NotíciasAqui a notícia corre
September 30, 2026
Clima

Condenado por garimpo ilegal bancou gastos de ex-chefe da ABIN do governo Bolsonaro nos EUA – ClimaInfo

  • Setembro 30, 2026
  • 6 min read
Condenado por garimpo ilegal bancou gastos de ex-chefe da ABIN do governo Bolsonaro nos EUA – ClimaInfo
  • Uso da terra
  • Notícias

Rodrigo Martins de Mello, condenado por liderar um esquema de garimpo ilegal na Terra Yanomami, ajudou na fuga de Alexandre Ramagem.

29 de setembro de 2026

condenado garimpo ilegal abin do governo bolsonaro eua
Lula Marques/Agência Brasil

Resumo

  • Ajuda à fuga do “amigo Ramagem”: segundo a PF, o ex-deputado e ex-diretor da ABIN, Alexandre Ramagem, condenado a 16 anos por tentativa de golpe de Estado, fugiu do Brasil em setembro de 2025 com apoio financeiro e material do empresário Rodrigo Martins de Mello, o “Rodrigo Cataratas”. Ele saiu por Roraima, cruzou para a Guiana, onde Cataratas tem negócios, e seguiu para os EUA. Em Miami, foi hospedado pela família do empresário, que também teria fornecido documentos falsos para que Ramagem obtivesse a carteira de motorista.
  • Condenado por garimpo na TI Yanomami: candidato a deputado federal pelo PL em 2022, Cataratas é um velho conhecido do noticiário policial. Condenado em fevereiro a 16 anos e sete meses por liderar uma organização criminosa dedicada ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, era responsável pela logística do esquema. A PF também o responsabiliza por um ataque incendiário a um helicóptero do IBAMA em 2021 e pelo financiamento de uma invasão à sede da PF em Boa Vista. Ele próprio está foragido na Guiana, onde continua atuando no garimpo.
  • Conexões políticas entre garimpo e bolsonarismo: o caso reforça os laços entre o garimpo ilegal e lideranças do governo Bolsonaro, cuja gestão, marcada pelo desmonte da fiscalização ambiental, permitiu a expansão da atividade em Áreas Protegidas. Nos EUA, Ramagem tem participado de eventos da extrema-direita trumpista.
  • O ex-deputado e diretor da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) no (des)governo de Jair Bolsonaro, Alexandre Ramagem (PL-RJ), contou com uma ajuda especial em sua fuga do Brasil após ser condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Segundo a Polícia Federal (PF), o empresário Rodrigo Martins de Mello, condenado por garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, deu auxílio financeiro e material para Ramagem deixar o país clandestinamente e escapar para os Estados Unidos em setembro de 2025. Ele também teria bancado os gastos do “amigo” por meio de familiares.

    A Agência Pública teve acesso a diálogos, fotos e notas recuperadas do celular de Priscila Freitas de Mello, esposa de Rodrigo. Elas comprovam que a família do empresário-garimpeiro, conhecido como “Rodrigo Cataratas”, ciceroneou o ex-deputado nos EUA, hospedando-o em sua residência em um condomínio de luxo em Miami nos primeiros meses de fuga.

    A família de Cataratas também teria fornecido documentos falsos para facilitar a fuga de Ramagem. De acordo com a PF, o ex-chefe da ABIN do governo Bolsonaro deixou o Brasil por Roraima, cruzando a fronteira do município de Bonfim com a Guiana, onde Cataratas tem negócios. De lá, Ramagem fugiu para os EUA.

    Os investigadores brasileiros sustentam que Priscila e Celso Rodrigo de Mello, filho de Cataratas, desempenharam “papel de protagonismo na manutenção clandestina de Alexandre Ramagem em Miami/EUA, porquanto estão viabilizando sua moradia em condomínio de luxo, além de estarem auxiliando o foragido a ludibriar as autoridades americanas com documentos falsos a fim de obter a chamada driver license (carteira de motorista)”.

    Ramagem chegou a ser detido pelo serviço de imigração dos EUA em abril, por conta de uma infração de trânsito. Os agentes estadunidenses descobriram a documentação falsa e mantiveram o ex-parlamentar preso por alguns dias. Mas ele acabou sendo liberado após uma articulação política do também ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) junto à Casa Branca do aliado Donald Trump. Desde então, Ramagem virou figurinha carimbada em eventos da extrema-direita trumpista nos EUA.

    O suporte de Cataratas à fuga do “amigo Ramagem” reforça as conexões políticas do garimpo ilegal com lideranças do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, defensor e entusiasta da exploração de ouro e de outros minérios na Amazônia. Em sua gestão, o desmonte da fiscalização ambiental permitiu que a atividade ilegal se expandisse, inclusive em Áreas Protegidas, como Unidades de Conservação e Terras Indígenas.

    Cataratas é um velho conhecido do noticiário policial. Em fevereiro passado, ele foi condenado a 16 anos e 7 meses de prisão por liderar uma organização criminosa responsável pela extração ilegal de ouro e cassiterita na TI Yanomami. O empresário era o principal responsável pela logística do esquema, transportando garimpeiros, suprimentos e minérios por meio de uma empresa de táxi aéreo. Em público, Cataratas também se apresentava como líder de um suposto movimento “pró-garimpo” e foi candidato a deputado federal nas eleições de 2022 pelo PL de Bolsonaro.

    A PF também indiciou Cataratas como responsável por um ataque incendiário contra um helicóptero do IBAMA em Boa Vista (RR) em setembro de 2021. Além disso, ele teria financiado um grupo que invadiu a superintendência da PF na capital de Roraima para atacar, sem sucesso, outra aeronave utilizada pelo órgão ambiental na repressão a crimes ambientais.

    Apesar da condenação, Cataratas também está foragido. Meses antes de ser condenado, ele “se mudou” para a Guiana, onde continua a operar no garimpo.

    • Em tempo 1: Alexandre Ramagem está nos EUA fugindo da polícia e agindo contra o Brasil em conjunto com a extrema-direita daquele país, mas sua esposa, Rebeca Ramagem, não só está em território brasileiro como é candidata a deputada federal pelo PL do Rio de Janeiro, informa O Globo. Rebeca é procuradora do estado de Roraima, o que indica conexão entre a família Ramagem e o empresário-garimpeiro Rodrigo Cataratas.

    • Em tempo 2: A Justiça Federal determinou o bloqueio de mais de R$ 145 milhões em contas de quatro empresas investigadas por garimpo ilegal de ouro e cassiterita na Terra Yanomami. A decisão atende a uma ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF) contra quatro empresas — White Solder Metalurgia e Mineração, Coopertin, Cataratas Poços Artesianos e TARP Táxi Aéreo — para o pagamento de multas e a reparação de danos ambientais, caso sejam condenadas. Essas empresas são suspeitas de participar de um esquema que envolvia a extração ilegal de minérios na região do Pupunha, bem como o transporte e a inserção no mercado formal. Ao todo, o MPF cobra R$ 1,7 bilhão em indenização das empresas e de outras seis pessoas — entre elas, Rodrigo Cataratas, proprietário de várias delas. CartaCapital e g1 deram mais detalhes.

    • crime ambiental
    • crime organizado
    • garimpo ilegal
    • multas ambientais

    Continue lendo

    Em foco

    Papo de Clima

    Aprenda mais sobre

    About Author

    Celia Mello

    Leave a Reply

    O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *