Emissões de incêndios florestais na Indonésia em 2026 caminham para recorde – ClimaInfo
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Chamas colocam o país na mesma trajetória de 2015, quando 2,6 milhões de hectares foram queimados, gerando 333 milhões de toneladas de carbono.
14 de setembro de 2026

Resumo
O fogo continua consumindo extensas áreas de floresta e de turfeiras na Indonésia. Mantido o ritmo atual, especialistas apontam que as chamas deste ano estão a caminho de produzir emissões comparáveis às da temporada de incêndios mais intensa que o país registrou neste século.
Dados do Banco de Dados Global de Emissões de Incêndios revelam que, até 7 de setembro, os incêndios na Indonésia produziram 76 milhões de toneladas de carbono (MtC) em 2026. Isso coloca 2026 na mesma trajetória de 2015 , quando os incêndios queimaram 2,6 milhões de hectares de terra em todo o país — uma área equivalente à metade do estado do Rio de Janeiro — e geraram um total de 333 MtC.
Pesquisador da Universidade de Wageningen , na Holanda, Guido van der Werf disse ao Carbon Brief que os incêndios na Indonésia estão a caminho de atingir os níveis observados há 11 anos. Partes do país, incluindo a província oriental de Papua, estão “ardendo mais do que nunca”, afirmou o especialista.
Assim como em 2015, os incêndios de 2026 na Indonésia estão ocorrendo em um ano de El Niño — que caminha para ser o mais forte já registrado. Nisa Novita, líder estratégica para turfeiras na ONG ambiental indonésia Yayasan Konservasi Alam Nusantara, explica que o fenômeno não causa diretamente a maioria dos incêndios, mas atua como um “grande amplificador, criando condições mais quentes e secas, o que facilita o início das chamas, sua propagação mais rápida e torna muito mais difícil controlá-los.”
O estrago causado pelos incêndios florestais vem afetando cada vez mais a população do país. Uma análise do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (CREA, sigla em inglês) mostra que a fumaça de incêndios florestais e em terrenos baldios causou 1,7 mil mortes apenas em agosto. É quase o número de mortes por poluição atmosférica crônica no país, proveniente da geração de energia, emissões industriais, transporte e outras fontes não relacionadas a incêndios, que chegou a 2 mil no mês passado.
A exposição à fumaça se estende muito além das áreas queimadas, lembra o IQAir. Mais de 12,5 milhões de pessoas em sete províncias indonésias foram expostas à névoa, e as infecções respiratórias associadas aos incêndios subiram para 113,3 mil casos em 9 de setembro — mais do que o dobro dos quase 51 mil casos registrados no primeiro dia deste mês.
O perigo é particularmente grave em Bornéu e Sumatra, onde a fumaça dos incêndios florestais pode envolver casas e comunidades por semanas a fio. Mulheres na província de Kalimantan do Sul, em Bornéu, relatam estresse intenso devido aos cuidados com os familiares e às responsabilidades domésticas, enquanto outros membros da família adoecem em meio à má qualidade do ar, destacam Mongabay e Eco-Business.
Mais de 5 mil focos de incêndio permanecem espalhados pelo arquipélago, um número muito maior do que o normal para esta época do ano, segundo a plataforma de monitoramento de incêndios do Ministério da Floresta, SiPongi. A Bloomberg destaca que a seca persistente nas próximas semanas significa que os riscos de incêndio permanecerão elevados, de acordo com as previsões.
Até agora, as emissões de gases de efeito estufa provenientes de incêndios florestais e de turfeiras na Indonésia equivalem às emitidas por 74 termelétricas a carvão. Segundo o Jakarta Post, nesse ritmo as chamas ameaçam as metas climáticas do país.
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