BRICS reforça necessidade da transição energética, mas mantém aposta nos combustíveis fósseis – ClimaInfo
14 de setembro de 2026

Resumo
Os chefes de Estado e representantes dos países do BRICS concluíram sua cúpula de alto nível no último final de semana em Nova Déli, na Índia. A declaração final, publicada no sábado (12/9), sintetiza os impasses de um bloco que ainda não conseguiu chegar a um denominador comum quanto à ação contra as mudanças climáticas.
De um lado, o texto reconhece a importância de transições energéticas “justas, ordenadas, equitativas e inclusivas” e de reduzir as emissões de gases de efeito estufa. De outro, reforça a aposta nos combustíveis fósseis como caminho para o desenvolvimento e defende a continuidade dessa fonte energética no futuro. Mais contraditório impossível.
Com poucas citações às mudanças climáticas, a declaração final de Nova Déli refletiu a mudança no cenário global em 2026 depois dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã, que é integrante do BRICS. A questão da segurança energética esteve no centro das preocupações dos líderes do bloco, que defenderam o fim das restrições aos fluxos globais de comércio e de “energia” — nas entrelinhas, de petróleo e gás fóssil.
“Reconhecemos que a segurança energética é um alicerce crucial para o desenvolvimento social e econômico, a segurança nacional e o bem-estar de todas as nações. Destacamos a necessidade de reforçar a segurança energética, garantindo a estabilidade do mercado de energia e mantendo o fluxo ininterrupto de energia proveniente de diversas fontes, fortalecendo as cadeias de valor, assegurando a resiliência e a proteção da infraestrutura energética crítica, incluindo a infraestrutura transfronteiriça”, diz o texto.
A declaração de Nova Déli também reafirma o compromisso dos países do BRICS com o Acordo de Paris e a defesa de uma transição energética de acordo com as circunstâncias e condições de cada país, à luz do princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Nesse sentido, defende uma gama de fontes energéticas, incluindo combustíveis fósseis, energia nuclear e hidrogênio, bem como tecnologias ainda experimentais, como a captura e armazenamento de carbono (CCS).
O bloco ainda ressaltou a digitalização dos sistemas energéticos e uma maior cooperação em minerais críticos. Neste ponto, a declaração assinala a necessidade de promover cadeias de suprimento “confiáveis, responsáveis, diversificadas, resilientes, justas, sustentáveis e equitativas” para garantir a partilha de benefícios, a agregação de valor e a diversificação econômica em países com grandes reservas desses minérios.
A 18ª cúpula do BRICS não contou com a presença do presidente Lula, que preferiu permanecer no Brasil devido à campanha eleitoral. O país, que liderou o BRICS no ano passado, foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O encontro na capital indiana contou com a participação de dois líderes que se ausentaram da cúpula do ano passado, no Rio de Janeiro: os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin.
Al Jazeera, AP, BBC, Indian Express, Reuters e Times of India fizeram um balanço final da cúpula do BRICS em Nova Déli.
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