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August 19, 2026
Clima

Ferramenta monitora o que governos estão fazendo para enfrentar o El Niño – ClimaInfo

  • Agosto 19, 2026
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Ferramenta monitora o que governos estão fazendo para enfrentar o El Niño – ClimaInfo
  • Eventos extremos
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Apesar de planos e medidas anunciados e/ou em implementação, falta coordenação entre as instâncias do poder público na resposta ao fenômeno.

18 de agosto de 2026

ferramenta el niño brasil
Emater/RS 

Resumo

  • Preparação desigual: com a chance de um “Super El Niño”, governos municipais, estaduais e federal têm dado mais atenção à questão climática do que no passado, impulsionados pela experiência da seca amazônica e das chuvas no RS em 2023-2024. O novo Monitor do El Niño, do Instituto Talanoa, mostra avanços, mas aponta que muitas ações são pouco efetivas, faltando coordenação, governança, capacidade técnica local e financiamento.
  • Riscos e impactos: o El Niño 2026-27 pode ser um dos mais intensos já registrados, trazendo chuvas intensas no Sul, seca no Norte e Sudeste, prejuízos às lavouras (com possível impacto na inflação de alimentos) e maior risco de queimadas na Amazônia, Pantanal e em estados como São Paulo, com efeitos esperados principalmente a partir de setembro.
  • Pressão sobre o setor de seguros: seguradoras estão revisando riscos climáticos diante da expectativa de mais sinistros na agropecuária, em veículos, residências e empresas. Como há baixa cobertura securitária no Brasil – apenas 9% dos R$ 184 bilhões em prejuízos climáticos entre 2022 e 2024 foram cobertos por seguros -, grande parte do ônus fica com o poder público – logo, com todos os contribuintes.
  • A probabilidade cada vez maior de um El Niño muito forte está levando todas as esferas do poder público no Brasil a se prepararem para mais eventos climáticos extremos nos próximos meses. Esse movimento não é generalizado e varia de estado a estado, município a município. Mas a intensidade potencial do fenômeno colocou firme a questão na agenda dos governos neste semestre.

    Para verificar como andam essas ações, o Instituto Talanoa lançou o Monitor do El Niño, ferramenta para acompanhar os diferentes planos e ações anunciados por municípios, estados e União para enfrentar os efeitos do fenômeno. Ele mostra que o tema ganhou importância no poder público, mas ainda falta uma maior articulação entre as diferentes instâncias para dar efetividade à resposta.

    “Muitos atos estão longe do que seria uma preparação efetiva, alguns são claramente apenas para constar, mas é fato que algo aconteceu nos últimos anos na atenção dada pelos gestores públicos à questão climática”, afirmou Liuca Yonaha, vice-presidente do Talanoa, n’((o)) eco. “Falta ainda coordenação, governança, capacidades técnicas até o nível local e, claro, financiamento”, completou.

    Dois fatores podem explicar o maior foco do poder público ao novo El Niño. Primeiro, a experiência da última vez que o fenômeno aconteceu, entre 2023 e 2024, quando houve uma seca extrema na Amazônia, estiagem no Sudeste e chuvas históricas no Rio Grande do Sul. E segundo, destaca o Fantástico, a intensidade esperada para o novo El Niño, que pode ser o mais forte em 76 anos de registros, com impactos ainda mais significativos do que há dois anos.

    O Fantástico também mostra os impactos potenciais do “Super El Niño”. Além das chuvas intensas no Sul e da seca no Norte e no Sudeste, o fenômeno pode afetar as lavouras brasileiras, com reflexos potenciais no preço dos alimentos e, por consequência, na inflação. Outra preocupação é com o fogo, que deve encontrar condições mais propícias para se disseminar na Amazônia e no Pantanal, e em estados como São Paulo.

    Todos esses impactos potenciais não fogem à atenção da indústria de seguros, cujas empresas estão sendo pressionadas a rever seus riscos climáticos para antecipar possíveis perdas e operar em um cenário de clima ainda mais instável nos próximos meses. Segundo O Sul, a leitura do setor no Brasil é de que o excesso de chuvas em algumas regiões pode afetar “linhas massificadas”, como os seguros que protegem veículos e casas, além de seguros contratados por empresas. Outra preocupação é o impacto no agronegócio e, consequentemente, no seguro rural.

    “Hoje, a maioria das projeções aponta para um El Niño forte. Esse é o cenário com que estamos trabalhando”, disse Jarbas Medeiros, da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg). A expectativa é de maior impacto a partir de setembro, com a maior possibilidade de chuvas torrenciais concentradas em curto espaço de tempo. “Ninguém consegue prever exatamente quando ou onde isso vai acontecer. E isso é determinante para o tamanho das perdas.”

    Outro ponto, assinalado por Pedro Cortês na CNN Brasil, é a baixa cobertura dos seguros no país. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) indicam que, entre 2022 e 2024, 67 eventos climáticos relevantes provocaram prejuízo estimado de R$ 184 bilhões no Brasil, mas apenas 9% dessas perdas estavam cobertas por seguros. Parte relevante desse prejuízo acaba sendo assumida pelo poder público por meio de ações emergenciais e de reconstrução.

    • chuvas extremas
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