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September 18, 2026
Clima

Estudo: crise climática enfraqueceu geleira que provocou enxurrada no Nepal – ClimaInfo

  • Setembro 18, 2026
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Estudo: crise climática enfraqueceu geleira que provocou enxurrada no Nepal – ClimaInfo
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Condições “excepcionalmente quentes” antecederam o colapso da geleira no Himalaia; o aquecimento intensificou a perda de gelo desde 2010.

17 de setembro de 2026

derretimento geleiras 2
Valdemaras D./Unsplash

Resumo

  • Estudo inédito liga mudança climática ao colapso de geleira: análise da World Weather Attribution (WWA) concluiu que o aquecimento global provavelmente contribuiu para o rompimento de parte da geleira de Langtang Lirung, no Himalaia, que liberou 110 milhões de m³ de neve e gelo e causou inundações que mataram mais de 1,3 mil pessoas no Nepal e na China em agosto.
  • Aquecimento acelera o degelo e desestabiliza encostas: a região aqueceu cerca de 2°C desde a era pré-industrial, com julho e agosto de 2026 batendo recordes de calor (5°C acima da média); desde 2010, a perda de gelo das geleiras se acelerou, afinando-as em média meio metro por ano e enfraquecendo a “cola” que liga o gelo, o permafrost e as rochas.
  • Evento raro expõe limites de adaptação e risco futuro: pesquisadores classificam o desastre como resultado de múltiplos fatores acumulados ao longo de anos, não de uma causa isolada, o que torna a atribuição climática mais complexa; especialistas alertam que o aquecimento contínuo aumenta o risco de novos colapsos semelhantes e pedem a redução urgente das emissões de gases de efeito estufa.
  • Pela primeira vez, um estudo de atribuição concluiu que a crise climática provavelmente contribuiu para o colapso de uma geleira no Himalaia, que causou as inundações catastróficas que mataram mais de 1,3 mil pessoas no Nepal e na China em agosto. Segundo a análise do grupo World Weather Attribution (WWA), condições “excepcionalmente quentes” nos dias que antecederam o desastre facilitaram o colapso de parte de uma geleira na montanha de Langtang Lirung, no lado chinês da fronteira, despejando 110 milhões de metros cúbicos de neve e gelo no vale do rio Lhende Khola.

    O episódio de calor extremo no Himalaia em agosto teria sido a gota d’água de um processo de perda gradual e constante de gelo nas geleiras ao longo das últimas décadas. De acordo com o WWA, a taxa de perda de gelo acelerou-se desde 2010, passando de 0,5% para entre 1% e 2,3% por ano, resultando em um afinamento médio anual de meio metro. O derretimento das geleiras deixa o solo instável, facilitando seu colapso e a ocorrência de enxurradas como a do mês passado.

    A região onde ocorreu o colapso da geleira aqueceu cerca de 2oC desde o período pré-industrial. Para piorar, os meses de julho e agosto de 2026 foram os mais quentes já registrados na região, atingindo 5oC acima da média dos últimos 30 anos nos dias que antecederam o colapso. Desde os anos 1980, o limiar de congelamento no Himalaia subiu cerca de 100 metros por década, com temperaturas de degelo mais altas e prolongadas, enfraquecendo as encostas das montanhas moldadas pelo permafrost.

    Como o Guardian observou, os detritos de gelo e lama caíram cerca de 1,4 mil metros, atingindo o fundo do vale com tamanha violência que poderia ser registrada como um terremoto, derretendo o gelo e provocando uma inundação congelante que desceu o rio a velocidades superiores a 117 km/h. A enxurrada arrastou casas, pontes, estradas e outras construções, deixando um rastro de destruição inédito, mesmo em um país acostumado a desastres naturais, como é o caso do Nepal.

    “Avalanches de rochas desse tamanho são raras, com estimativas de frequência anual de aproximadamente um evento desse porte a cada mil a 10 mil anos”, assinalou o estudo. “Este evento demonstra que os limites da adaptação já estão sendo atingidos”.

    Este estudo de atribuição difere de outras análises conduzidas pelo WWA nos últimos anos. Isso porque é difícil atribuir as mudanças climáticas a um evento climático específico, como ocorreu com as enxurradas no Nepal. Em vez disso, os pesquisadores descobriram que o desastre foi resultado de uma crise complexa, com diversos fatores agravados pelo aquecimento global das últimas décadas.

    “A falha ocorreu a uma altitude de cerca de 5.150 metros, e houve vários processos atuando em conjunto ao longo de escalas de tempo que variaram de anos a décadas, em vez de um único fator agindo isoladamente. Isso faz com que a atribuição climática direta também seja um grande desafio”, afirmou Walter Immerzeel, professor da Universidade de Utrecht (Países Baixos) e coautor do estudo, à Folha.

    Ao mesmo tempo, o estudo indica um motivo de preocupação para o futuro no Himalaia: o aquecimento das últimas décadas já comprometeu a estabilidade geológica da região, com a possibilidade de novos desastres semelhantes nos próximos anos e décadas. E quanto mais o planeta aquecer, maior será o risco para as populações que vivem na região e para as comunidades localizadas a jusante dos rios do Himalaia.

    “É necessária uma ação urgente para reduzir as emissões [de gases de efeito estufa], evitar um derretimento ainda mais rápido e um risco maior de futuros desastres”, pontuou Bethan Davies, professora de glaciologia da Universidade de Newcastle (Reino Unido), citada pelo Observatório do Clima.

    Al-Jazeera, Bloomberg, Climate Home, CNN, El País, National Geographic e Reuters, entre outros, deram mais detalhes sobre o estudo.

    • crise climática
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