Canal do Panamá reduzirá ainda mais trânsito de navios devido à seca – ClimaInfo
A Administração do Canal do Panamá anunciou mais uma redução do tráfego marítimo devido ao agravamento da seca provocada pelo El Niño. A partir de outubro, será permitido o trânsito de uma média de 29 embarcações por dia, o que representa uma redução de 18% em relação a agosto, quando o fluxo era de 36 embarcações. O trânsito no canal já havia sido reduzido no começo de setembro para 32 embarcações por dia.
As novas restrições devem causar mais problemas nas cadeias logísticas internacionais, já pressionadas pelos reflexos da guerra no Golfo Pérsico. O Canal do Panamá movimenta cerca de 5% do comércio marítimo global e cerca de 40% do tráfego de contêineres dos EUA, principal usuário do corredor marítimo.
Com 82 quilômetros de extensão, o Canal do Panamá vem sofrendo os efeitos da estiagem na América Central. A hidrovia opera com água de chuva armazenada nos lagos artificiais de Gatún e Alajuela. Com a redução das chuvas, a disponibilidade de água caiu e o nível do canal também diminuiu, o que dificulta o trânsito de embarcações.
O cenário, que já é difícil, pode piorar com o fortalecimento do El Niño. O governo panamenho trabalha com a possibilidade de mais restrições ao trânsito de embarcações no canal durante todo o próximo ano fiscal (que começa em outubro de 2026 e vai até setembro de 2027), com uma queda total de 743 embarcações e de 5 milhões de toneladas de carga em relação ao período atual.
“Estamos prevendo menos chuvas, [e a redução do calado] limita o volume de carga devido à menor capacidade de carga das embarcações”, explicou Ilya Espino de Marotta, chefe da Administração do Canal do Panamá.
A América Central e o norte da América do Sul têm sido severamente afetados pelo El Niño. Nove países da região registraram o período de junho a agosto mais quente da história neste ano, segundo o Guardian.
AFP, O Globo, Times Brasil e UOL também noticiaram a nova redução de tráfego no Canal do Panamá.









