remonta à 1ª metade do século 20, mas foi intensificada nos últimos 50 anos, na qual grandes empresas interferem cada vez mais nas pesquisas acadêmicas para resguardar seus interesses comerciais. O Big Oil foi um dos setores que mais apostaram nessa estratégia: entre 2010 e 2020, apenas seis empresas de combustíveis fósseis doaram mais de US$ 700 milhões (R$ 3,6 bilhões) a universidades estadunidenses, ajudando a legitimar “soluções” da indústria para a crise climática e a minar abordagens regulatórias.

Bilionários do setor fóssil também protegeram os interesses de suas empresas por meio de doações a universidades. Um exemplo disso é David Koch, aliado de Trump, que doou mais de US$ 185 milhões (R$ 966 milhões) ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e atuou como membro vitalício do conselho de administração da instituição até sua morte, em 2019.

Para os autores do estudo, o caminho para reverter essa erosão da autonomia universitária passa por uma reforma do modelo corporativo adotado pelas instituições nos últimos anos, com mais transparência e garantias à liberdade acadêmica de seus pesquisadores, docentes e discentes.

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Ian Mello

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