IBAMA autoriza Petrobras a perfurar mais poços na Foz do Amazonas – ClimaInfo
8 de setembro de 2026

Resumo
A “porteira” da exploração de combustíveis fósseis na Foz do Amazonas foi escancarada de vez. Dias após o IBAMA informar ao Ministério Público Federal (MPF) que o processo de licenciamento ambiental do bloco FZA-M-59 previa a abertura de três poços contingenciais, o órgão ambiental autorizou as novas perfurações requisitadas pela Petrobras. Ainda que o MPF tenha feito novos questionamentos sobre o processo de licenciamento.
Logo após anunciar a descoberta de indícios de petróleo no poço pioneiro Morpho, a petrolífera informou ter solicitado autorização ao IBAMA para perfurar os poços contingentes de Manga, PAD Morpho e Crotalus. O pedido incluía a realização de testes de formação (procedimentos para avaliar o potencial de produção) e autorização para o abandono definitivo dos quatro poços. A Petrobras chegou a informar que poderia abrir os poços simultaneamente, de acordo com a Agência iNFRA.
Contudo, o MPF pediu explicações ao órgão ambiental. Para o Ministério Público, a liberação de novas perfurações por anuência ou por alteração de condicionantes na Licença de Operação nº 1.684/2025, que autorizou a abertura de Morpho, descumpre normas ambientais, ignora os impactos cumulativos e contradiz as informações prestadas à sociedade e à Justiça.
O MPF reforçou ainda que um empreendimento que cause impactos ambientais deve obrigatoriamente passar por uma análise integrada dos efeitos cumulativos e sinérgicos. Segundo os procuradores do Pará e do Amapá que assinaram o ofício enviado ao IBAMA, a tabela de alternativas locacionais apresentada no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) de Morpho trazia opções para a escolha do melhor local de perfuração, e não uma autorização automática para explorar todos os pontos indicados.
Ainda assim, o órgão ambiental respondeu que o licenciamento de Morpho já tratava de novas perfurações no Bloco 59 e que o licenciamento foi realizado “de forma rigorosa, com plena observância dos aspectos técnicos e legais pertinentes”. Assim, na 5ª feira (3/9), o diretor-geral do IBAMA, Jair Schmitt, autorizou a abertura dos três novos poços, exigindo que a Petrobras apresente um cronograma de perfuração atualizado no prazo de 30 dias após o recebimento da licença, informam UOL e Investing.com.
Apesar da resposta do IBAMA, o MPF não se deu por satisfeito e voltou a cobrar explicações sobre a extensão da licença, informam g1 e Tapajós de Fato. O Ministério Público ressaltou que há divergências entre o que o órgão ambiental declarou em audiência na Justiça Federal e o que consta nos documentos administrativos.
Para o MPF, a divergência de informações compromete a transparência do processo e dificulta a avaliação dos riscos ambientais da exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Segundo o órgão, uma operação que se estende por vários anos no mar tem potencial para causar impactos cumulativos sobre a fauna marinha, a pesca artesanal e o modo de vida de comunidades tradicionais.
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Em tempo: A Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) aprovou, em junho, a indicação de 86 blocos de exploração de combustíveis fósseis no rol de áreas em estudo para possível inclusão em leilões da Oferta Permanente de Concessão (OPC), sendo 36 na Foz do Amazonas, 25 no Pará-Maranhão e 25 em Barreirinhas. A InfoAmazonia identificou que 27 deles, todos na Foz, ultrapassam total ou parcialmente o limite da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) – faixa de 12 a 200 milhas marítimas (22 a 370 quilômetros) em relação à costa. O avanço só é possível graças a uma decisão da ONU de março de 2025 que aprovou um pedido brasileiro para ampliar sua plataforma marítima continental em mais 360 mil quilômetros quadrados na Margem Equatorial – região litorânea do Rio Grande do Norte ao Amapá. Isso conferiu ao Brasil o direito sobre o leito e o subsolo das áreas submarinas que se estendem além da ZEE.
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