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August 8, 2026
Estado Tocantins

Caso Gustavo: veja a cronologia da morte à prisão do pai e madrasta | G1

  • Agosto 8, 2026
  • 7 min read
Caso Gustavo: veja a cronologia da morte à prisão do pai e madrasta  | G1

Os suspeitos são o advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, pai do menino, e Kathellen Moreira da Silva, madrasta da criança. Os dois foram presos e devem responder, inicialmente, por homicídio duplamente qualificado e tortura.

A suspeita de violência sexual não foi totalmente descartada e a tipificação dos crimes ainda poderá ser alterada conforme o resultado de novas perícias.

A defesa do advogado disse que, após saber da prisão preventiva, colocou-se imediatamente à disposição da autoridade policial e que o caso se trata de uma entrega voluntária previamente acordada com a autoridade responsável. A defesa ainda afirmou que, por ora, não se manifestará sobre detalhes do caso (veja nota completa abaixo).

Já a defesa de Kathellen Moreira disse que “recebeu com profundo estarrecimento a decisão que decretou sua prisão preventiva”. Os advogados da madrasta alegaram que ela é mãe e amamenta uma bebê de apenas cinco meses de idade. A defesa informou que Kathellen se apresentou espontaneamente para o cumprimento da ordem judicial e que irá recorrer à substituição da prisão preventiva por cautelares menos gravosas (veja nota completa abaixo).

Em coletiva de imprensa, o delegado Eduardo Meneses explicou como as investigações se desenrolaram até a prisão dos suspeitos. Veja abaixo a cronologia do caso.

Antes da morte de Gustavo

Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, foi encontrado morto na casa do pai em Palmas — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

“Há vídeos dessa criança nitidamente dopada, chegando das visitas. Há registro fotográfico de lesões. Então, nós estamos falando de um histórico de violência que não começou agora”, explicou o delegado Meneses.

Advogados da mãe, Sabrina da Silva Feitosa, informaram que ela não poderia privar a criança da convivência com o pai para não caracterizar alienação parental. Ela movia uma ação na Justiça cobrando o pagamento de pensão.

Morte de Gustavo – entre domingo e manhã de segunda-feira

Igor Gustavo Veloso de Souza e Kathellen Moreira são investigados pela morte de menino de 3 anos — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Segundo o delegado, o pai informou que, por volta das 17h30 de domingo (2), o menino teria caído na piscina e se afogado, momento em que o retirou da água. O advogado ainda disse que o filho não apresentou nenhuma alteração no quadro de saúde e, por volta das 20h, o colocou para dormir. No depoimento à polícia, Igor disse que, às 6h de segunda-feira (3), o menino estava respirando, mas, quando foi vê-lo novamente, às 9h, ele estava gelado.

Apesar do relato do pai, exames apontam que provavelmente o menino morreu ainda no domingo, 2 de agosto, conforme o delegado.

Pai procura a polícia – tarde de segunda-feira

A polícia foi procurada somente às 16h30 de segunda-feira (3). A defesa de Igor alegou que o pai estava abalado e desorientado, e por isso deixou a residência, mas depois se apresentou espontaneamente à delegacia.

Laudo pericial – noite de segunda-feira

Exames complementares para pesquisa de sêmen, álcool e drogas foram solicitados e serão incorporados posteriormente à investigação conduzida pela Polícia Civil.

Velório de Gustavo – terça-feira

Sabrina da Silva Feitosa durante enterro do menino Gustavo — Foto: Arquivo pessoal/Cirlene Feitosa

O corpo do menino Gustavo foi velado em uma igreja na região central de Palmas na terça-feira (4). Em uma homenagem, a tia da criança, Cirlene Feitosa, compartilhou fotos de momentos de lazer ao lado do menino.

Nas redes sociais, ela também comentou sobre a despedida. A gravação mostra o momento em que um balão com a imagem do Homem-Aranha, herói favorito do menino, é solto no céu. Na legenda, a tia escreveu: “Último balão do Homem-Aranha, titia”.

Pedido de prisão – quarta-feira

O pedido de prisão preventiva do casal foi protocolado na Justiça do Tocantins pelo delegado Eduardo Menezes, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na tarde de quarta-feira (5).

Pai e madrasta são presos – madrugada de quinta-feira

Vídeo mostra momento da prisão do pai e madrasta do menino Gustavo

Vídeo mostra momento da prisão do pai e madrasta do menino Gustavo

Igor Gustavo Veloso de Souza e Kathellen Moreira foram presos na madrugada de quinta-feira (6), em Palmas. Em imagens divulgadas pela polícia, os agentes aparecem dentro da casa de Igor, informando sobre as ordens de prisão. A filha do casal, uma bebê, estava no local e foi entregue à família materna. As imagens foram borradas pela polícia.

O casal foi levado para a Delegacia de Homicídios, onde prestou depoimento e passou pelo Instituto Médico Legal (IML). Depois, o pai foi levado à Casa de Prisão Provisória de Palmas e a madrasta, para a unidade prisional feminina.

Íntegra da nota da defesa de Igor Gustavo

A defesa de Igor Gustavo Veloso de Sousa esclarece que, assim que tomou conhecimento do pedido de prisão preventiva, colocou-se imediatamente à disposição da autoridade policial, informando que Igor se entregaria voluntariamente caso a medida fosse decretada.

Após a expedição do mandado, a defesa manteve contato com a autoridade policial e ficou ajustado que Igor se entregaria na própria residência onde se encontrava. Ele permaneceu no local e aguardou a chegada da equipe policial, submetendo-se voluntariamente ao cumprimento da ordem judicial, sem qualquer tentativa de fuga ou resistência.

Portanto, embora a prisão tenha sido formalmente cumprida em uma residência, não se tratou de localização ou captura realizada após buscas policiais, mas de entrega voluntária previamente acordada com a autoridade responsável, mantendo a postura de colaboração adotada desde o início das investigações.

Em respeito ao sigilo da investigação, a defesa não se manifestará, por ora, sobre aspectos específicos do caso.

Íntegra da nota da defesa de Kathellen Moreira

A defesa de Kathellen Moreira da Silva recebeu com profundo estarrecimento a decisão que decretou sua prisão preventiva.

Causa especial preocupação o fato de não constar da decisão qualquer consideração sobre uma circunstância pessoal de extrema relevância: Kathellen é mãe e amamenta uma bebê de apenas cinco meses de idade. A maternidade está comprovada pela certidão de nascimento, e a lactação pelos próprios registros realizados nas dependências da unidade policial.

Pelos documentos conhecidos até o momento, essa realidade não foi devidamente submetida à apreciação do Juízo quando do pedido de decretação da prisão preventiva. A custódia simultânea de Kathellen e do pai da bebê resultou na separação abrupta da criança de ambos os genitores, circunstância que deveria ter sido necessariamente ponderada antes da adoção da medida mais gravosa.

A defesa também esclarece que Kathellen se apresentou espontaneamente para o cumprimento da ordem judicial.

Diante desse cenário, a defesa adotará as medidas judiciais cabíveis para requerer a substituição da prisão preventiva por cautelares menos gravosas ou, subsidiariamente, por prisão domiciliar, compatibilizando a regularidade da investigação com a proteção dos direitos e das necessidades da bebê lactente.

A defesa confia que, com a análise individualizada dos fatos e dos documentos apresentados, a situação será revista pelo Poder Judiciário, mantendo-se o respeito à investigação, à presunção de inocência e, sobretudo, à proteção integral da criança.

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