NotíciasAqui a notícia corre
September 17, 2026
Clima

Gestoras de capital privado emitem mais carbono do que a maioria dos países – ClimaInfo

  • Setembro 17, 2026
  • 5 min read
Gestoras de capital privado emitem mais carbono do que a maioria dos países – ClimaInfo
  • Economia e clima
  • Notícias

Reunidas, as 20 maiores empresas de private equity do mundo seriam o 5º maior emissor do planeta, atrás apenas de China, EUA, Índia e Rússia.

17 de setembro de 2026

gestoras de capital privado carbono
Private Equity Stakeholder Project (PESP) / Flourish

Resumo

  • Pegada de carbono pesada: as 20 maiores gestoras de private equity do mundo, que administram US$ 7,3 trilhões (R$ 37,6 trilhões) em ativos, têm portfólios de energia responsáveis por emitir cerca de 1,5 bilhão de toneladas de CO2 equivalente, atrás apenas de China, EUA, Índia e Rússia, mostra um estudo.
  • Investimentos em combustíveis fósseis e data centers: essas gestoras apoiam 244 companhias de energia com centenas de campos de petróleo e gás, oleodutos, terminais de GNL e carvão, e usinas movidas a combustíveis fósseis, além de expandirem sua presença em data centers nos EUA.
  • Retorno financeiro fraco: contrariando a justificativa comum de que esses investimentos são lucrativos, o relatório mostra que 145 fundos de petróleo e gás analisados entre 2001 e 2016 tiveram lucro de apenas cerca de 1%.
  • Os portfólios de energia das 20 maiores gestoras de private equity do mundo são responsáveis anualmente por cerca de 1,5 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO2e). Esse volume supera — e muito — as emissões de quase todos os países do mundo. Perde apenas para os quatro maiores emissores do planeta — China, EUA, Índia e Rússia.

    É o que mostra a 3ª edição do Relatório de Riscos Climáticos de Private Equity. Produzido pelo Private Equity Stakeholder Project (PESP), Americans for Financial Reform Education Fund (AFREF) e Global Energy Monitor (GEM), o documento examina as participações em energia, emissões estimadas, políticas climáticas, planos de transição, compromissos com justiça ambiental e gastos políticos de 20 empresas que administram um total de US$ 7,3 trilhões (R$ 37,6 trilhões) em ativos.

    Segundo a análise, essas gestoras apoiam pelo menos 244 companhias de energia que operam mais de 250 campos de petróleo e gás fóssil, 24 mil quilômetros de oleodutos e gasodutos, 35 terminais de gás liquefeito (GNL), 13 terminais de carvão. Sem falar em dezenas de navios-tanque de GNL e centenas de usinas de energia a combustíveis fósseis.

    Segundo o Guardian, apesar do movimento de alguns fundos de pensão para reduzir sua exposição a projetos de combustíveis fósseis, grandes empresas de private equity, como BlackRock, GIP, Energy Capital Partners, EQT e Kayne Anderson, aumentaram a quantidade de empresas de petróleo e gás em seus portfólios nos últimos anos.

    A EQT, por exemplo, vende-se como uma investidora consciente da crise climática e apoiadora da transição energética. A despeito de suas promessas, que atraíram a atenção de fundos de pensão e outros investidores, a gestora está prestes a adquirir a AES Corporation, proprietária de mais de 20 usinas de energia a carvão e a gás fóssil.

    O interesse crescente dessas empresas em infraestrutura energética está ligado a outro movimento do setor: os data centers. Segundo o relatório, as gigantes de private equity apoiam quase metade das 25 maiores companhias de data centers dos EUA, e o investimento nessas infraestruturas superou US$ 45 bilhões (R$ 232 bilhões) em 2025. Assim, as gestoras se consolidaram como as maiores proprietárias de data centers fora do setor de tecnologia nos EUA.

    Além de analisar os investimentos em energia suja, o levantamento também desmonta uma das justificativas mais utilizadas por essas empresas para seguir investindo em combustíveis fósseis: o desempenho é consistentemente positivo. Os autores revisaram os resultados de 145 fundos de private equity focados em petróleo e gás entre 2001 e 2016 e descobriram que o lucro desses investimentos foi de cerca de 1%. Enquanto a aplicação somou US$ 190,4 bilhões (R$ 981,5 bilhões), o retorno foi de US$ 192,9 bilhões (R$ 994,4 bilhões).

    “Esses investimentos estão gerando emissões na escala de um grande país, além de representar sérios custos para a saúde da população e para o clima. Os resultados financeiros tornam a situação ainda mais difícil de justificar. Muitos desses investimentos em petróleo e gás não geraram retornos expressivos para os fundos de pensão e outros investidores que os financiam, enquanto as empresas de private equity continuam a receber taxas. As comunidades e os beneficiários de pensões arcam com os custos, e as empresas de private equity continuam recebendo seus pagamentos”, disse Amanda Mendoza, coordenadora sênior de pesquisa e campanhas do PESP. 

    • Em tempo: Os incêndios florestais que assolaram a Europa Ocidental no verão do Hemisfério Norte deixaram os investidores preocupados com os riscos climáticos na região. Segundo o grupo suíço Edmond de Rothschild, que administra cerca de US$ 250 bilhões (R$ 1,3 trilhão) em ativos, vários clientes de private banking têm realizado consultas para verificar como reduzir sua exposição, especialmente em investimentos imobiliários, a esses riscos. Os gestores de investimentos ainda estão analisando os impactos do clima mais quente e seco em países como Espanha, França e Alemanha, inclusive com seguradoras e resseguradoras, para revisar suas estratégias de risco, informa a Bloomberg.

    • emissões de carbono
    • emissões de gases de efeito estufa
    • mudanças climáticas

    Continue lendo

    Em foco

    Além do 1,5ºC

    Aprenda mais sobre

    About Author

    Celia Mello

    Leave a Reply

    O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *