Em ano de recordes climáticos, clima e meio ambiente somem da campanha eleitoral no Brasil – ClimaInfo
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Dos seis principais candidatos à presidência, apenas o atual mandatário, Lula, traz uma proposta à altura do desafio climático.
21 de setembro de 2026

Resumo
As eleições de 2026 no Brasil ocorrem em um ano marcado por chuvas extremas e inundações nas regiões Sul e Sudeste do país, enquanto o risco de uma nova seca extrema ameaça a Amazônia. O mundo continua registrando recordes de temperatura na atmosfera e nos oceanos, e desastres como a enchente no Nepal e no Tibete dão mais uma amostra da crise climática.
Ainda assim, a pauta ambiental e climática desapareceu da campanha eleitoral, a menos de duas semanas do encontro dos eleitores brasileiros com as urnas, destacam RFI e Folha. Dos seis principais candidatos à presidência da República, apenas o atual mandatário do cargo, Lula (PT), traz uma proposta à altura do desafio climático.
O Observatório do Clima avaliou 28 temas da agenda socioambiental nos programas de governo desses presidenciáveis registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), lembra a Exame. Em quatro deles – Augusto Cury (AVANTE), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (NOVO) -, a questão climática é colocada de forma vaga, sem detalhes sobre aspectos importantes como a redução de emissões de gases de efeito estufa. E Flávio Bolsonaro (PL) não apenas ignora a crise climática, como também nega sua existência. E seu programa ainda inclui sete propostas antiambientais, destaca a análise do OC.
“O que está faltando para aumentar a convicção do voto ‘verde’ é esse candidato que incorporou a questão colocar a discussão no cotidiano das pessoas. As chuvas, os eventos extremos etc., fazem parte do nosso cotidiano e isso tem que estar na boca dos candidatos a presidente do Brasil”, disse Leila da Costa Ferreira, professora de sociologia ambiental da UNICAMP. “Quando se fala disso, fica uma coisa que parece estratosférica, parece que é em outro planeta. Não é: é aqui no seu quintal, na sua cidade e no seu estado, no seu país, e é global”, ressaltou.
A omissão de quase todos os presidenciáveis em propor soluções para as mudanças climáticas vai na contramão dos anseios da população brasileira. Como mostrou uma pesquisa feita pela Ipsos a pedido do Observatório do Clima, 91% dos brasileiros consideram importante que os candidatos às eleições deste ano apresentem propostas para enfrentar a crise climática. Para 62% dos cidadãos e cidadãs do país, essa é uma questão “muito importante”.
“A maioria das candidaturas são ligadas ao campo da direita ou da extrema direita. Muitos candidatos acham que a crise climática, o furacão, a seca, a enchente, são uma questão ideológica, que eles podem negar e que, ao negar, não vai acontecer”, sublinha o secretário-executivo do OC, Márcio Astrini. “Quando o presidente da República vira as costas para a realidade, ele não toma medidas para proteger a população, que fica totalmente entregue às circunstâncias.”
No podcast “O Assunto”, de Natuza Nery, o jornalista André Trigueiro chama a atenção para um aspecto da crise climática que deveria estar no radar de todos os candidatos: os seus imensos impactos econômico-financeiros. Já que parecem pouco se importar com o efeito nefasto das mudanças climáticas no cotidiano das pessoas, ao menos os presidenciáveis – e também postulantes aos demais cargos eletivos, como senadores e deputados federais – deveriam se preocupar com os efeitos negativos na economia e, por consequência, nos cofres públicos.
“Não é possível um presidente da República Federativa do Brasil que sentar no trono em Brasília não perceber que isso [a crise climática] tem intercorrência com o agronegócio, com a taxa de juros, porque segurar a inflação de alimentos depois de uma quebra de safra por onda de calor bate no bolso. Quando você fala desses problemas [climáticos], eles batem no seu bolso, eles infligem prejuízos econômicos e eles mudam a política cambial, a política de juros, o preço dos seguros. Então estamos falando não de meio ambiente e clima, a gente tá falando de qualidade de vida, prosperidade, longevidade e saúde”, reforçou Trigueiro.
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Em tempo: Nas zonas eleitorais da Amazônia Legal com maior proporção de pessoas brancas ou evangélicas, o voto tende a se concentrar mais em candidatos contrários à pauta climática, mostra uma análise da InfoAmazonia que cruza dados eleitorais de 2022 com informações demográficas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A nova análise aprofunda uma tendência identificada no primeiro episódio da série Eleições em Mapas, lançada pela InfoAmazonia: entre 2010 e 2022, o eleitor amazônida passou a votar cada vez mais em candidatos de partidos menos favoráveis às pautas climáticas.
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