Em troca de áudios, investigados falam sobre venda de armas clandestinas e apuração da polícia:

PM preso em operação nesta quarta-feira seria diretor de 18 clubes de tiro
Nos áudios aos quais a TV Anhanguera teve acesso, investigados comentam sobre a questão do registro do boletim registrado por causa de uma arma roubada. Os nomes não foram divulgados, mas um deles aparenta estar preocupado se a polícia não conseguir encontrar a pessoa que levou a arma. Veja o diálogo:
Investigado – “Fui lá. Pra saber o negócio como é que tinha sido e tal, entendeu. Se tinha sido tudo certo. Diz que vão pra poder pedir não sei o que d*** para ver se acha as imagens para ver se vê o ladrão.” (sic)
Investigado – “O meu Deus do céu. Tão muito interessadinho. Sai fora! Dá em nada não. Falei que isso não ia dar em nada”.
Investigado – “Medo de quê moço, acalme seu coração. Medo de quê? Dá nada, pô…”
Investigado – “Aí é fazer aquele velho procedimento, vender e fazer o boletim de ocorrência”.
Um dos investigados ainda comenta sobre o receio de que o esquema seja descoberto, e fala de possíveis orientações caso tenham que dar algum tipo de explicação às autoridades. Confira:
Investigado – “Se cair, isso aí é arma restrita, eu acho que não tem nem fiança para essas ‘bicha’ aí. Não vai ficar preso não, mas tem que se virar pra lá, porque se pegar ‘nóis’, tamo f***, ó. O único medo que eu tenho não é nem de vender, é que se esses cara cair. Com fé em deus que isso não vai acontecer, mas aí é só sustentar a mesma coisa, falar a mesma coisa, não fica mudando de discurso não”.
Trecho dos áudios investigados pela polícia — Foto: Divulgação
As investigações começaram em outubro de 2023, após um dos investigados registrar boletim de ocorrência pela internet sobre o furto de duas armas e munições. A Polícia Civil descobriu que não houve roubo e que a pessoa registrou o caso de forma falsa. Na realidade, as armas teriam sido vendidas de forma ilegal.
Depois desse episódio, as equipes policiais conseguiram identificar mais registros de armas furtadas, que na verdade entraram no esquema de venda ilegal.
Operação
Segundo o delegado responsável pelo caso, Felipe Crivellaro, os investigados vendiam as armas devidamente registradas como CAC, de forma clandestina, e depois registravam boletim de ocorrência simulando o roubo ou furto da arma.
Sargento da PM, Joemil Miranda da Cunha, diz ser diretor de 18 clubes de tiros — Foto: Reprodução/Redes Sociais
O advogado Paulo Roberto, que faz a defesa do sargento, disse que aguarda a conclusão dos trabalhos da polícia para emitir um posicionamento. Em nota, a PM disse que foram adotadas medidas preliminares para apuração interna do caso.
A polícia fez buscas foram em clubes de tiro que pertencem ao policial militar, entre outros endereços. Dentre os alvos investigados também há um empresário e um agente administrativo do sistema penal.
A Secretaria de Cidadania e Justiça, responsável pelo sistema penal, foi procurada, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.
Veja nota da PM na íntegra:
A Polícia Militar do Estado do Tocantins informa que foi acionada para acompanhar, durante a manhã desta quarta-feira, 3, por meio da Corregedoria do 2º BPM, as diligências da Operação Clandestino, realizada pela Polícia Civil. Um policial militar, de 36 anos, foi alvo de busca e apreensão. O objeto da ação envolve a comercialização de armas e munições por clubes de tiro e sócios.
A Polícia Militar já adotou as medidas preliminares para apuração interna e está acompanhando o caso. Por fim, reafirma à sociedade seu compromisso com a legalidade e imparcialidade, no exercício de sua nobre função pública.








