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September 3, 2026
Clima

Tragédia no Nepal: autoridades dizem que chances de achar sobreviventes são pequenas – ClimaInfo

  • Setembro 3, 2026
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Tragédia no Nepal: autoridades dizem que chances de achar sobreviventes são pequenas – ClimaInfo

2 de setembro de 2026

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Arun Sankar/AFP via O Globo

Resumo

  • Mortes no Nepal e Tibete passam de 1,2 mil após uma semana: a tragédia completou sete dias com mais de 4,2 mil desaparecidos. Equipes seguem buscando pessoas presas em túneis e hidrelétricas ao longo do rio Bhotekoshi, enquanto famílias de desaparecidos já realizam funerais simbólicos diante da queda nas chances de encontrar sobreviventes fora dessas estruturas.
  • Nepal cobra compensação climática dos grandes emissores: o primeiro-ministro Balendra Shah associou o desastre às mudanças climáticas, e o chanceler Shisir Khanal criticou China, EUA e Índia por contribuições “extremamente grandes” às emissões. O país solicitou ajuda urgente ao Fundo da ONU para Perdas e Danos, alegando que esperar até a reunião de dezembro seria tarde demais.
  • Danos estimados e risco de hidrelétricas no Himalaia: o governo nepalês estima prejuízos de US$ 5 bilhões (10% do PIB anual do país), afetando hidrelétricas que o país via como solução energética. A tragédia expõe o risco crescente desses projetos em uma região cada vez mais afetada por geleiras instáveis e chuvas imprevisíveis decorrentes das mudanças climáticas.
  • O número de mortos pelas enxurradas catastróficas que atingiram o Nepal e o Tibete passou de 1,2 mil ontem (2/9), quando a tragédia completou uma semana. Equipes de resgate lutavam contra a chuva e os destroços para tentar localizar pessoas que estariam presas nos túneis ao longo do curso do rio Bhotekoshi e em hidrelétricas subterrâneas.

    Mais de 4,2 mil continuam desaparecidos. Contudo, se ainda há esperanças de encontrar sobreviventes nas hidrelétricas, as chances de resgatar pessoas vivas em outros locais estão diminuindo, avaliam autoridades nepalesas. Ainda assim, as operações não foram interrompidas, com equipes vasculhando a encosta da montanha ao longo da fronteira com a China, onde cidades e vales foram devastados, detalha a Reuters. Apesar disso, famílias de desaparecidos já realizavam funerais simbólicos.

    O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, afirmou que a ligação do desastre às mudanças climáticas deve ser fortemente debatida com a comunidade internacional, destacam The Hindu e O Globo. “A enchente do rio Bhotekoshi, em Rasuwa, não foi comum”, declarou o premiê em uma publicação nas redes sociais. “Foi um dos desastres mais graves da região, provocado por uma avalanche de neve e gelo no Himalaia. Este incidente indica que os riscos estão aumentando em paralelo às mudanças climáticas”, afirmou Shah. “Portanto, esta região deve permanecer em alerta”, acrescentou.

    O Nepal quer exigir uma compensação climática dos maiores emissores mundiais de gases de efeito estufa, segundo a Bloomberg. A China, os Estados Unidos e a Índia deram contribuições “extremamente grandes” para as mudanças climáticas e deixaram as nações menores “arcando com as consequências”, lembrou o ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, à Kantipur TV. Faltou cobrar também a União Europeia.

    Khanal afirmou que o país solicitou ajuda urgente ao Fundo da ONU para Perdas e Danos, criado na COP27, em 2022, no Egito, para ajudar países vulneráveis ​​na recuperação de desastres relacionados ao clima. Segundo a mídia local, autoridades informaram ao fundo que os custos de recuperação superam em muito os recursos internos e que aguardar a reunião do conselho do mecanismo, marcada para dezembro, seria tarde demais.

    O governo do Nepal estima que os danos causados pelas recentes inundações custarão cerca de US$ 5 bilhões (R$ 25,5 bilhões). Segundo o New York Times, a cifra representa 10% da produção econômica anual do país e um novo fardo para uma nação que investiu pesadamente em hidrelétricas que agora estão destruídas. Por isso, a tragédia é um forte lembrete do crescente risco de projetos desse tipo em uma das áreas mais propensas a desastres naturais no mundo.

    As barragens no alto dos Himalaias parecem ser uma solução imediata para uma região carente de energia. Os países veem os rios de montanha como uma resposta ao aumento da demanda por eletricidade, à dependência de combustíveis fósseis e ao subdesenvolvimento econômico. No entanto, as mudanças climáticas produzem geleiras instáveis e chuvas imprevisíveis, criando novos riscos para as hidrelétricas existentes e aumentando o custo potencial das que ainda estão em fase de planejamento, destaca a Bloomberg.

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