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September 18, 2026
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“Rei do Gás” é maior doador individual das eleições de 2026 – ClimaInfo

  • Setembro 18, 2026
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“Rei do Gás” é maior doador individual das eleições de 2026 – ClimaInfo

17 de setembro de 2026

gás fóssil financiamento
Martin Adams / Unsplash

Resumo

  • “Rei do Gás” lidera doações individuais para as eleições: o empresário Carlos Seabra Suarez, fundador da Termogás e cofundador da OAS, doou R$ 5,7 milhões diretamente a diretórios nacionais de partidos: R$ 1 milhão cada para MDB, PP, PSD, PSDB e União Brasil, e R$ 700 mil para o PSB. Sua influência já se fez sentir em propostas como a privatização da Eletrobras, o marco das eólicas offshore e o REDATA.
  • Interesses na expansão do gás fóssil movem a atuação nos bastidores: Suarez articulou uma termelétrica no Distrito Federal, com licenciamento arquivado pelo IBAMA neste ano, e disputou com o grupo J&F contratos de térmicas no Amazonas. Sua agenda favorece a expansão de termelétricas a gás, o que tende a elevar as emissões do setor elétrico e as contas de luz da população.
  • Outros nomes da energia entre os maiores doadores: Rubens Ometto (Cosan/Raízen/Comgás) aparece em 3º lugar, com R$ 2,95 milhões, distribuídos entre parlamentares e partidos de centro e de direita. Em 4º, Robert Carlos Lyra, da Delta Sucroenergia, doou R$ 2,6 milhões, com foco no PP e em candidatos de Minas Gerais. No total, as doações de pessoas físicas somam R$ 374,9 milhões.
  • O empresário baiano Carlos Seabra Suarez é avesso a fotos e aparições em público. Ele ganhou projeção nacional como um dos sócios-fundadores da construtora OAS, lembra a Folha. Após desligar-se da empreiteira, investiu pesado em infraestrutura energética ao fundar a Termogás e adquirir participações acionárias estratégicas em concessionárias estaduais de gás canalizado. Com esse e outros projetos na área de gás fóssil, Suarez passou a ser conhecido como o “Rei do Gás”. E sua influência política, destacada pelo UOL, pode ser percebida no Congresso Nacional, quando deputados e senadores, vez ou outra, inserem benefícios ao combustível fóssil, em propostas de todos os tipos. Aconteceu na lei de privatização da Eletrobras, no marco regulatório das eólicas offshore e, mais recentemente, no projeto que cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (REDATA).

    Na prestação de contas parcial divulgada pela Justiça Eleitoral na 3ª feira (15/9), o “Rei do Gás” ocupa o primeiro lugar entre as pessoas físicas que mais destinaram recursos para financiar campanhas nas eleições de 2026. Suarez repassou R$ 5,7 milhões diretamente aos diretórios nacionais de cinco partidos do centro e da centro-direita — MDB, PP, PSD, PSDB e União Brasil, cada um recebendo R$ 1 milhão — e a um partido de centro-esquerda, o PSB, que recebeu R$ 700 mil.

    A atuação de Suarez nos bastidores de Brasília reflete interesses na expansão da infraestrutura de gás no país, mesmo que se trate de investimentos elevados e, por vezes, financeiramente injustificáveis, que aumentariam as emissões do setor elétrico brasileiro, já que tal expansão se fia em termelétricas a base de combustíveis fósseis, assim como as contas de luz da população brasileira. O empresário articulou a instalação da termelétrica Brasília, no Distrito Federal — cujo processo de licenciamento foi arquivado pelo IBAMA neste ano — e travou disputas judiciais e regulatórias no setor, como um embate com o grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, em torno de contratos de térmicas no Amazonas.

    A lista dos maiores doadores individuais das eleições de 2026 inclui outros nomes do setor energético nacional. O 3º maior doador individual é Rubens Ometto, presidente do conselho de administração dos grupos Cosan e Raízen — esta última está em recuperação judicial —, com R$ 2,95 milhões declarados. Ometto lidera um conglomerado com forte presença nos setores de sucroenergia, combustíveis e distribuição de gás canalizado, por meio da paulista Comgás.

    Ometto distribuiu recursos para João Junior (Democrata-MG), Carlos Zarattini (PT-SP) e Antonio Carlos Rodrigues (PL-SP), com R$ 200 mil cada; João Ribeiro Barroso Filho (PT-CE), com R$ 150 mil; e Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), José Eduardo Botelho (União Brasil-MT), Onyx Lorenzoni (PL-RS), Hugo Leal (PSD-RJ) e Jessica Motran (MDB-MT), com R$ 100 mil cada.

    Nas doações partidárias, o empresário concentrou recursos no centro e à direita. Ometto destinou R$ 1 milhão à direção nacional do MDB, R$ 300 mil à direção estadual do PL no Tocantins e R$ 200 mil ao PP de Mato Grosso do Sul.

    Em 4º lugar no levantamento da Justiça Eleitoral, o empresário Robert Carlos Lyra, presidente da Delta Sucroenergia, destinou R$ 2,6 milhões em contribuições. Com atuação nos setores de biocombustíveis e de agroindústria, Lyra repassou R$ 1,5 milhão à direção nacional do PP e concentrou o restante de seus recursos em candidatos de Minas Gerais.

    A campanha de Flávio Roscoe (PL) ao governo do estado recebeu R$ 500 mil de Lyra. Na disputa parlamentar, o empresário contemplou Reginaldo Lopes (PT) com R$ 205 mil, Nikolas Ferreira (PL) com R$ 200 mil, Betinho Pinto Coelho (União Brasil) com R$ 50 mil, além de outros postulantes estaduais mineiros.

    Segundo o relatório da Justiça Eleitoral, as doações de pessoas físicas totalizam R$ 374,9 milhões destinadas a partidos e candidatos.

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