Conheça cachoeira paradisíaca no TO que virou alvo de disputa judicial | G1
Segundo Ismael Farias Batista, proprietário da Fazenda Catoá, onde fica a cachoeira, a região é preservada há mais de 40 anos por sua família, que vive do turismo e da agricultura.
“Somos quilombolas, somos nascidos e criados naquele local e estamos ali para receber o turista. Até então a gente era muito invisível e após a gente entrar com essa demanda na Justiça, começamos a criar visibilidade. Até então todo mundo dizia que a gente era invasor. A gente hoje vive em torno do turismo e da agricultura. Nós plantamos, vendemos, usufruímos daquilo que nós temos. Temos hoje um pomar com muita laranja, banana, abacate, temos a mandioca. Ouvir que a gente é invasor, mesmo nascido e criado no lugar, isso nos traz uma grande tristeza”, disse.
O g1 solicitou posicionamento às defesas dos donos da uma área vizinha que estavam bloqueando o acesso, mas não teve resposta até a última atualização da reportagem.
Cachoeira do Catoá no TO virou alvo de disputa judicial — Foto: Ismael Farias/Arquivo pessoal
Cachoeira do Catoá
A cachoeira fica no povoado de Campo Alegre, em Paranã, e faz divisa com a cidade de Cavalcante (GO). A atração conquista os turistas pela queda d’água de 70 metros de altura, além da vegetação que cerca toda a área de banho, formando um paraíso no Cerrado.
A região oferece dois poços diferentes: um de águas verde-esmeralda e temperatura gelada, e outro, alimentado por uma nascente azul-turquesa, com águas mornas. A cachoeira fica a aproximadamente 460 km de Palmas. A recomendação é que a viagem seja feita em veículo 4×4, especialmente se a estrada estiver danificada pelas chuvas.
Para visitar a região, os turistas devem pagar uma entrada de R$ 50. A trilha para chegar à queda d’água tem cerca de 6 km, contando ida e volta, e é classificada como de nível médio. O melhor período para conhecer a cachoeira é entre abril e outubro.
Disputa judicial
Uma decisão inicial havia garantido a posse do imóvel aos moradores, mas a porteira de acesso pela Fazenda Santana foi trancada com correntes e cadeados, prejudicando a passagem até a cachoeira. Segundo a Justiça, esse trecho é o caminho mais antigo e acessível para chegar ao ponto turístico, além de ser utilizado há décadas por guias locais, vans e turistas.
A nova decisão foi expedida pelo juiz Frederico Paiva Bandeira, da 1ª Escrivania Cível de Paranã, no dia 17 de setembro de 2026. No documento, é afirmado que o bloqueio afetou a economia e o turismo do Povoado Campo Alegre e de Paranã.
“Defiro o pedido liminar para determinar que os requeridos abstenham-se de praticar qualquer ato que restrinja o uso dos autores e de qualquer outra pessoa às servidões de trânsito já existentes que dão acesso ao imóvel rural ‘Fazenda Catoá’, desobstruindo a porteira indicada pelos autores”, relatou o juiz.
A Justiça deu um prazo de cinco dias, a partir da intimação, para o cumprimento da ordem. Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa diária de R$ 500, limitada a R$ 50 mil. A decisão também proíbe os proprietários do local de acesso, que fica na área vizinha, de realizar atividades comerciais relacionadas à cachoeira.









