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September 22, 2026
Clima

Biodiesel para navios fica mais barato que combustíveis fósseis tradicionais – ClimaInfo

  • Setembro 22, 2026
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Biodiesel para navios fica mais barato que combustíveis fósseis tradicionais – ClimaInfo

21 de setembro de 2026

biodiesel navios combustíveis fósseis
Renzo Couto e Souza / Petrobras

Resumo

  • Biodiesel marítimo mais barato que o gasóleo: o preço do biodiesel para navegação, que responde por 3% das emissões globais, chegou ao menor nível já registrado – US$ 985 por tonelada em Roterdã em 14/9, contra US$ 1,4 mil em julho, segundo a Argus. Mesmo após subir para US$ 1,2 mil, segue abaixo do gasóleo marítimo, que bateu US$ 1,5 mil nesta semana.
  • Inversão de preços pode acelerar adoção: para Madeleine Jenkins, da Argus, o cenário deve levar armadores a repensar suas estratégias de combustível, considerando as economias de emissões nos programas da União Europeia. Segundo Jason Stefanatos, da DNV, os biocombustíveis são “praticamente uma solução de substituição direta”, pois a maioria dos motores modernos os usa com pouca ou nenhuma adaptação.
  • Riscos ligados às matérias-primas agrícolas: o biocombustível pode vir de resíduos orgânicos ou de cultivos agrícolas, e é nesse segundo caso que estão os maiores perigos, em função da competição com a produção de alimentos e estímulo ao desmatamento em escala. Há ainda o risco de se repetir o neoextrativismo verde apontado pelo CEBRAP em estudo feito com o ClimaInfo sobre a transição ecológica no Brasil.
  • O setor de navegação responde por 3% das emissões globais de gases de efeito estufa. Os países ainda não fecharam um acordo para criar a primeira taxa global de carbono para o transporte marítimo, mas o segmento já vem testando alternativas aos combustíveis fósseis usados por embarcações em todo o mundo. E um fato ocorrido na semana passada pode ser mais um passo para se descarbonizar o setor.

    O preço do biodiesel para transporte marítimo caiu ao menor nível já registrado e ficou mais barato que a maioria dos combustíveis marítimos convencionais de origem fóssil, enquanto o conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio continua elevando os custos do diesel, informam Financial Times, Folha e Business Green. O valor no porto de Roterdã, na Holanda, que abriga o maior polo de produção de biocombustíveis do mundo, chegou a US$ 985 (R$ 5 mil) por tonelada na 2ª feira retrasada (14/9), segundo a agência de preços Argus – bem abaixo do US$ 1,4 mil (R$ 7,1 mil) observado em julho.

    A queda ocorreu depois que produtores reduziram os preços para impulsionar as vendas e ajudar a cumprir suas metas de emissões na União Europeia. Desde então, a cotação se recuperou para US$ 1,2 mil (R$ 6,1 mil). Mas ainda continua abaixo do preço do gasóleo marítimo, combustível essencial para a navegação, que bateu US$ 1,5 mil (R$ 7,6 mil) nesta semana, em meio a crescentes interrupções no abastecimento. Pouco antes do início da guerra no Oriente Médio, o gasóleo era cotado a US$ 714 (R$ 3,6 mil) por tonelada.

    A inversão incomum de preços pode acelerar a adoção de biocombustíveis mais sustentáveis pelo transporte marítimo. O “novo e surpreendente desdobramento” deve incentivar os armadores “a repensar suas estratégias de combustível, já que os biocombustíveis marítimos muitas vezes podem sair mais baratos que o gasóleo marítimo quando se levam em conta as economias líquidas de emissões disponíveis nos programas da UE (União Europeia)”, explicou Madeleine Jenkins, especialista em precificação de biocombustíveis europeus da Argus.

    Os biocombustíveis podem ser usados na maioria das embarcações com poucas modificações, tanto misturados a combustíveis convencionais quanto em sua forma pura, e surgiram como uma das opções mais disponíveis para reduzir as emissões do transporte marítimo. Sua grande vantagem em relação a outros combustíveis alternativos, como metanol ou amônia, é a facilidade de adoção pela frota existente. Diretor global de descarbonização do grupo de classificação marítima DNV, Jason Stefanatos descreve-os como “praticamente uma solução de substituição direta”, afirmando que a maioria dos motores marítimos modernos poderia utilizá-los com pouca ou nenhuma adaptação.

    Os biocombustíveis para o transporte marítimo podem ser produzidos a partir de resíduos orgânicos ou de cultivos agrícolas. E é neste último ponto que estão seus maiores perigos. Um deles é uma possível competição com o cultivo de alimentos. Outro é que a necessidade de áreas para matérias-primas para biocombustíveis estimule o desmatamento. Sem falar na manutenção de padrões que não minimizem ou anulem os impactos ambientais e sociais dessa produção – o neoextrativismo verde que o CEBRAP aponta no estudo “Cenários e custos da transição ecológica no Brasil”, feito em parceria com o ClimaInfo.

    • Em tempo: A Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (APROBIO) divulgou um comunicado em defesa do uso voluntário de biodiesel acima da mistura obrigatória com o diesel de origem fóssil, atualmente em 15% (B15), informam Money Times, Correio do Povo, Cenário Energia e Canal Rural. A sugestão ocorre porque “o Brasil enfrenta uma vulnerabilidade energética significativa ao importar grande parte do diesel fóssil utilizado, principalmente dos Estados Unidos, o que gera subsídios externos e riscos de desabastecimento”, diz a nota da entidade. A APROBIO afirma que o aumento do percentual de biodiesel não depende mais de autorização prévia da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) e que basta um comunicado à agência para uso em transporte público, transporte ferroviário, navegação interior e marítima, frotas cativas, equipamentos e veículos destinados à extração mineral e à geração de energia elétrica, tratores e demais aparelhos destinados a trabalhos agrícolas.

    • biocombustíveis
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