TFFF precisa ter cláusula contra exploração de combustíveis fósseis, sugere organização – ClimaInfo
Iniciativa lançada pelo Brasil na COP30, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) é um instrumento financeiro que visa conter o desmatamento em países em desenvolvimento. No entanto, também pode ajudar a conter a exploração de petróleo, gás fóssil e carvão nessas nações. O que seria um elemento prático no “Mapa do Caminho” para eliminar os combustíveis fósseis sugerido pelo presidente Lula para a conferência do clima.
A proposta é da organização alemã Leave it in the Ground Initiative (LINGO). Segundo um levantamento da entidade, o fundo pode evitar a emissão de 317 bilhões de toneladas de CO₂ provenientes de reservas de petróleo, gás e carvão localizadas sob florestas tropicais, informa o SustainableViews. Número que pula para impressionantes 4,6 trilhões de toneladas se consideradas reservas não viáveis economicamente hoje.
Para isso, a LINGO recomenda que os termos dos pagamentos do TFFF incluam um compromisso dos países de não desenvolverem ativos de combustíveis fósseis localizados sob suas florestas. De acordo com a entidade, há 73 países elegíveis a solicitar recursos do fundo, e 68 deles possuem combustíveis fósseis no subsolo de suas florestas tropicais.
O relatório indica que Índia, China e Indonésia têm as maiores reservas recuperáveis sob florestas tropicais de folhas largas. Esses volumes equivalem a 119 e 47 gigatoneladas de CO₂, respectivamente.
Pela proposta inicial, os países tropicais precisariam preservar a biodiversidade e reduzir as taxas de desmatamento ilegal para menos de 0,5% ao ano, conforme medido por monitoramento geoespacial, para receberem recursos do TFFF. Para Alice McGown, autora do estudo e chefe da área geoespacial da LINGO, adicionar uma cláusula sobre combustíveis fósseis ao fundo permitiria combinar “conservação da biodiversidade, transferência de recursos financeiros e a agenda de eliminação dos combustíveis fósseis de uma nova maneira”.









