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October 23, 2026
Clima

Atividades humanas são principal fator de emissão de carbono na Amazônia, mostra estudo – ClimaInfo

  • Outubro 23, 2026
  • 5 min read
Atividades humanas são principal fator de emissão de carbono na Amazônia, mostra estudo – ClimaInfo

22 de outubro de 2026

desmatamento
Bruno Kelly/Amazônia Real/via Flickr

Resumo

  • Ação humana pesa mais que o clima nas emissões da Amazônia: liderada por Luciana Gatti, do INPE, pesquisa publicada na Nature analisou 15 anos de medições aéreas de CO₂. Entre 2010 e 2024, a floresta lançou, em média, 1,17 bilhão de toneladas de CO₂ a mais do que absorveu por ano. Desmatamento e fogo dominam a conta, e o clima extremo atua como um amplificador.
  • Incêndios são a principal fonte, com 1,47 bilhão de toneladas de CO₂ ao ano: a floresta absorveu apenas cerca de 300 milhões de toneladas de CO₂, muito abaixo do necessário para compensar. Os dados vieram de voos em quatro localidades, cobrindo 100% da Amazônia brasileira, e foram cruzados com dados de desmatamento, de chuvas e de temperatura dos oceanos.
  • Perda de floresta reduz chuvas, eleva temperaturas e alimenta ciclo de retroalimentação: em 46 anos, a precipitação anual caiu 8% (20% no pico da seca) e a temperatura média subiu 1,13°C (1,81°C na seca). Segundo Luciana, o que mais mata a floresta é a ação humana, e as políticas públicas de proteção são decisivas, o que ganha peso com o 2º turno das eleições presidenciais no domingo (25/10).
  • As atividades humanas, como o desmatamento e os incêndios florestais, são as principais responsáveis pelas emissões na Amazônia brasileira. Elas pesam mais do que as mudanças climáticas. É o que mostra um estudo liderado pela pesquisadora Luciana Gatti, do INPE, publicado na 4ª feira (21/10) na revista Nature, que analisou 15 anos de medições aéreas de dióxido de carbono sobre a floresta.

    Uma floresta saudável funciona como uma esponja de carbono: retira CO₂ do ar para crescer e ajuda a frear o aquecimento global. Na Amazônia brasileira, essa conta passou a fechar no negativo, destacam g1, Agência FAPESP e Amazonas Hoje. Entre 2010 e 2024, a Amazônia lançou na atmosfera, em média, 1,17 bilhão de toneladas de CO₂ a mais do que absorveu por ano, mostra a pesquisa. É mais da metade das emissões brutas do Brasil em 2025, segundo o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima.

    Duas forças explicam a virada. A primeira é a ação humana direta: o desmatamento elimina as árvores que capturariam carbono, e o fogo devolve ao ar o carbono armazenado na vegetação. A segunda é o clima: secas e calor extremos fazem a floresta crescer menos e absorver menos carbono. A pesquisa mediu o peso de cada uma dessas forças e constatou que a ação humana predomina. O clima extremo funciona como um amplificador: agrava um estrago que começa no chão da Floresta Amazônica.

    “Quem mais afeta a Amazônia, quem está matando a floresta, não é a mudança climática, mas a ação humana. Precisamos estar atentos à mudança do clima, mas mais atentos ainda às políticas públicas que podem proteger a nossa floresta e, consequentemente, o nosso clima”, explicou Luciana. Políticas que correm sério risco de ir para o ralo se Flávio Bolsonaro (PL) vencer o 2º turno das eleições presidenciais, no domingo (25/10).

    Os pesquisadores usaram dados coletados entre 2010 e 2024 por meio de voos em aviões de pequeno porte, com a quantificação de CO₂ e monóxido de carbono (CO) realizada no Laboratório de Gases de Efeito Estufa (LaGEE), do INPE. As coletas foram realizadas em quatro localidades, abrangendo 100% da Amazônia brasileira.

    A análise combinou medições de carbono com dados de desmatamento e incêndios, precipitação, temperatura do ar e indicadores de temperatura da superfície do mar (ONI) na região equatorial do Oceano Pacífico e no Oceano Atlântico Tropical Norte (TNA).

    Em média, ao longo de 15 anos, o balanço de carbono da Amazônia foi de 0,32 petagramas de carbono (PgC) por ano, o que equivale a 1,17 bilhão de toneladas de CO₂ anuais. Os incêndios constituíram a principal fonte de carbono, com emissões médias de 0,40 PgC/ano, equivalentes a 1,47 bilhão de toneladas de CO₂ por ano. A diferença, de 300 milhões de toneladas de CO₂ anuais, foi a parte de carbono absorvida pela floresta.

    Além de identificar os fatores associados às emissões, a pesquisa evidencia mudanças nas condições climáticas da região ao longo das últimas décadas. Nos últimos 46 anos, o desmatamento e a degradação de longo prazo na Amazônia reduziram a precipitação anual em 8% e, durante o pico da estação seca, entre agosto e outubro, em 20%. No mesmo período, a temperatura média anual aumentou 1,13°C, enquanto no pico da estação seca, a elevação chegou a 1,81°C.

    Essas alterações comprometem as condições necessárias à manutenção da floresta tropical úmida e contribuem para um ciclo de retroalimentação. A perda de vegetação reduz as chuvas e eleva as temperaturas, favorecendo novas queimadas e ampliando a degradação da floresta remanescente.

    Assim, o estudo mostra que a atividade humana e a crise climática não atuam de forma isolada. Ao contrário, seus efeitos se intensificam mutuamente. Por isso, a redução das emissões exige não apenas a diminuição do desmatamento, mas também o combate ao uso do fogo, tanto no manejo da terra quanto ao seu uso como forma de desmatamento, além da recuperação de áreas degradadas.

    • Amazônia
    • desmatamento
    • emissões de carbono
    • incêndios florestais

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