Garimpo ilegal usa Venezuela e Guiana para “lavar” ouro brasileiro – ClimaInfo
- Notícias
Com aperto da fiscalização, criminosos passaram a usar cada vez mais países vizinhos na América do Sul como interpostos para “lavagem” do ouro.
9 de agosto de 2026

Resumo
Até 2022, o ouro extraído ilegalmente no Brasil era embarcado clandestinamente em portos no Pará e em São Paulo, de onde partia para mercados como os Estados Unidos e a Europa. Mas, no governo Lula, com o aumento da fiscalização e o combate ao garimpo ilegal, as práticas de “lavagem” do metal vêm mudando.
Os criminosos se adaptaram ao cerco das autoridades e passaram a usar países vizinhos na América do Sul como interpostos para “lavar” o ouro ilegal. O ouro é transportado por rodovias, aeronaves e rotas clandestinas para Venezuela, Guiana e Suriname, e só então é exportado para outros continentes.
É o que relataram à Folha cinco investigadores diretamente envolvidos em operações de combate ao garimpo ilegal. Antes, o ouro extraído ilegalmente no Brasil era lavado no próprio país, a partir da venda de notas frias a empresas nacionais, dizem os agentes. Agora, atravessa as fronteiras próximas para isso.
Roraima tornou-se um dos principais corredores desse escoamento. Desde 2024, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registra apreensões recordes de ouro nas BR-174 e BR-401, que ligam o estado às fronteiras com a Venezuela e a Guiana. Somente a PRF apreendeu 334 quilos de ouro entre 2023 e junho de 2026, a maioria no estado.
Para escapar da fiscalização, os transportadores recorrem às chamadas “cabriteiras”: rotas clandestinas abertas paralelamente às rodovias oficiais. Esses caminhos permitem cruzar e sair de algumas estradas federais para chegar ao destino.
Também mudaram os locais em Roraima de onde os criminosos extraem o ouro. Pressionado pelo reforço da fiscalização, especialmente na Terra Indígena (TI) Yanomami, o garimpo ilegal migrou para áreas menos monitoradas, adaptou seus métodos de exploração e ampliou sua capacidade de recrutamento de comunidades locais, destaca a Folha.
A TI Raposa Serra do Sol é um dos principais exemplos. Os garimpeiros migraram para o território, e sua presença aprofundou divisões nas comunidades indígenas. Enquanto uma parte defende a retirada de invasores que entraram na reserva em busca de ouro, outra apoia a exploração mineral. Em alguns casos, indígenas resistem às operações das forças de segurança contra o garimpo, como ocorreu com um comboio da PRF em maio.
-
Em tempo 1: A Sumaúma mostra que a repressão do governo federal acabou com os principais focos do garimpo ilegal na TI Yanomami. Entretanto, grupos menores seguem atuando no território indígena. A invasão criminosa pode voltar rapidamente a partir de 2027 se não for montado um plano efetivo e permanente. O procurador federal Alisson Marugal, responsável por assegurar os Direitos de Povos Indígenas e Tradicionais em Roraima, tem cobrado oficialmente um plano definitivo de monitoramento territorial. “Se não tiver um plano, eles podem retirar toda a operação, e o garimpo em seis meses toma conta de volta do território. Os garimpeiros (expulsos) estão por aí, na Guiana, na Venezuela; tem um pessoal que foi para outros lugares do Brasil. Onde tiver ouro e não tiver fiscalização, eles vão voltar.”
-
Em tempo 2: O Projeto de Lei nº 3.025/2023, que cria um marco legal para o ouro no país, está travado no Senado em meio a uma articulação do setor privado para impedir que o texto aprovado pela Câmara avance sem alterações. Fontes do setor mineral e do Congresso ouvidas pela CNN Brasil afirmam que a proposta deve permanecer parada até que sejam revistos pontos considerados críticos, sobretudo o controle da origem do metal, o papel da Agência Nacional de Mineração (ANM) e a transferência da operação do sistema de rastreabilidade para a Casa da Moeda. Segundo os críticos, o texto aprovado na Câmara ampliou o controle documental e permite acompanhar o ouro depois que ele entra na cadeia formal, mas não garante uma verificação independente suficientemente robusta no ponto de origem. Dessa forma, o sistema de rastreio poderia acompanhar com precisão um ouro que já entrou no mercado com procedência ilegal.
-
Em tempo 3: Máquinas de garimpo ocuparam uma fazenda destinada à reforma agrária em Novo Mundo, no norte do Mato Grosso, antes que 74 famílias já selecionadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) pudessem tomar posse da área, informa a Repórter Brasil. As escavadeiras entraram nas terras públicas da União, com o aval do governo estadual, durante os cinco meses de prazo concedidos pela Justiça para a desocupação do local. Enquanto o garimpo avança, trabalhadores rurais continuam em barracos de lona do lado de fora da propriedade.
- crime organizadp
- garimpo ilegal
- ouro ilegal









