Oceanos registram segundo mês consecutivo de calor recorde – ClimaInfo
- Economia e clima
- Notícias
Temperatura média da superfície do mar fora das regiões polares foi de 20,96oC, o maior índice já registrado para o mês de julho.
10 de agosto de 2026

Resumo
Nunca houve um julho tão quente nos registros científicos para os oceanos da Terra. Dados do serviço de monitoramento climático Copernicus, da União Europeia, confirmaram que o mês passado repetiu a trajetória de junho e se tornou o julho mais quente já registrado nos oceanos fora das regiões polares. A temperatura média da superfície do mar foi de 20,96oC, superando o recorde anterior, de 20,89oC, em 2023. Considerando os oceanos polares, o número do último mês ficou apenas 0,01oC abaixo do recorde histórico de julho de 2024.
Julho registrou temperaturas excepcionalmente altas para o mês em grande parte do Pacífico tropical, área onde as condições do El Niño estão presentes e que devem se intensificar ainda mais nos próximos meses. Na Europa, recordes de altas temperaturas da superfície do mar ao longo do Atlântico e do Mediterrâneo Ocidental estiveram associados a ondas de calor marinhas fortes ou severas generalizadas, afetando comunidades costeiras e ecossistemas.
Quanto à temperatura média do ar, globalmente, julho de 2026 foi o 2º julho mais quente, com 16,9oC. O registro ficou 0,7oC acima da média de julho para o período de 1991 a 2020 e 1,5oC acima da média estimada para o período pré-industrial de 1850 a 1900. Na série histórica, ele empatou com julho de 2024 e ficou atrás apenas de julho de 2023.
Já na Europa, apesar das ondas de calor que assolaram Espanha, França e Reino Unido, entre outros países, a temperatura média do ar ficou em 20,5oC no mês passado, a 11ª mais alta já registrada para julho. Segundo o Copernicus, essa classificação relativamente baixa pode ser explicada por um forte contraste entre o oeste e o leste nas anomalias de temperatura: os registros de calor foram muito acima da média na Europa Ocidental, mas mais baixas do que a média na Europa Oriental e na Escandinávia.
Na Europa Ocidental, a temperatura média em julho foi de 21,6oC, a mais alta da história, quase 2,8oC acima da média. Além do calor, a baixa umidade também tornou o clima mais seco (leia aqui), particularmente na Península Ibérica, França, Alemanha, Áustria, Hungria, Reino Unido e Irlanda.
A junção de calor intenso com seca impulsionou os incêndios florestais nessa região no último mês, com destaque para os arredores da capital espanhola, Madri, e o sudoeste francês, em Bordeaux. As chamas foram “anabolizadas” pelas mudanças climáticas, mostrou um estudo de atribuição da rede global de cientistas climáticos World Weather Attribution (WWA).
“As mudanças climáticas estão trazendo cada vez mais condições quentes e secas que favorecem grandes incêndios florestais de alta intensidade no sul da Europa, ao mesmo tempo que estendem a temporada de incêndios para o norte. Incêndios maiores produzem mais fumaça e a lançam em altitudes mais elevadas na atmosfera, o que significa que ela pode viajar mais longe e impactar a qualidade do ar não apenas localmente, mas em toda a região”, destacou Laurence Rouil, diretora do serviço de monitoramento Copernicus, citada pela Folha.
Somada à crise climática, a intensificação do El Niño esperada para os próximos meses deve garantir novos recordes históricos de calor até o final do ano e possivelmente em 2027. “Estamos agora enfrentando um El Niño de grande magnitude, possivelmente sem precedentes em termos de amplitude”, disse Carlo Buontempo, diretor de programa do Copernicus, à AFP.
AP, BBC, Business Green, DW e Guardian, entre outros, também repercutiram os dados do Copernicus.
- aquecimento oceanos
- El Niño
- oceanos









