Implantação de energia renovável precisa mais que dobrar para atingir meta de 2030 – ClimaInfo
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IRENA, presidência da COP31 e Aliança Global para Energias Renováveis divulgam dados sobre o setor no início da Semana do Clima de Nova York.
21 de setembro de 2026

Resumo
A capacidade instalada de fontes renováveis de energia atingiu um nível recorde em 2025. Com a instalação de 693 gigawatts (GW) – o maior volume já implantado em apenas um ano -, a energia renovável fechou o ano passado com uma potência total de 5,1 mil GW. Mas, para atingir a meta acordada na COP28, em 2023, é preciso mais do que dobrar esse número até 2030.
O alerta é do relatório “Cumprindo o Consenso dos Emirados Árabes Unidos: o acompanhamento do progresso rumo à triplicação da capacidade de energia renovável e à duplicação da eficiência energética até 2030”. Lançado pela Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), pela presidência da COP31 e pela Aliança Global para Energias Renováveis (GRA) na 2ª feira (21/9), no início da Semana do Clima de Nova York, o documento é a terceira avaliação do progresso em direção às metas energéticas estabelecidas na conferência do clima em Dubai.
Para cumprir o acordo fechado há quase três anos, o mundo precisa atingir uma capacidade instalada de 11,2 mil GW renováveis, informam Reuters, UOL e Economic Times. Para isso, a média anual de implantação terá de subir para 1,2 mil GW entre 2026 e 2030 – 73% acima do resultado do ano passado, destaca a Exame.
Na COP28, os países também assumiram o compromisso de duplicar os índices de eficiência energética. E assim como ocorre com a implantação de fontes renováveis, as medidas nesse sentido estão aquém do necessário. A intensidade energética melhorou 2% no ano passado, abaixo da taxa anual de 4% necessária para cumprir os compromissos de dobrar a eficiência até 2030.
Diante deste cenário, o relatório insta os decisores políticos a tomarem medidas mais ousadas antes da COP31, em Antalya, Turquia, em novembro. São elas:
- Modernização das redes elétricas: investimento de quase US$ 1 trilhão (R$ 5,1 trilhões) anuais de 2026 a 2030, mais que o dobro dos níveis de 2025;
- Implantação de tecnologias elétricas eficientes: dimensionar baterias, armazenamento e flexibilidade para atender à crescente demanda de forma confiável;
- Aumento da energia renovável 24 horas por dia, sete dias por semana: combinar energia solar, eólica e armazenamento para obter energia firme, com custos competitivos e disponível o tempo todo; e
- Aproveitar a inteligência artificial: utilizar a digitalização e a IA para alinhar a crescente demanda por eletricidade com um fornecimento limpo e operações de sistema mais inteligentes.
“As energias renováveis ainda podem reduzir a diferença para 2030, mas a eficiência energética está ficando para trás, a demanda por eletricidade está crescendo mais rápido do que o esperado e a infraestrutura da rede não acompanhou o ritmo de implantação das renováveis. O roteiro revisado da IRENA deixa claro: precisamos avançar mais rápido, eletrificar mais rapidamente e construir os sistemas para dar suporte a isso. A eletrificação com renováveis é uma das alavancas políticas mais poderosas para acelerar e impulsionar novas ações”, destacou o diretor-geral da IRENA, Francesco La Camera.
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Em tempo: Ora, ora, ora… em discurso na abertura da ROG.e, o maior evento da indústria de petróleo e gás fóssil do Brasil, ontem (21/9), a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que recompor as reservas de combustíveis fósseis não será suficiente para a empresa manter sua relevância no setor energético nas próximas décadas. Para isso, afirmou Magda, a Petrobras precisará agregar energias renováveis, informa o InfoMoney. “Quando a gente olha para 2050, a gente diz: ‘nós temos que continuar, em 2050, fornecendo um terço da energia que o Brasil precisa, só que de um país muito maior’. O desafio é muito grande. Recompor as reservas não é suficiente. Além da recomposição de reservas, o que vamos fazer em exploração, com produção de horizontes já descobertos, no Brasil e no exterior, precisamos também agregar em energias renováveis”, disse a executiva.
Ainda que seja um sinal positivo, é bom manter barbas de molho. Afinal, o Plano de Negócios 2026-2030, o primeiro da empresa sob o comando de Magda, reduziu em 20% os investimentos previstos em transição energética. Além disso, a presidente da Petrobras já disse diversas vezes que prefere falar em “adição energética”, não em transição. O clima do planeta que espere.
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