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August 20, 2026
Estado Tocantins

Casa encontrada submersa no Lago de Palmas pertencia à Vila Canela | G1

  • Agosto 20, 2026
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Casa encontrada submersa no Lago de Palmas pertencia à Vila Canela | G1

A Vila Canela foi uma comunidade ribeirinha iniciada no século 18 localizada nas margens do rio Tocantins, locaque, atualmente, está sob o lago da Usina Hidrelétrica Luís Eduardo Magalhães. Em 2001, com o enchimento do reservatório, quase 200 famílias precisaram deixar a região.

O g1 conversou com o mestre em Geografia, professor e pesquisador de história regional, Júnio Batista do Nascimento, para entender mais sobre a história das famílias da comunidade. Ele explica que o nome da vila teve origem a partir da observação de vacas “caneludas” que existiam na região.

“A partir de 1960 com a construção da estrada ligando [a vila] a Porto Nacional, extinguiu-se a navegação e passaram a transportar as mercadorias no lombo de animais. A comunidade tinha uma dinâmica própria, com uma economia baseada na agricultura familiar e na pesca”, conta Júnio.

Casas da antiga Vila Canela, publicada em edição de jornal impresso de 2000 — Foto: Divulgação/O Jornal

Com a criação de Palmas, em 1989, o Canela passou a pertencer à capital tocantinense, como um distrito. De acordo com o pesquisador, a religiosidade e a paixão pelo esporte marcam a história da comunidade.

“A festa do Divino, que existia desde 1940, o Barracão de Palha, que foi sede das primeiras reuniões que decidiram a implantação de Palmas, e a paixão pelo esporte, em especial o futebol, que originou o time Sociedade Esportiva Canela que, em 1997, fez surgir o Palmas Futebol e Regatas”, afirma.

Mudança de endereço

A construção da Usina Hidrelétrica Luís Eduardo Magalhães, popularmente conhecida como Usina de Lajeado, começou em 1998. Júnio Batista explica que as obras foram iniciadas em um período em que o país precisava de investimentos no setor energético e vivia uma crise devido à escassez de chuvas e à sobrecarga do sistema elétrico brasileiro.

A obra foi construída em 39 meses com recursos privados, e contou com 11 mil trabalhadores. O lago atingiu 630 km², com 170 km de extensão. As famílias do Canela foram atingidas diretamente, e precisaram mudar de endereço e encontrar um novo ritmo de vida.

“Tiveram que deixar suas casas, suas terras, o rio, as ligações afetivas com o lugar e foram compulsoriamente remanejadas para a Arne 64 (508 Norte) e o Setor Santa Bárbara”, conta o pesquisador.

A Vila Canela tinha antigas sedes de fazenda, currais, casas, ruínas, estradas e objetos que foram deixados para trás, porque o processo de enchimento do lago foi feito em apenas 6 meses.

“Do início de maio a dezembro de 2001, muitas coisas, como antigas sedes de fazenda, currais, ruínas, estradas e objetos acabaram ficando submersos”, explica.

Ruínas de casa é descoberta submersa no Lago de Palmas — Foto: Divulgação/Luiz Carlos Marques de Queiroz

Além do Canela, o professor e pesquisador conta que outras 24 regiões, incluindo Luzimangues, córrego do Prata, São Francisco de Assis, Mariana, Boa Sorte e Flor da Serra, precisaram ser reassentadas. No total, 1.526 famílias, que mantinham relação econômica de sobrevivência com o rio, foram atingidas.

A Arne 64 foi projetada para ser conhecida como a “Vila Nova Canela”. Segundo Júnio, foram construídos uma igreja, escola, posto de saúde e a quadra poliesportiva no local. Todos os empreendimentos que existiam na antiga Canela.

Lago de Palmas, no Tocantins — Foto: Adilvan Nogueira/Governo do Tocantins

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