Trump elimina limites de emissões de usinas a carvão e gás nos EUA – ClimaInfo
16 de setembro de 2026

Resumo
O governo de Donald Trump segue em sua toada irresponsável no desmonte das políticas climáticas nos Estados Unidos. A Agência de Proteção Ambiental (EPA) do país anunciou que eliminará todos os limites de emissões de poluentes de usinas termelétricas a carvão e a gás fóssil. A decisão derruba uma das últimas barreiras à intensificação da poluição e das emissões de gases de efeito estufa no setor energético estadunidense.
O anúncio foi feito durante um encontro dos ministros de energia do G20, presidido neste ano pelos EUA. O administrador da EPA, Lee Zeldin, justificou a medida pelos “impactos econômicos” que os limites de emissões impuseram ao setor de energia, especialmente às usinas a carvão. Segundo ele, os governos dos ex-presidentes Barack Obama (2009-16) e Joe Biden (2021-25) travaram uma “guerra contra o carvão” que teria encarecido o preço da energia, “sem impacto significativo” no clima.
Segundo a própria EPA, o fim dos limites de poluentes resultará em 123 milhões de toneladas adicionais de carbono na atmosfera ao longo da próxima década e em uma economia de US$ 370 milhões (R$ 1,9 bilhão) em custos diretos de conformidade para as operadoras de usinas. O governo espera que o preço da energia diminua no país — o que atende aos interesses de Trump em reduzir o custo de vida, faltando menos de dois meses para as eleições de meio termo, que podem colocar o Congresso do país sob controle da oposição democrata.
Quanto aos efeitos da medida no clima global, Zeldin foi cínico como seu chefe e disse que as emissões do setor de energia “não têm impacto material sobre as mudanças climáticas globais”. O que não se sustenta: o setor elétrico estadunidense não é apenas um dos principais vetores de emissões do 2º maior emissor global de gases de efeito estufa, mas se fosse um país independente, seria o 5º maior emissor do mundo.
“Este é mais um prego no caixão do compromisso desta administração em proteger as pessoas e enfrentar a crise climática”, lamentou Manish Bapna, presidente do grupo ambientalista Conselho de Defesa dos Recursos Naturais (NRDC), no New York Times. “[A EPA] está deixando de cumprir sua responsabilidade legal e moral de acabar com a poluição climática.”
Mais do que os reflexos imediatos da decisão, o que preocupa especialistas e ambientalistas é o impacto de médio e longo prazos, inclusive do ponto de vista legal. O argumento apresentado pela EPA é o de que, na verdade, o governo federal estadunidense não teria autoridade para impor essas restrições, mesmo sob a Lei do Ar Limpo. Se nenhuma corte derrubar essa tese, ela pode impedir que futuros governos tentem restabelecer esses limites.
“Quem precisa que as grandes petrolíferas neguem a Ciência Climática, prejudiquem a tomada de decisões baseada na ciência e coloquem em risco a vida e os meios de subsistência quando o próprio governo dos EUA fará isso?”, questionou Geoffrey Supran, diretor do Laboratório de Responsabilização Climática da Universidade de Miami, no Inside Climate News.
AP, BBC, Bloomberg, CNN, DW, Financial Times, Guardian, Politico, Reuters e Washington Post, além de Folha, O Globo, Times Brasil e Valor, também repercutiram a notícia.
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Em tempo: Uma análise de pesquisadores do Instituto Emmett da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) combinou dados de satélite e registros públicos para identificar “superemissores” de metano nos EUA. O ranking é liderado pelo complexo da Energy Transfer perto de Shreveport, na Louisiana. De janeiro de 2025 a junho de 2026, a instalação emitiu metano a uma taxa média de 1,56 tonelada por hora, o que é 15 vezes mais do que o limite definido pela EPA durante o governo Biden e suspenso por Trump no ano passado. “Coincidentemente”, o CEO da Energy Transfer, Kelcy Warren, doou milhões de dólares à campanha de Donald Trump à presidência em 2024, lembra o Guardian.
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