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April 22, 2026
Clima

Usinas a combustíveis fósseis contratadas pelo governo podem emitir até 40 milhões de toneladas de CO₂ por ano – ClimaInfo

  • Março 27, 2026
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Usinas a combustíveis fósseis contratadas pelo governo podem emitir até 40 milhões de toneladas de CO₂ por ano – ClimaInfo
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O volume se aproxima das emissões totais de Santa Catarina em 2024, segundo dados do SEEG, do Observatório do Clima.

27 de março de 2026

grandes empresas remissões no planeta (1)
Canva/Magic Studio

O leilão de reserva de capacidade (LRCAP) promovido em duas fases pelo Ministério de Minas e Energia (MME) na semana passada não doerá apenas no bolso da população brasileira. Com a contratação de termelétricas a gás fóssil, carvão, diesel e óleo combustível, a geração de energia elétrica no Brasil também ficará mais suja, com mais emissões de gases de efeito estufa, o que agravará as mudanças climáticas.

De acordo com a 5ª edição do Boletim Leilão de Energia Elétrica, do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), a operação dessas usinas poderá gerar até 40 milhões de toneladas de CO₂ equivalente (MtCO₂e) por ano, informam Canal Solar e Canal Energia. Isso equivale a praticamente as emissões de 2024 do estado de Santa Catarina, de acordo com o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima.

As estimativas do IEMA consideraram três cenários de operação (alta, média e baixa utilização), com base em diferentes fatores de capacidade e parâmetros de planejamento. As emissões de 40 MtCO₂e anuais correspondem ao cenário de alta utilização. Na baixa utilização, ficam em torno de 1 MtCO₂e  – equivalente às emissões de João Pessoa (PB), segundo o SEEG. O pico de emissões tende a ocorrer entre 2031 e 2036, quando há maior sobreposição entre os contratos.

Apenas as novas usinas, que representam 56% da capacidade contratada entre as plantas à base de combustíveis fósseis e operarão por mais tempo, devem emitir cerca de 50% a mais do que as usinas já existentes no cenário mais conservador, de baixa utilização. “Como o leilão visa garantir potência nos momentos de maior demanda, o despacho das usinas contratadas varia ao longo do tempo em função das condições do sistema elétrico. As emissões anuais dependerão diretamente do nível de acionamento dessas usinas, que é influenciado pela gestão das renováveis, pela implantação de tecnologias como baterias e pelas condições dos reservatórios das hidrelétricas”, explica Raissa Gomes, pesquisadora do IEMA.

A distribuição geográfica dos empreendimentos também chama a atenção, destaca a entidade. As térmicas se concentram principalmente no litoral do Nordeste e no estado do Rio de Janeiro, além de alguns pontos da Região Norte, geralmente próximas a infraestruturas já existentes de gás fóssil.

Esse padrão leva à concentração de impactos socioambientais nesses territórios, podendo gerar conflitos em áreas já sujeitas ao estresse hídrico e má qualidade do ar. Municípios como Caucaia (CE), Barra dos Coqueiros (SE), Macaé (RJ) e Ipojuca (PE) já registram sobreposição de usinas existentes e novas, com aumento significativo da capacidade instalada. Apenas em Caucaia e Barra dos Coqueiros, foram adicionados cerca de 4 gigawatts (GW).

A contratação de 19,5 GW, majoritariamente de termelétricas, foi apresentada como resposta à necessidade de segurança energética – característica comumente associada aos combustíveis fósseis, mas que a guerra no Irã jogou por terra. Porém, o principal gargalo do sistema elétrico brasileiro não é a falta de geração, mas a ausência de mecanismos adequados para lidar com a energia excedente em certos horários e com a variabilidade das fontes renováveis.

“O LRCAP contratou um volume excessivo de térmicas, com perfil inadequado de flexibilidade e, com isso, perdeu a oportunidade de conciliar soluções mais alinhadas à transição energética, como o armazenamento de energia, a resposta à demanda e a modernização dos sinais econômicos do leilão. Investimentos em transmissão e em modelos mais avançados de previsão também poderiam reduzir a necessidade de contratação adicional de capacidade”, avalia Ricardo Baitelo, gerente de projetos do IEMA.

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Ian Mello

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